Estimulação Magnética Transcraniana (EMT): Tratamento para Depressão Resistente
Estimulação Magnética Transcraniana
A Depressão é a principal causa de incapacidade nos Estados Unidos e no Brasil entre pessoas com idades compreendidas entre os 15 (quinze) e os 44 (quarenta e quatro) anos. Embora existam muitos tratamentos eficazes para a depressão, as abordagens de primeira linha como os antidepressivos e a psicoterapia não funcionam para todos. De facto, aproximadamente dois terços das pessoas com depressão não recebem o alívio adequado do primeiro antidepressivo que tentam. Após dois meses de tratamento, pelo menos alguns sintomas permanecerão para estes indivíduos, e cada medicação subsequente experimentada é de facto menos susceptível de ajudar do que a anterior.
O que podem as pessoas com depressão fazer quando não respondem aos tratamentos de primeira linha? Durante várias décadas, a terapia electroconvulsiva (ECT ou “terapia de choque“) foi o padrão de ouro para a depressão resistente ao tratamento. Na verdade, a ECT ainda é considerada o tratamento mais potente e eficaz para esta condição, e continua a ser utilizada regularmente em todo o país. Para muitas pessoas com depressão, contudo, a ECT pode ser demasiado difícil de tolerar devido aos efeitos secundários na memória e cognição. Para aqueles indivíduos e muitos outros que tiveram uma resposta inadequada a medicamentos e terapias apenas, existe uma nova opção de tratamento chamada estimulação magnética transcraniana (EMT).
O que é a Estimulação Magnética Transcraniana?
A Estimulação Magnética Transcraniana, ou EMT, é uma forma não-invasiva de estimulação cerebral. Os dispositivos EMT funcionam completamente fora do corpo e afetam a atividade do sistema nervoso central, aplicando poderosos campos magnéticos a áreas específicas do cérebro que sabemos estarem envolvidas em Depressão. A EMT não requer anestesia e é geralmente excepcionalmente bem tolerada em comparação com os efeitos secundários frequentemente observados com medicamentos e ECT. O efeito secundário mais comum é a dor de cabeça durante ou após o tratamento. Um efeito secundário raro mas grave são as convulsões, e a EMT pode não ser apropriada para pessoas de alto risco, tais como as que sofrem de epilepsia, um historial de lesões na cabeça, ou outros problemas neurológicos graves.
Será que o EMT funciona?
Aproximadamente 50% a 60% ou seja 1 em cada duas das pessoas com Depressão que tentaram e não conseguiram beneficiar de medicamentos experimentam uma resposta clinicamente significativa com EMT. Cerca de um terço destes indivíduos experimentam uma remissão total, o que significa que os seus sintomas desaparecem completamente. É importante reconhecer que estes resultados, embora encorajadores, não são permanentes. Tal como a maioria dos outros tratamentos para as perturbações do humor, há uma elevada taxa de recorrência. Contudo, a maioria dos pacientes com EMT sente-se melhor durante muitos meses após a interrupção do tratamento, sendo a duração média da resposta um pouco mais de um ano.
Alguns optarão por voltar para as rondas de tratamento subsequentes. Para os indivíduos que não respondem ao EMT, a TCE ainda pode ser eficaz e muitas vezes vale a pena considerar.
Estimulação Magnética Transcraniana
Como é a terapia EMT?
EMT: Quando o Antidepressivo Não Basta – A terapia EMT é uma opção de tratamento intensivo que requer sessões que ocorrem cinco dias por semana durante várias semanas. Cada sessão pode durar entre 20 a 50 minutos, dependendo do dispositivo e do protocolo clínico utilizado. Quando os pacientes chegam, podem fazer um breve check-in com um técnico ou médico e depois iniciar o processo de estimulação. O técnico determinará a intensidade ideal da estimulação e o alvo anatómico, aproveitando um “marco” no cérebro chamado córtex motor. Ao visar primeiro esta parte do cérebro, a equipa pode determinar onde melhor localizar a bobina de estimulação no que diz respeito ao cérebro desse indivíduo e com que intensidade deve “disparar” a fim de conseguir uma estimulação adequada. Os cálculos são então aplicados para traduzir estes dados no sentido de encontrar o córtex pré-frontal dorsolateral, o alvo do cérebro com a maior evidência de eficácia clínica e uma área conhecida por estar envolvida em depressão. Embora uma sessão possa ser suficiente para alterar o nível de excitabilidade do cérebro, o alívio não é normalmente perceptível até à terceira, quarta, quinta, ou mesmo sexta semana de tratamento.
O EMT pode ajudar com outras condições?
O EMT está a ser estudado extensivamente através de doenças e mesmo disciplinas com a esperança de evoluir para novos tratamentos de doenças neurológicas, gestão da dor, e reabilitação física, para além da psiquiatria. Existem actualmente grandes ensaios clínicos que analisam a eficácia da EMT em condições tais como depressão pediátrica, doença bipolar, transtorno obsessivo-compulsivo, cessação do tabagismo, e transtorno de stress pós-traumático. A FDA (EUA) e o CFM/Anvisa (Brasil) já aprovaram a EMT para TOC e dependência nicotínica.
Estimulação Magnética Transcraniana (EMT): Tratamento para Depressão Resistente
A Depressão é uma das principais causas de incapacidade no Brasil e no mundo, atingindo fortemente pessoas entre 15 e 44 anos. Embora existam tratamentos eficazes, as abordagens de primeira linha — como os antidepressivos tradicionais e a psicoterapia — não funcionam para todos.
Aproximadamente dois terços das pessoas com depressão não obtêm o alívio adequado com o primeiro medicamento que tentam. Após dois meses de tratamento, alguns sintomas continuam presentes e, a cada nova medicação testada, a chance de uma resposta completa diminui.
Quando os tratamentos tradicionais falham, fala-se em Depressão Resistente ao Tratamento (DRT). Mas o que fazer nesses casos?
Por décadas, a Terapia Electroconvulsiva (ECT ou a antiga “terapia de choque”) foi o padrão-ouro para a depressão refratária. Embora a ECT ainda seja um tratamento potente, ela pode ser difícil de tolerar para muitos pacientes devido a efeitos colaterais na memória e na cognição, além de exigir anestesia geral.
Para esses indivíduos, existe uma opção moderna, segura e não invasiva: a Estimulação Magnética Transcraniana (EMT) — internacionalmente conhecida pela sigla TMS (Transcranial Magnetic Stimulation).
O que é a Estimulação Magnética Transcraniana (EMT)?
A Estimulação Magnética Transcraniana (EMT) é uma forma não invasiva de estimulação cerebral. Os equipamentos funcionam totalmente fora do corpo e atuam na atividade do sistema nervoso central por meio de campos magnéticos direcionados a áreas do cérebro envolvidas na regulação do humor.
Diferente da ECT, a EMT não requer anestesia nem sedação e é extremamente bem tolerada.
Efeito colateral mais comum: Leve desconforto no couro cabeludo ou dor de cabeça leve durante ou logo após as primeiras sessões.
Efeito raro: Convulsões (risco inferior a 0,1%).
Contraindicações
A EMT é contraindicada para pessoas que possuem materiais metálicos ou dispositivos eletrônicos implantados na cabeça ou pescoço (como clipes de aneurisma, placas metálicas, estimuladores cerebrais ou implantes cocleares), pois o campo magnético pode atrair ou aquecer esses metais. Pessoas com histórico de epilepsia não controlada precisam de avaliação criteriosa.
A EMT realmente funciona?
Cerca de 50% a 60% dos pacientes com depressão resistente que não responderam aos medicamentos apresentam uma melhora clínica significativa com a EMT. Além disso, cerca de um terço desses indivíduos atinge a remissão total, o que significa que os sintomas desaparecem completamente.
Como na maioria dos tratamentos para transtornos do humor, os resultados podem exigir sessões de manutenção após alguns meses ou anos, mas a maioria dos pacientes mantém a melhora por mais de um ano após o ciclo inicial.
Comparativo de Tratamentos
Característica
Antidepressivos Oral
ECT (Eletrochoque)
EMT (Estimulação Magnética)
Anestesia
Não exige
Exige Anestesia Geral
Não exige
Efeitos na Memória
Raros
Podem ocorrer
Nenhum efeito na memória
Aplicação
Diária (comprimidos)
Hospitalar
Em consultório (ambulatório)
Efeitos Colaterais
Ganho de peso, alteração de sono/libido
Confusão mental temporária
Dor de cabeça leve e transitória
Como é uma sessão de EMT?
O tratamento completo envolve uma série de sessões realizadas de segunda a sexta-feira, ao longo de 4 a 6 semanas.
Mapeamento Cerebral (Primeira Sessão): O médico ou técnico localiza o córtex motor do paciente para determinar o limiar motor (a intensidade de pulso necessária para mover o polegar).
Localização do Alvo: A partir dessa medição, é feita uma calibração para encontrar o Córtex Pré-Frontal Dorsolateral (CPFDL), região com menor atividade em pessoas com depressão.
Aplicação: A bobina magnética é posicionada sobre o couro cabeludo e emite pulsos magnéticos indolores. O paciente permanece acordado, sentado confortavelmente, podendo ler ou conversar durante o procedimento.
Evolução dos Protocolos (Sessões mais rápidas):
Antigamente, cada sessão durava entre 30 e 50 minutos. Hoje, com a aprovação de protocolos avançados como o iTBS (Theta Burst Intermitente), as sessões podem durar apenas de 3 a 10 minutos, mantendo exatamente a mesma eficácia e segurança.
O alívio dos sintomas costuma ser percebido de forma gradativa, geralmente a partir da terceira ou quarta semana de tratamento.
A EMT é aprovada no Brasil e no mundo?
Sim. A EMT é um tratamento médico respaldado pelas principais autoridades de saúde do mundo:
EUA (FDA): Aprovada para Depressão Resistente (2008), Transtorno Obsessivo-Compulsivo – TOC (2018), Cessação do Tabagismo (2020) e Enxaqueca.
Brasil (CFM e Anvisa): Regulamentada pelo Conselho Federal de Medicina desde 2012 para o tratamento de Depressão Unipolar e Bipolar Resistente, alucinações auditivas na Esquizofrenia e planejamento cirúrgico.
Outras Aplicações em Estudo
Atualmente, pesquisas avançadas avaliam o uso da EMT para o tratamento de Ansiedade Geral, Transtorno de Estresse Pós-Traumático (TEPT), Dor Crônica, reabilitação pós-AVC e Doença de Parkinson.
Perguntas Frequentes (FAQ)
O procedimento dói?
Não. A maioria dos pacientes sente apenas uma sensação de “batidinhas” ou formigamento no couro cabeludo durante a emissão dos pulsos magnéticos.
Posso dirigir após a sessão de EMT?
Sim. Como não há uso de sedativos ou anestesia, o paciente pode dirigir e retornar às suas atividades de trabalho ou estudo imediatamente após o término da sessão.
A EMT substitui os remédios?
Não necessariamente. Em muitos casos, a EMT é combinada com a medicação que o paciente já toma para potencializar os resultados. Qualquer alteração ou retirada de medicação deve ser feita exclusivamente pelo seu médico psiquiatra.
Este conteúdo possui caráter informativo e não substitui o diagnóstico feito em consulta médica.
Em caso de dúvidas ou aparecimento de sintomas mencionados neste artigo procure um profissional de saúde qualificado para obter um diagnóstico preciso.
Lembre-se a automedicação pode ocasionar graves complicações.
OPINIÃO
ABCTudo Paulista
Texto em que o autor apresenta e defende suas ideias e opiniões, a partir da interação de fatos e dados.
** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do ABCTudo/IT9.