Metade das empresas do ABC fecha antes de completar um ano

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Por Danillo Leite
  •   Publicado em: 12 de setembro de 2026

O Grande ABC abriu 56.283 empresas nos primeiros sete meses de 2026 — alta de 47,44% sobre o mesmo período de 2023 —, mas no mesmo intervalo 30.770 empresas fecharam, crescimento de 47,5%. A proporção é assustadora: para cada dois negócios abertos, um encerra as atividades. Os dados são do Mapa das Empresas do Governo Federal, e a taxa de "mortalidade" empresarial permanece estagnada em cerca de 54,7% desde 2023. Para lideranças do setor produtivo da região, as causas estão claras: falta de preparo para empreender, carga tributária, juros altos e concorrência do e-commerce formam o conjunto que derruba especialmente pequenos negócios e empresários individuais. Das 30.770 empresas que fecharam, 26.615 eram de empresários individuais.

Metade das empresas do ABC fecha antes de completar um ano

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Abertura Recorde, Fechamento na Mesma Medida: O Paradoxo do Empreendedorismo no Grande ABC

O Grande ABC nunca teve tantas empresas abrindo quanto em 2026. Nos primeiros sete meses do ano, 56.283 novos negócios foram registrados nas sete cidades da região — Santo André, São Bernardo do Campo, São Caetano do Sul, Diadema, Mauá, Ribeirão Pires e Rio Grande da Serra —, segundo o Mapa das Empresas do Governo Federal. Em relação ao mesmo período de 2023, quando foram abertas 38.173 empresas, a alta é de 47,44%.

Só que o espelho desse crescimento é igualmente impressionante e preocupante. No mesmo intervalo, 30.770 empresas encerraram suas atividades — alta de 47,5% sobre as 20.863 fechadas nos primeiros sete meses de 2023. A matemática é direta e dura: para cada dois negócios que abrem na região, um fecha. A taxa de “mortalidade” empresarial, que era de 54,6% em 2023, está em 54,7% em 2026 — praticamente a mesma proporção, apesar de o volume absoluto ser bem maior.

No primeiro semestre de 2026, o Grande ABC abriu 48.301 empresas, o equivalente a 267 novos negócios por dia e 11 por hora — crescimento de 11,74% sobre o mesmo período de 2025. O ritmo de aberturas é expressivo. Mas o economista e professor de Administração da ESPM, Jorge Ferreira dos Santos Filho, já havia alertado que esse número precisa ser analisado com cuidado: ele aponta que o crescimento nas aberturas não significa, automaticamente, que a economia está forte de forma sustentável — é preciso olhar também para os fechamentos e para a sobrevivência real das empresas. dgabc

O Perfil de Quem Abre — e Fecha

Os dados do Mapa das Empresas revelam também o perfil dos negócios em questão. Das 56.283 empresas abertasno Grande ABC em 2026, até julho, 45.058 são de empresários individuais — o que inclui os MEIs(Microempreendedores Individuais). Das 30.770 que fecharam, 26.615 eram também de empresários individuais.

Isso significa que o segmento de menor porte — composto por pessoas que trabalham por conta própria ou com uma estrutura mínima — representa a esmagadora maioria tanto das aberturas quanto dos fechamentos. São motoristas de aplicativo, cozinheiros autônomos, costureiras, eletricistas, prestadores de serviços em geral: pessoas que formalizaram sua atividade e, por diferentes razões, precisaram encerrar o CNPJ.

Especialistas apontam que entre os principais motivos para o fechamento estão a falta de conhecimento sobre o mercado, a ausência de uma identidade clara para o negócio, a falta de planejamento estratégico e o descontrole financeiro. contabeis

Das empresas que fecharam em 2026 no Grande ABC, 54,5% eram geridas por homens e 45,5% por mulheres. Hoje, as 396.241 empresas ativas na região são formadas majoritariamente por escritórios de prestação de serviços e comércios.

Por Que Tantas Empresas Fecham: A Visão de Quem Está no Mercado

Para entender o que está por trás dos números, lideranças do setor produtivo do Grande ABC apontam causas que se combinam e que, juntas, são difíceis de contornar para quem não está bem preparado.

Falta de Preparo e Planejamento

Beto Moreira, presidente do Sehal (Sindicato das Empresas de Hospedagem e Alimentação do ABC), é direto: empreender exige cada vez mais preparo, planejamento e conhecimento da atividade. Para ele, o setor precisa de empresários que conheçam o negócio, controlem custos e estejam atentos às mudanças no comportamento do consumidor.

“O nosso papel é justamente representar esses empresários e buscar condições que deem mais segurança para que eles possam investir, gerar empregos e continuar movimentando a economia local“, afirmou. A falta de preparo, na avaliação de Moreira, é um dos fatores mais determinantes para o encerramento precoce dos negócios.

Valter Moura Júnior, presidente da Acisbec (Associação Comercial e Industrial de São Bernardo do Campo), aponta a carga tributária como um choque que surpreende quem abre um negócio pela primeira vez. “O ambiente para empreender no Brasil ainda é pouco favorável, principalmente pela elevada carga tributária, pelos juros altos e pelas mudanças no comportamento do consumidor”, disse.

Para Moura Júnior, o Brasil ainda desestimula o empreendedorismo. Os impostos elevados e os juros altos dificultam a abertura de empresas, reduzem a capacidade de investimento e, muitas vezes, tornam o negócio inviável antes mesmo de ele atingir o ponto de equilíbrio.

A Ameaça do E-commerce e dos Importados

Além do peso tributário, há uma transformação estrutural no consumo que o pequeno empresário precisa enfrentar: o crescimento do comércio eletrônico e a chegada de produtos importados a preços cada vez menores. Moura Júnior é categórico: “Estamos vivendo uma transformação no consumo, com o crescimento do comércio eletrônico e a redução das lojas físicas em vários segmentos.”

Para o dirigente da Acisbec, o pequeno empresário ainda encontra espaço — especialmente quando oferece atendimento próximo, qualidade e uma experiência que o consumidor não encontra no ambiente digital. Mas isso exige preparo e posicionamento claro. Não adianta abrir uma loja física sem saber como competir ou se diferenciar do e-commerce.

Edgar Pereira Cezar, empresário que dirige a Milênio Embalagens, fabricante de embalagens de papelão ondulado em Diadema, e primeiro vice-diretor do Ciesp no município, lembra que nem mesmo grandes empresas estão imunes — citando as recuperações judiciais de Casas Bahia, Marabraz e do grupo que controla Habibs, Ragazzo e Tendal Grill. Para o pequeno, o risco é ainda mais agudo.

“São aquelas pessoas que empreendem por necessidade, ou porque perderam emprego, porque querem investir um dinheiro guardado. E isso leva ao fechamento por falta de preparação do empresário ou uma pesquisa detalhada do mercado”, aponta Cezar.

A Educação Financeira Que Não Chega

Um dos pontos mais críticos levantados pelos especialistas ouvidos é a ausência de educação financeira desde a base. Cezar aponta diretamente para essa lacuna: “Falta investimento do governo em educação financeira, com noções de empreendedorismo e de economia básica.”

O empresário concorda que o brasileiro é naturalmente empreendedor — sempre buscando independência financeira —, mas sem orientação corre riscos enormes. “Tentar mudar de vida é um direito legítimo de todo trabalhador, mas se der errado ele pode perder recursos e sair endividado”, alerta.

Ele também menciona um fenômeno cultural que complica o cenário: a atração que jovens têm por influenciadores digitais que exibem renda sem produção aparente. Isso distorce a percepção sobre o que é empreender de verdade. “As empresas têm dificuldade de contratar mão de obra porque os jovens não querem trabalhar com carteira assinada, quando a possibilidade de construir uma carreira numa empresa é muito mais palpável do que o risco de empreender”, diz.

Para Cezar, o Sebrae (Serviço de Apoio às Micro e Pequenas Empresas) oferece um conjunto importante de informações para quem quer empreender, mas todos precisam se unir — governo, entidades e o próprio empreendedor — para mudar esse quadro. “É desejável que se empreenda, mas com preparo para isso e ciente dos riscos.”

Perguntas Frequentes (FAQ)

1. Quantas empresas foram abertas e fechadas no Grande ABC em 2026?

Nos primeiros sete meses de 2026, foram abertas 56.283 empresas e fechadas 30.770 no Grande ABC, segundo o Mapa das Empresas do Governo Federal. Isso representa uma taxa de fechamento de 54,7% em relação às aberturas.

2. A proporção de fechamentos melhorou em relação a 2023?

Não. Em 2023, a razão entre fechamentos e aberturas era de 54,6%. Em 2026 está em 54,7% — praticamente idêntica, mesmo com volume absoluto muito maior. Apesar de crescerem os dois lados, a proporção de mortalidade empresarial permanece estagnada.

3. Quais são os principais motivos para o fechamento de empresas no Grande ABC?

Os líderes empresariais da região apontam três causas centrais: falta de preparo e planejamento antes de empreender; carga tributária e juros altos; e dificuldade de competir com o e-commerce e produtos importados.

4. Quem são os empreendedores que mais fecham?

A maioria são empresários individuais — MEIs e pequenas empresas de prestação de serviços ou comércio. Das 30.770 empresas que fecharam em 2026, 26.615 eram de empresários individuais.

5. O governo ou entidades oferecem apoio para quem quer empreender?

Sim. O Sebrae oferece capacitação, consultorias e informações para micro e pequenas empresas. Na região, entidades como Acisbec, Sehal e Ciesp também atuam no suporte ao empreendedor. O ponto crítico levantado pelos especialistas é que esse apoio ainda não chega a todos que precisam, especialmente pela falta de educação financeira na base.

6. Qual é a situação das empresas ativas no Grande ABC hoje?

São 396.241 empresas ativas nas sete cidades do Grande ABC, sendo a maioria formada por escritórios de prestação de serviços e comércios.

Referências:


OPINIÃO

ABCTudo Paulista

Texto em que o autor apresenta e defende suas ideias e opiniões, a partir da interação de fatos e dados.
** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do ABCTudo/IT9.

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