O e-commerce brasileiro faturou R$ 235,5 bilhões em 2025, alta de 15,3%, segundo a Abiacom. O tíquete médio foi de R$ 536,60. No Grande ABC e no resto do país, o fechamento de lojas da Casas Bahia e da Marabraz assustou quem ainda vive só do balcão. O consultor do Sebrae ABC Leonardo Suyama Tegg vê a internet como canal a somar, não como inimigo. A IT9 Marketing Digital aponta SEO, GEO e tráfego pago como formas de trazer cliente online. Cursos presenciais em Santo André estão marcados para outubro e novembro.
Quem tem porta na rua no ABC sentiu o recado das redes grandes. A Casas Bahia pediu recuperação judicial em agosto de 2026, declarou dívida de R$ 17,3 bilhões e fechou 298 lojas. A Marabraz, rede paulista de móveis e eletro, também recorreu à Justiça: 111 lojas no papel, 25 abertas e 86 fechadas por falta de caixa e estoque. O raciocínio que circula no comércio de rua é direto: se aperta o grande, aperta o pequeno. O texto que reúne esses números e a fala do Sebrae do ABC não trata o e-commerce como sentença. Trata como canal que já fatura mais de R$ 235 bilhões e que o lojista ainda ignora.
A Abiacom — Associação Brasileira de Inteligência Artificial e E-commerce, sucessora da antiga ABComm — fechou 2025 com R$ 235,5 bilhões em faturamento digital, 15,3% acima de 2024. Foram 438,9 milhões de pedidos e 94,2 milhões de compradores. O tíquete médio de R$ 536,60 ficou 8,98% maior que o do ano anterior, no recorte usado pelo material local. A entidade projeta cerca de R$ 259 bilhões a R$ 260 bilhões para 2026. A pesquisa citada no levantamento do ABC aponta ainda R$ 379,31 bilhões até 2030.
Por que o balcão ficou mais vazio
O que assusta o comerciante da loja física, no relato local, é o preço e a oferta da internet. O cliente compara no celular, fecha no aplicativo e deixa a vitrine para trás. A IT9 Marketing Digital descreve o outro lado dessa conta: SEO, GEO e tráfego pago trazem o cliente online com mais precisão do que a espera na calçada traz o cliente para a loja. Não é milagre de plataforma. É o hábito novo de quem pesquisa “perto de mim”, lê avaliação e só então decide se entra.
As redes grandes não fecharam só por causa do site do vizinho. A Casas Bahia chegou à recuperação judicial com prejuízo de R$ 10,1 bilhões no segundo trimestre de 2026, juros altos e corte de 298 pontos — cerca de 30% da malha. Houve demissões na casa de 3 mil pessoas. Uma das lojas citadas na cobertura fica em São Caetano do Sul. A Marabraz, fundada em 1965, pediu proteção de 180 dias contra credores e admitiu lojas paradas por estoque e folha. O site da marca saiu do ar em 2025. O medo no ABC nasce desse cenário visível: porta fechada de rede conhecida na mesma região em que o pequeno ainda paga aluguel.
O pessimismo, no texto de origem, é o de quem espera o movimento de vinte anos atrás. Leonardo Suyama Tegg, consultor de negócios do Sebrae do ABC, inverte o diagnóstico. Em vez de lutar contra o e-commerce, o comerciante alinha a loja a ele, como suporte de venda — inclusive para a própria loja física continuar de pé.
O que os números do digital mostram
Em 2024, a então ABComm havia registrado R$ 204,3 bilhões e crescimento de 10,5%. O salto de 2025 para 15,3% e R$ 235,5 bilhões confirmou a curva. Dispositivos móveis responderam por 79% das transações online num recorte da Abiacom divulgado em 2026. O Pix ficou com 42% dos pagamentos digitais; o cartão de crédito recuou de 40% para 34% no mesmo período. São Paulo lidera o volume nacional. O Sudeste concentra mais da metade das vendas. Mulheres são 60% dos compradores digitais. A faixa de 35 a 44 anos responde por 35% das compras. A classe C aparece como a que mais compra na internet.
Esses recortes explicam por que o preço da vitrine sozinha perdeu o monopólio. O cliente do ABC já está nesse mapa: celular, Pix, comparação e, quando quer, retirada na loja. O consultor do Sebrae resume o clima que ouve no atendimento: as pessoas se sentem mais seguras para comprar pela internet, e essa segurança aperta quem só tem a porta.
O que Tegg ouviu no balcão
“Atendi hoje mesmo clientes que me disseram que está difícil manter a loja aberta e que estão buscando vender online.” A frase é de Tegg. A leitura dele sobre o pequeno é de nicho e de atendimento, não de copiar o catálogo da internet. Vestuário plus size, público da geração prata, produto específico da região: o consultor descreve a vantagem de quem conhece o freguês pelo nome. “Hoje não tem mais cliente fiel à loja, o lojista é que tem que ser fiel ao seu cliente. Se ele vender a mesma coisa que já tem na internet ele será mais um, em um mar de ofertas.”
O erro, na mesma entrevista, é vender como há vinte anos e deixar a loja igual à do lado. Cadastro parado, vitrine parada, equipe sem função clara. Tegg fala em reativar carteira, chamar o cliente de volta, modernizar o ambiente. Fala também em custo e estoque: o pequeno tem estrutura mais enxuta do que a rede em recuperação judicial. “Não adiante dizer que sempre fez de um jeito e deu certo, pode dar, mas eu não tiraria a importância de ir para o digital também.”
O que o Sebrae do ABC colocou na mesa
Mudar hábito, diz o consultor, não é fácil mesmo com curso na esquina. “O micro e pequeno empresários são os heróis da economia, mas temos que despertar nele essa necessidade de mudança, senão muitos vão sumir.” A lista que ele descreve é de gente, não de aplicativo: equipe preparada, função delegada, reconhecimento do bom trabalho, risco calculado, conversa com quem está na mesma rua. O Sebrae entra como curso, consultoria e rede.
A casa oferece consultoria gratuita com o Senac. O comerciante escolhe um de três temas — avaliação de loja, cliente oculto ou visual merchandising. Técnicos vão até o endereço e montam um plano para aquela loja. Tegg cita o exemplo da loja de material de construção bem montada, que lembra o passante de alguma coisa para casa, e o caso do cliente que vendia um produto na média até alterar a foto na internet com inteligência artificial e ver a saída subir. “Não vejo o fim da loja física, mas vejo necessidade de mudança. Hoje as lojas são muito iguais.”
Agenda em Santo André
O calendário presencial do Sebrae do ABC, no material local, tem três datas em Santo André:
27, 28 e 29 de outubro, das 18h às 22h30: curso presencial de Marketing Digital, aplicado por consultores. Investimento de R$ 315, com opção de parcelar. Conteúdo: atração de cliente por Facebook, Instagram e WhatsApp.
26 de outubro, às 10h, na sede do Sincomércio ABC: curso Loja do Futuro, gratuito, em parceria com o sindicato.
3 de novembro, às 10h: sequência gratuita de Inteligência Artificial aplicada no varejo.
A linha da IT9 Marketing Digital no tema é curta e operacional. SEO posiciona a loja na busca. GEO trabalha a presença no mapa e na busca local — o “perto de mim” que o consumidor de 2026 usa antes de sair de casa. Tráfego pago coloca o anúncio na frente de quem já procura o produto. Juntos, esses três caminhos descrevem o funil que o e-commerce já usa e que a loja física, no relato dos comerciantes, ainda espera na calçada.
Tegg não fala a sigla GEO. Fala de cadastro, contato, foto melhor na internet, nicho e atendimento que a prateleira virtual não copia. Os dois discursos se encostam no mesmo ponto: o cliente já está online. A loja que não está fica só com quem ainda passa na frente.
O Grande ABC concentra esse choque o ano inteiro. Rua de comércio em Santo André, São Bernardo, São Caetano, Diadema e Mauá convive com o mesmo celular que compara preço na Casas Bahia digital, no marketplace e no anúncio pago. A recuperação judicial das redes grandes não é o único capítulo. É o capítulo mais alto, o que o freguês vê com a porta lacrada. O capítulo do pequeno, no consultor do Sebrae, é outro: estrutura menor, custo mais visível, chance de ir ao digital sem montar 298 lojas.
A frase que fecha o recorte de Tegg não prevê enterro do ponto físico. Prevê loja igual demais e cliente que não entra. A foto melhorada com inteligência artificial, no exemplo que ele conta, não substituiu a prateleira. Mudou a vitrine que o cliente vê antes de decidir se atravessa a rua.
Perguntas Frequentes (FAQ)
1. Quanto o e-commerce brasileiro faturou em 2025? R$ 235,5 bilhões, alta de 15,3% sobre 2024, segundo a Abiacom. O tíquete médio foi de R$ 536,60.
2. Casas Bahia e Marabraz fecharam lojas? Sim. A Casas Bahia fechou 298 lojas e pediu recuperação judicial com dívida de R$ 17,3 bilhões. A Marabraz também pediu recuperação judicial; das 111 lojas, 86 estavam temporariamente fechadas no recorte de setembro de 2026.
3. O Sebrae do ABC diz para abandonar a loja física? Não. Leonardo Suyama Tegg afirma que não vê o fim da loja física. Vê a necessidade de mudança, nicho, atendimento e presença no digital.
4. Quais cursos o Sebrae marcôu em Santo André? Marketing Digital em 27, 28 e 29 de outubro (R$ 315); Loja do Futuro em 26 de outubro, gratuito no Sincomércio ABC; Inteligência Artificial no varejo em 3 de novembro, gratuito.
5. A consultoria do Sebrae com o Senac é paga? Não. É gratuita. O comerciante escolhe avaliação de loja, cliente oculto ou visual merchandising.
6. O que a IT9 Marketing Digital destaca nesse cenário? Que SEO, GEO e tráfego pago trazem o cliente online de forma mais eficaz do que a espera pelo fluxo antigo na porta da loja física.
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OPINIÃO
ABCTudo Paulista
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** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do ABCTudo/IT9.