R$ 2 Bilhões no Lixo? O Erro do Governo Britânico

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  •   Publicado em: 22 de novembro de 2025

Compartilhe: O “Negócio da China” ao Contrário: R$ 2,1 Bilhões em Tecnologia Obsoleta A gestão de recursos públicos é um tema sensível em qualquer lugar do mundo, e quando envolve cifras bilionárias e tecnologia, a atenção redobra. Recentemente, um caso no Reino Unido chamou a atenção global pela aparente falta de planejamento estratégico a longo […]


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O “Negócio da China” ao Contrário: R$ 2,1 Bilhões em Tecnologia Obsoleta

A gestão de recursos públicos é um tema sensível em qualquer lugar do mundo, e quando envolve cifras bilionárias e tecnologia, a atenção redobra. Recentemente, um caso no Reino Unido chamou a atenção global pela aparente falta de planejamento estratégico a longo prazo, envolvendo uma modernização tecnológica caríssima que já nasceu velha.

O Departamento de Meio Ambiente, Alimentação e Assuntos Rurais do Reino Unido (Defra) investiu uma quantia astronômica para sair de um sistema operacional obsoleto, apenas para migrar para outro que acaba de entrar na mesma situação. A decisão gerou perplexidade e levantou questões sérias sobre o uso do dinheiro do contribuinte e a cibersegurança de dados governamentais.

A Troca de Seis por Meia Dúzia?

O cerne da questão está na conclusão de uma modernização tecnológica avaliada em 312 milhões de libras, o que equivale a aproximadamente R$ 2,1 bilhões. O Defra tinha um objetivo claro e necessário: aposentar dezenas de milhares de computadores antigos que ainda rodavam o Windows 7, um sistema cujo suporte principal da Microsoft já havia expirado há anos, representando um risco significativo de segurança.

O problema, que beira o inacreditável, é para onde eles migraram. Os equipamentos antigos foram substituídos por máquinas rodando Windows 10. A ironia é que a Microsoft encerrou o suporte oficial (mainstream) para o Windows 10 há cerca de um mês. Em termos práticos, o departamento gastou bilhões para sair da obsolescência e cair diretamente nela novamente.

Investir uma quantia tão alta em um sistema operacional que já atingiu o fim do seu ciclo de vida primário não parece, sob nenhuma ótica, um bom negócio para o contribuinte britânico.

O Plano de “Modernização” e a Realidade

O plano de atualização do Defra foi desenvolvido durante o período orçamentário de 2022 a 2025. A teoria era resolver anos de atraso tecnológico acumulado. Um relatório enviado ao Parlamento britânico detalhou as ações:

  • Substituição de 31.500 laptops que ainda utilizavam Windows 7.

  • Migração de 137 aplicativos legados para infraestruturas mais modernas.

  • Fechamento de um centro de dados e o plano para desmantelar outros três.

  • Reforço temporário na cibersegurança de servidores obsoletos até sua substituição final.

No entanto, a execução desse plano, ao optar pelo Windows 10 no momento exato de sua “aposentadoria oficial”, gerou críticas severas. É o que especialistas chamam de “comprar obsolescência”.

A Bomba Relógio da Segurança e a Solução Temporária

Mas afinal, como isso afeta a segurança dos dados? Quando um sistema operacional perde o suporte oficial, ele deixa de receber atualizações automáticas de segurança contra novas ameaças, tornando-se um alvo fácil para ciberataques.

Para mitigar esse desastre imediato, a Microsoft ofereceu uma “tábua de salvação”. A empresa prometeu um último ano gratuito de atualizações de segurança através do programa Extended Security Updates (ESU). Isso permitirá que as instituições públicas do Reino Unido continuem usando o Windows 10 com um mínimo de proteção até outubro de 2026.

O problema real surge após essa data. A partir de outubro de 2026, qualquer dispositivo governamental que não tenha migrado para o Windows 11 (ou um sistema alternativo seguro) ficará completamente sem proteção oficial, expondo dados sensíveis a riscos imensuráveis.

O Buraco é Mais Embaixo: Milhares de Dispositivos de Fora

O cenário se torna ainda mais preocupante quando olhamos para o que o investimento bilionário não cobriu. Apesar do gasto gigantesco de R$ 2,1 bilhões, o próprio relatório do Defra admite que o trabalho está longe de terminar.

Ainda restam para serem substituídos:

  • 24.000 dispositivos.

  • 26.000 smartphones.

  • Uma boa parte da infraestrutura de rede.

O agravante é que muitos desses equipamentos restantes são tão antigos que sequer conseguem executar o Windows 10 de forma eficiente, quanto mais seriam compatíveis com os requisitos de hardware mais exigentes do Windows 11.

Segundo análises, como a do site The Register, essa situação sugere que a atualização bilionária foi apenas uma “medida temporária” cara, focada em estabilizar um sistema em colapso, em vez de preparar uma base tecnológica duradoura. A preocupação agora é com o custo do próximo salto tecnológico necessário para corrigir essa rota.

Promessas Futuras vs. Histórico Passado

Olhando para o futuro, o Defra planeja que a próxima fase de seu programa se concentre em tecnologias mais avançadas. As promessas incluem a migração de aplicativos para a nuvem, a automatização de processos e a redução da burocracia através do uso de inteligência artificial. O objetivo declarado é gerar economia e melhorar a experiência do cidadão.

No entanto, o contribuinte britânico tem motivos para ser cético. O histórico de atrasos e custos excedentes em projetos tecnológicos do governo do Reino Unido faz com que muitos vejam essas novas promessas com extrema cautela.

Um Contraponto de Sucesso: O Exemplo de Santo André

Enquanto o governo britânico luta com suas escolhas tecnológicas, é importante notar que modernizações bem planejadas são possíveis e trazem retornos reais à população. Guardadas as devidas proporções entre um governo nacional e um municipal, podemos olhar para exemplos locais de sucesso na gestão de tecnologia pública.

Aqui no Brasil, a cidade de Santo André, no Grande ABC, tem se destacado na modernização de seus serviços. O projeto “Santo André 500 Anos”, por exemplo, foca em transformar a cidade em uma “smart city”, integrando tecnologia para melhorar a gestão urbana e os serviços ao cidadão. A cidade investiu na modernização do parque tecnológico da Prefeitura, incluindo a locação de computadores e notebooks mais atuais para diversas secretarias, garantindo que os servidores públicos tenham ferramentas adequadas e seguras para trabalhar [1].

Esse tipo de abordagem, que busca manter o parque tecnológico atualizado de forma planejada, contrasta com a medida desesperada e tardia observada no caso britânico, demonstrando que a gestão de TI no setor público pode ser eficiente quando há visão estratégica.

Perguntas Frequentes (FAQ)

1. Por que usar um sistema operacional sem suporte é perigoso? Sistemas sem suporte não recebem mais correções de segurança da fabricante (como a Microsoft). Isso significa que, se uma nova falha de segurança for descoberta por hackers, o sistema ficará vulnerável para sempre, facilitando roubo de dados e ataques de ransomware.

2. O que é o programa ESU da Microsoft? O Extended Security Updates (ESU) é um programa pago (às vezes oferecido gratuitamente por um período curto para grandes clientes governamentais) que fornece atualizações de segurança críticas para sistemas que já passaram do fim do suporte oficial. É uma medida paliativa, não uma solução definitiva.

3. O governo britânico perdeu os R$ 2,1 bilhões? Não totalmente, pois os novos computadores físicos (hardware) foram comprados. No entanto, o investimento no software (Windows 10) foi mal planejado, pois exigirá um novo gasto em breve para migrar para um sistema seguro (como o Windows 11) antes de 2026.

4. O Windows 10 parou de funcionar para todos? Não. O Windows 10 continua funcionando. O que acabou foi o “suporte principal” com melhorias. As atualizações de segurança pagas ou estendidas ainda existem por um tempo limitado, mas o sistema já é considerado em fase de aposentadoria pela Microsoft, que foca no Windows 11.


OPINIÃO

ABCTudo Paulista

Texto em que o autor apresenta e defende suas ideias e opiniões, a partir da interação de fatos e dados.
** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do ABCTudo/IT9.

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