São Bernardo do Campo acaba de registrar um índice alarmante: a cidade possui o segundo trânsito mais letal do Estado de São Paulo entre municípios com mais de 300 mil habitantes. Dados do Infosiga, gerenciados pelo Detran-SP, revelam que o município atingiu a taxa de 16,02 óbitos por 100 mil habitantes, ficando atrás apenas de São Vicente. Com 130 mortes registradas entre abril de 2025 e abril de 2026, a cidade supera proporcionalmente a Capital paulista. O cenário crítico estende-se ao Grande ABC, com Santo André e Diadema no top 20 de mortalidade, evidenciando uma crise de saúde na região que exige mudanças urgentes na fiscalização e engenharia viária.
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Retrato da Letais: O Ranking da Vergonha no ABC
Como alguém que nasceu e cresceu em Santo André e transita diariamente pelas vias de São Bernardo, é impossível não notar que nossas ruas tornaram-se campos de batalha. O levantamento estatístico do Infosiga expõe uma realidade nua e crua: São Bernardo do Campo registrou 130 óbitos em um ano, consolidando-se como a segunda cidade mais perigosa para dirigir ou caminhar no Estado. A taxa de 16,02 mortes por 100 mil habitantes é quase o dobro da registrada na capital paulista (9,17), que ocupa apenas a 21ª posição no ranking proporcional.
A crise não é isolada. O Grande ABC aparece com força no “top 20” da letalidade estadual. Diadema ocupa a 16ª posição com 39 óbitos (taxa de 9,98), enquanto Santo André figura em 19º lugar com 71 mortes (taxa de 9,39). Mauá, embora em situação ligeiramente melhor, fecha o ranking na 25ª posição. Esses números mostram que o problema é estrutural e regional, afetando diretamente a segurança e a saúde na região.
O Gargalo da Avenida Lions e o Km 16
Um dos pontos mais críticos em São Bernardo do Campo é a Avenida Lions. Principal conexão com o Km 16 da Rodovia Anchieta, a via registrou um aumento de 25,7% no número de acidentes, saltando de 35 para 44 ocorrências no último ano, incluindo uma vítima fatal. A atual gestão municipal aponta que obras realizadas em administrações passadas, especificamente no Km 16, agravaram o fluxo e potencializaram os riscos, tornando o trecho um dos mais temidos pelos moradores do ABC.
Fatores de Risco e a Frota de Motocicletas
O crescimento expressivo da frota de motocicletas, impulsionado pelos serviços de entrega por aplicativo, alterou o perfil da mortalidade. Sob pressão de tempo e expostos a riscos constantes, os motociclistas representam a maior parcela das vítimas fatais. Segundo Bissoli, a combinação é explosiva:
Excesso de Velocidade: O principal fator de mortes em períodos noturnos e finais de semana.
Uso do Celular: A distração que causa colisões fatais em frações de segundo.
Álcool ao Volante: Comportamento de risco que ainda prevalece apesar das leis rigorosas.
Falhas de Engenharia: Vias mal iluminadas ou com sinalização deficiente que confundem o condutor.
Mas afinal, como isso me afeta e altera minha vida?
Muitos acreditam que os números do Infosiga são apenas estatísticas frias, mas eles alteram sua vida no momento em que você sai de casa. Em São Bernardo do Campo, a alta letalidade significa que o custo do seguro automotivo tende a subir e que a pressão sobre o sistema público de saúde na região aumenta drasticamente, uma vez que acidentes de trânsito geram traumas complexos e internações prolongadas.
Para o cidadão, o impacto é no medo. Atravessar a Avenida Lions ou trafegar pela Avenida dos Estados exige uma atenção que beira o estresse crônico. Para os moradores do ABC, o trânsito mortal afeta o uso do transporte público e a mobilidade ativa (bicicletas e caminhadas), desestimulando hábitos saudáveis em prol de uma proteção blindada dentro dos carros, o que acaba gerando mais tráfego e, consequentemente, mais riscos.
Tenho uma boa oportunidade com isso?
Embora o tema seja trágico, existe uma boa oportunidade de mobilização social. O período do Maio Amarelo deve ser o catalisador para que a população exija das prefeituras de Santo André, São Bernardo e Diadema uma engenharia viária baseada em dados e não em estética. A oportunidade reside em transformar a indignação em cobrança por radares inteligentes, melhor iluminação e campanhas educativas permanentes, e não apenas sazonais.
Ações Necessárias: Do Maio Amarelo à Política Permanente
Ações imediatas recomendadas incluem:
Readequação da Velocidade: Ajustar os limites em vias onde a convivência entre carros e pedestres é intensa.
Fiscalização Eletrônica: Ampliar o uso de radares para coibir o excesso de velocidade noturno.
Iluminação LED: Melhorar a visibilidade em pontos críticos de travessia de pedestres.
Educação Contínua: Programas pedagógicos que formem condutores conscientes desde a infância.
Tabela: Ranking da Mortalidade no Trânsito (Abril 2025 – Abril 2026)
Cidade
Posição no Estado
Óbitos Totais
Taxa (por 100 mil hab.)
São Vicente
1º
56
17,13
São Bernardo do Campo
2º
130
16,02
Diadema
16º
39
9,98
Santo André
19º
71
9,39
Capital SP
21º
1.045
9,17
Mauá
25º
33
7,94
Perguntas Frequentes (FAQ)
1. Qual a cidade com trânsito mais mortal de São Paulo?
Atualmente, São Vicente lidera o ranking com uma taxa de 17,13 óbitos por 100 mil habitantes. São Bernardo do Campo ocupa a segunda posição com 16,02.
2. Por que a Capital tem mais mortes no total, mas está abaixo no ranking?
O ranking do Infosiga considera a proporcionalidade (taxa por 100 mil habitantes). Como a Capital tem uma população imensa, as 1.045 mortes resultam em uma taxa menor (9,17) do que a de São Bernardo.
3. Quais as vias mais perigosas de São Bernardo?
A Avenida Lions e os acessos à Rodovia Anchieta (especialmente o Km 16) são destacados como pontos de alta incidência de acidentes e aumento de fluxo perigoso.
4. Quem são as maiores vítimas do trânsito no ABC?
Homens jovens, entre 20 e 34 anos, com predominância absoluta de motociclistas, especialmente em acidentes ocorridos à noite e nos finais de semana.
5. O que está sendo feito para reduzir essas mortes?
As prefeituras realizam ações no Maio Amarelo, mas especialistas defendem que é necessária uma política pública permanente de fiscalização, melhoria da engenharia viária e educação contínua.
6. Como o celular afeta esses índices?
O uso do celular ao volante é apontado por especialistas como uma das principais causas de desatenção, que aliada ao excesso de velocidade, explica o cenário de “guerra” nas ruas.
Referências:
Infosiga SP / Detran-SP (Dados consolidados de abril de 2025 a abril de 2026).
Secretaria de Segurança Pública de São Paulo – Relatórios de Sinistros de Trânsito.
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OPINIÃO
ABCTudo Paulista
Texto em que o autor apresenta e defende suas ideias e opiniões, a partir da interação de fatos e dados.
** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do ABCTudo/IT9.