El Niño Histórico Liga o Alarme: Três Furacões Avançam Juntos no Pacífico e Cientistas Chamam de Fenômeno Raro

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Por Danillo Leite
  •   Publicado em: 03 de setembro de 2026

Um El Niño de intensidade histórica aqueceu as águas do Oceano Pacífico e criou condições para uma sequência rara de tempestades tropicais. Na quarta-feira, 2 de setembro de 2026, dois furacões poderosos e uma tempestade tropical em fortalecimento cruzavam o oceano ao mesmo tempo. O furacão Lowell chegou à categoria 5, o furacão Karina permanecia na categoria 4 e a tempestade tropical Marie devia se transformar em furacão no mesmo dia. Cientistas classificam a formação simultânea de três sistemas como algo raro de observar. A NOAA estima 69% de chance de este El Niño se tornar o mais forte já registrado. O fenômeno já provoca efeitos extremos em várias partes do mundo, embora o pico esteja previsto apenas para o fim do ano.

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O que está acontecendo no Pacífico neste momento

Dois furacões e uma tempestade tropical cada vez mais forte cruzavam nesta quarta-feira o Oceano Pacífico, cujas águas estão mais quentes devido à intensidade histórica do fenômeno climático El Niño. O furacão Lowell atingiu a categoria 5, a mais alta da escala, enquanto se deslocava para o oeste. Em seguida vinha o furacão Karina, de categoria 4. Ambos devem passar longe da costa do Havaí, segundo o Centro Nacional de Furacões dos Estados Unidos (NHC).

As ondas geradas pelo furacão Lowell se propagam para o norte e devem afetar algumas partes das ilhas havaianas nos próximos dias, o que pode provocar condições perigosas perto da costa. Há incerteza nas trajetórias. Existe a possibilidade de Lowell passar próximo das ilhas mais ocidentais do arquipélago. O Havaí ainda se recupera dos impactos do furacão Lala, que passou pelo sul da Grande Ilha no mês anterior, com ventos destrutivos e enchentes rápidas.

Lowell e Karina são seguidos pela tempestade tropical Marie, localizada a centenas de quilômetros da costa mexicana. O NHC indicou que ela deveria se converter em furacão ainda naquele dia. Os três sistemas avançavam sobre águas aquecidas pelo El Niño, o que explica a energia disponível para sua manutenção e intensificação.

Os três sistemas ativos

O furacão Lowell era o mais a oeste. Em determinado momento chegou à categoria 5 e depois oscilou, mas permaneceu um furacão maior por vários dias. Sua posição era de centenas de quilômetros ao sul-sudoeste do Havaí. O furacão Karina seguia mais a leste, também classificado como furacão maior. A tempestade tropical Marie, depois convertida em furacão, girava a sudoeste da ponta sul da Baja California. Nenhum dos três ameaçava terra firme de forma imediata no momento dos primeiros boletins, mas as ondulações e a umidade associada já tinham potencial para afetar áreas costeiras e, no caso de Lowell, o Havaí nos dias seguintes.

A presença simultânea desses três ciclones chama atenção justamente porque o Pacífico oriental e central raramente apresenta uma “fila” tão organizada de sistemas intensos ao mesmo tempo.

Por que essa sucessão é considerada rara

“O aquecimento causado pelo El Niño cria as condições para essas tempestades, que são alimentadas em grande parte por águas quentes”, explicou à AFP Julia Cole, climatologista da Universidade de Michigan. Quando o Pacífico tropical está mais quente do que o normal, observa-se um aumento de tempestades fortes. Uma sequência de três tempestades “é, definitivamente, algo raro de observar”, ressaltou.

Um precedente próximo ocorreu em 2015, outro ano de El Niño intenso. Naquela ocasião, o tufão Kilo, o furacão Ignacio, o furacão Jimena e a depressão tropical 14E cruzaram o Pacífico ao mesmo tempo. Foi a primeira vez registrada em que três furacões de categoria 4 existiram simultaneamente nas bacias do Pacífico oriental e central.

Como o El Niño prepara o terreno para ciclones atípicos

O El Niño é a fase de aquecimento de um ciclo natural chamado Oscilação Sul-El Niño (ENOS). Ele ocorre a cada dois a sete anos. Os ventos alísios, que sopram de leste para oeste e normalmente empilham águas quentes no Pacífico Ocidental, enfraquecem. Com isso, as águas quentes deslizam de volta para o leste e sobem à superfície. Quando essas temperaturas acima da média se mantêm por vários meses, formam-se mais tempestades e nuvens na região. O efeito se propaga pela atmosfera global: algumas áreas ficam mais quentes e secas, outras mais frias e úmidas.

No Pacífico, o resultado prático é água mais quente na superfície — o combustível principal dos ciclones tropicais — e menor cisalhamento vertical do vento. O cisalhamento é a diferença de velocidade e direção do vento entre altitudes. Quando ele é baixo, a tempestade consegue manter sua estrutura organizada e continuar se intensificando. Benjamin Kirtman, cientista atmosférico da Universidade de Miami, resumiu a situação: o sistema climático aqueceu de forma significativa nos últimos 20 anos e a anomalia de temperatura da superfície do mar já está em níveis quase recordes, bem no meio da temporada de furacões do Pacífico. “Não há outra forma de dizer: está suculento lá fora agora”, afirmou.

A NOAA calcula que o El Niño deste ano tem 69% de chance de se tornar o mais intenso já registrado. O fenômeno já provoca tempo extremo em várias partes do planeta, embora o pico esteja previsto apenas para o período entre outubro e dezembro, ou em torno de novembro.

Águas quentes, pouco vento cortante e temporada ativa

As condições de 2026 se somam a um oceano que já vinha mais quente por causa da tendência de longo prazo. O El Niño reduz o cisalhamento no Pacífico e, ao mesmo tempo, eleva a temperatura da água. Ciclones tropicais extraem energia da superfície oceânica. Quanto mais quente a água, mais energia disponível. Por isso a temporada no Pacífico oriental e central tende a ser mais ativa em anos de El Niño forte, ao contrário do que costuma ocorrer no Atlântico, onde o mesmo fenômeno geralmente aumenta o cisalhamento e inibe a formação de furacões.

O furacão Lowell, o furacão Karina e o sistema Marie se formaram e se intensificaram nesse ambiente. A raridade não está apenas na existência de três tempestades, mas na combinação de intensidade e alinhamento geográfico em um curto intervalo.

O precedente de 2015 e o que ele ensina

Em 2015, outro El Niño vigoroso coincidiu com temperaturas da superfície do mar bem acima da média no Pacífico. Três furacões de categoria 4 — Kilo, Ignacio e Jimena — existiram ao mesmo tempo. Foi um recorde para a bacia. A temporada daquele ano ficou entre as mais ativas já observadas no Pacífico oriental. O episódio de 2026 não replica exatamente o de 2015, mas segue a mesma lógica: oceano aquecido, atmosfera favorável e sistemas se desenvolvendo em série.

A comparação serve para lembrar que esses “trens” de ciclones não são impossíveis. Eles aparecem quando o oceano e a atmosfera se alinham de forma extrema.

Efeitos já sentidos e o que o fenômeno representa

O El Niño atual não se limita ao Pacífico. No Peru, maior produtor mundial de anchovas, o aquecimento das águas já prejudica a pesca. No Sudão, o fenômeno é associado ao atraso de chuvas importantes e à queda no nível do Nilo. Em outras regiões, o padrão clássico de El Niño traz secas, chuvas intensas ou calor fora de época. A mudança climática amplia esses impactos: a atmosfera mais quente retém mais umidade, o que pode tornar as chuvas associadas ao El Niño ainda mais extremas, e o ressecamento do solo agrava as secas.

No Havaí, além da recuperação do furacão Lala, a preocupação imediata era com as ondulações do furacão Lowell e com a possibilidade de a trajetória se aproximar das ilhas mais a oeste. Autoridades pediram que a população acompanhasse os boletins e tivesse planos de emergência prontos.

A temporada de furacões do Pacífico de 2026 já vinha marcada por previsões de atividade acima da média, em parte justamente por causa do El Niño forte esperado. A simultaneidade de Lowell, Karina e Marie tornou visível, em um único dia, o que os modelos e as medições de temperatura já indicavam: o Pacífico está excepcionalmente quente e receptivo à formação de ciclones intensos.

Lista dos principais fatores que favorecem os ciclones neste El Niño

  • Temperatura da superfície do mar acima do normal no Pacífico tropical
  • Redução do cisalhamento vertical do vento
  • Disponibilidade de umidade e energia para tempestades se organizarem
  • Persistência do padrão por vários meses
  • Amplificação dos efeitos por um clima global já mais quente

Esses elementos não “criam” furacões do nada. Eles aumentam a probabilidade de que distúrbios tropicais se desenvolvam, se intensifiquem e, em alguns casos, existam ao mesmo tempo.

SistemaIntensidade relatada (início de setembro de 2026)Posição aproximadaObservação principal
Furacão LowellCategoria 5 em determinado momento; depois categoria 4Mais a oeste, ao sul do HavaíOndulações rumo às ilhas; trajetória com incerteza
Furacão KarinaCategoria 4A leste de Lowell, longe do HavaíFuracão maior, sem ameaça imediata a terra
MarieTempestade tropical em conversão para furacãoCentenas de km da costa mexicana / Baja CaliforniaSistema mais a leste da sequência

A tabela resume o quadro descrito pelos boletins do NHC e pelas reportagens da época. Intensidades de ciclones mudam em questão de horas, por isso os números variam conforme o horário do aviso.

O El Niño deste ano ainda não atingiu o auge. Mesmo assim, já produz um cenário oceânico e atmosférico que os cientistas descrevem como favorável a tempestades fortes. A sucessão de três sistemas no Oceano Pacífico é a expressão mais visível, neste momento, dessa combinação de oceano quente e circulação alterada.

Perguntas Frequentes (FAQ)

1. O que é o El Niño e por que ele está ligado a esses furacões? O El Niño é a fase quente do ciclo ENOS no Pacífico equatorial. Ele aquece a superfície do oceano e reduz o cisalhamento do vento na região, criando ambiente favorável para ciclones tropicais se formarem e se intensificarem.

2. Quantos sistemas estavam ativos ao mesmo tempo? Três: o furacão Lowell, o furacão Karina e a tempestade tropical Marie, que deveria se tornar furacão no mesmo dia.

3. Esses furacões ameaçam o Havaí? Os boletins iniciais indicavam passagem distante da costa. Havia, porém, incerteza na trajetória de Lowell e previsão de ondulações perigosas em partes das ilhas.

4. Por que cientistas dizem que a sequência é rara? Porque é incomum observar três ciclones tropicais intensos alinhados e ativos simultaneamente no Pacífico. O precedente mais citado é o de 2015, também em ano de El Niño forte.

5. Este El Niño pode ser o mais forte já registrado? A NOAA atribuiu 69% de probabilidade de que o evento de 2026 se torne o mais intenso da série histórica, com pico previsto para o fim do ano.

6. O El Niño já causa efeitos fora do Pacífico? Sim. Reportagens citaram impactos na pesca de anchovas no Peru e atraso de chuvas com queda no nível do Nilo no Sudão, além de padrões de seca e chuva extrema em outras regiões.

7. A mudança climática entra nessa história? Os cientistas citados afirmam que o sistema climático aqueceu nas últimas duas décadas e que um oceano e uma atmosfera mais quentes amplificam os impactos do El Niño, inclusive a intensidade das chuvas e a gravidade das secas.

Palavras-chave: El Niño, Oceano Pacífico, furacão Lowell, furacão Karina, tempestade tropical Marie, NOAA, Centro Nacional de Furacões, fenômeno climático, aquecimento oceânico, ciclones tropicais

Referências


OPINIÃO

ABCTudo Paulista

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** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do ABCTudo/IT9.

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