Estimulação Magnética: Como pode ajudar contra Parkinson
Tempo estimado para leitura 11 minutos
Por
Guilherme Toffanelli
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Publicado em: 27 de julho de 2025
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Atualizado em: 04 de agosto de 2025
A Estimulação Magnética Transcraniana (EMT) tem se destacado como uma alternativa inovadora e não invasiva no tratamento da Doença de Parkinson. Especialmente indicada para pacientes que não respondem bem a medicamentos ou não têm indicação para cirurgia, a EMT atua diretamente sobre áreas específicas do cérebro, como o córtex motor e a região pré-frontal, promovendo melhorias significativas em mobilidade, equilíbrio, postura e até no humor. Este texto explora o funcionamento da técnica, seu protocolo de aplicação, evidências científicas recentes e os benefícios reais que ela pode oferecer à vida dos pacientes parkinsonianos.
Estimulação Magnética: Como pode ajudar contra Parkinson
A Doença de Parkinson é uma enfermidade neurológica progressiva que compromete a qualidade de vida dos pacientes ao afetar principalmente o controle dos movimentos. Com o avanço da medicina, surgem novas abordagens terapêuticas que complementam o tratamento tradicional medicamentoso.
Uma dessas inovações é a Estimulação Magnética Transcraniana (EMT), técnica que vem ganhando destaque como opção segura e promissora para o manejo dos sintomas motores e cognitivos da doença, especialmente em estágios mais avançados ou em pacientes que não se beneficiam totalmente dos medicamentos ou da cirurgia.
O Papel da Estimulação Magnética Transcraniana contra o Parkinson
A Doença de Parkinson é uma condição complexa, de evolução longa e que no início se resolve até mesmo com poucos medicamentos mas com o passar do tempo, as dificuldades motoras se escalonam. Podem ocorrer também complicações com os próprios medicamentos, que necessitam de doses cada vez mais elevadas ou têm efeitos colaterais indesejados.
Há diversas estratégias para o tratamento não medicamentoso para o Parkinson, como a Fisioterapia, a atividade física, acupuntura e até mesmo a cirurgia de estimulação cerebral profunda, que é a cirurgia do Parkinson de DBS. Ela não é recomendada para todos os pacientes, seja pela idade ou por não terem os critérios completos para tal.
Para uma fração dos pacientes que ganham a correta indicação, ela está muito bem indicada. A questão é; como é para uma fração de pacientes, muitos deles continuam tendo a necessidade de estratégias terapêuticas que ajudem nos sintomas de lentidão, rigidez, tremores e outros mais nos quais os medicamentos já estão no limite ou perto do limite.
Para esses pacientes, foram desenvolvidas as técnicas de estimulação magnética transcraniana ou EMT para o tratamento do Parkinson. E quanto mais opções terapêuticas para o paciente parkinsoniano, melhor para eles, pois terão benefícios acumulados.
O que é a E.M.T (Estimulação Magnética Transcraniana)?
A estimulação magnética transcraniana é uma técnica pela qual se influencia a atividade dos neurônios no cérebro, excitando ou inibindo-os. O cérebro funciona como um processador biológico, os neurônios funcionam com a atividade elétrica, gerando o processamento de dados pelo cérebro que controla todo o corpo e todas as demais vivências psíquicas e mentais que nós temos, ou seja, tudo é gerado por meio de atividade elétrica no cérebro durante a vida toda.
Esse processador biológico tem compartimentos localizados para cada função do cérebro. Tem as áreas da visão, motricidade, sensibilidade, audição, do raciocínio lógico, das emoções e assim por diante. Temos diversos compartimentos do cérebro relacionados a cada vivência que temos e nós podemos influenciar ou modular a atividade dos neurônios de diferentes maneiras, como, química, em que pegamos medicamentos que atuam no cérebro e aumentam, por exemplo, a atividade dopaminérgica dos neurônios.
Pode-se atuar modulando com a atividade física, que ativa e usa mais os neurônios motores, ou até mesmo a repetição motora de movimentos ou manobras que condicionam os neurônios a executarem tais manobras com maior facilidade, como sair de um freezing ou levantar ou sentar em uma cadeira. Com o treinamento e a repetição disso, você modula a atividade dos neurônios a respeito disso.
De outra maneira, também é possível interferir na atividade dos neurônios, que é com os campos magnéticos, que geram potenciais elétricos em áreas muito específicas do cérebro. E essa atividade elétrica criada pelos campos magnéticos pode ser uma forma excitatória ou inibitória para os neurônios.
Se a intenção é inibir uma área relacionada à ansiedade, por exemplo, coloca-se as bobinas do aparelho sobre a área localizada, correspondente, campos magnéticos são produzidos em forma de pulsos, em uma frequência que vai inibir a atividade dos neurônios naquela região, tratando assim a ansiedade, por exemplo, de uma forma que inibimos a atividade neuronal.
Caso a pessoa tenha uma queda da atividade neural relacionada ao foco, à atenção, ao bem-estar, ao prazer, ao interesse na vida, a bobina pode ser colocada em uma região correspondente a essas características e aplicar ondas magnéticas em uma frequência que estimule os neurônios e, dessa forma, ajudar no tratamento da depressão.
Como é Realizada?
Apesar da estimulação magnética transcraniana para o Parkinson ainda não ter recebido aprovação pelo FDA, que é o órgão regulador americano para liberação de uso terapêutico, as evidências de que funciona existem e são múltiplas, só não foi liberada porque ainda não chegou a um consenso sobre qual é a melhor forma de aplicar a estimulação magnética transcraniana.
Isso quer dizer que ainda não está totalmente claro qual o local ou os locais em que deve ser aplicada a estimulação magnética transcraniana para se obter o melhor resultado de todos.
É liberada para o uso clínico, a estimulação magnética transcraniana para o Parkinson, porque já existem evidências da sua eficácia e a técnica é extremamente bem tolerada e praticamente não tem efeitos colaterais, mas sem a aprovação do FDA, os convênios não são obrigados a pagar o procedimento nem o SUS.
Significa que a técnica pode ser utilizada, mas ainda não é obrigatória a cobertura dos custos pelos convênios, o que só ocorre após a aprovação do FDA e dos demais órgãos regulatórios sobre o uso da técnica.
Mas essa situação, de ainda não ser aprovada, pode estar para terminar, visto que em 2023 saiu um estudo de metanálise comparando 36 outros estudos sobre quais seriam as melhores formas de aplicar a estimulação magnética transcraniana para o Parkinson.
A comparação foi sobre técnicas que já tinham mostrado resultados sobre área motora bilateralmente, ou seja, aplicar na área motora dos dois lados, sobre a área pré-frontal bilateralmente ou sobre a área motora de um lado e pré-frontal do mesmo lado, normalmente do lado esquerdo. E, segundo o estudo, a técnica que mostrou melhor resultado foi a estimulação motora esquerda mais a estimulação pré-frontal esquerda.
Uma sessão típica de estimulação magnética transcraniana para Parkinson começa com a localização dos pontos cranianos, em que pega-se fitas, faz medições, cálculos para localizar exatamente quais são os pontos no crânio daquele paciente, da área motora dele e da área pré-frontal correspondente.
Então, são marcados na toquinha esses pontos que colocam sobre o crânio, justamente para saber em futuras sessões onde são a região M1 da área motora e região de C3, que é da área dorso frontal lateral esquerda.
Quando essas marcações são feitas, o paciente é posicionado confortavelmente em uma poltrona e são realizados testes para descobrir o limiar motor dele.
O que é isso? Por exemplo, o paciente deixa a mão direita repousada e aplicamos um estímulo na área esquerda correspondente à mão, a área motora esquerda da mão; fazemos esse estímulo e a mão mexe. Se o estímulo é muito fraco, a mão não mexe nada. Se o ponto é acertado, dá uma mexidinha, se o estímulo é muito forte, a mão dá uma ‘mexidona’.
Então, o objetivo é achar o justo ponto em que é a menor energia necessária para fazer a mão mexer.
Parece loucura, mas controlando o movimento da mão do paciente de forma involuntária, por meio do aparelho, o estímulo magnético é aplicado e as células motoras da mão são ativadas, que controlam a motricidade da mão, e ela mexe sem a pessoa querer. Então, quando esse estímulo é feito, é basicamente para saber o nível de energia que deve ser aplicado àquele paciente.
Então, inicia-se uma estimulação magnética, repetitiva, excitatória sobre o córtex motor do paciente. Após a essa estimulação ou até mesmo durante os intervalos entre uma estimulação, também são realizados exercícios de Fisioterapia, os quais o paciente treina agilidade, equilíbrio, movimentos complexos, tanto com as pernas quanto com as mãos, os braços, a postura e tudo que é necessário para ser realizado em uma sessão de Fisioterapia Neurológica especializada em Parkinson.
E após essa sequência de estimulação do córtex motor e exercícios especializados de Fisioterapia, são realizados estímulos na área pré-frontal dorso lateral esquerda. A estimulação da área motora facilita a atividade dos músculos, o recrutamento de neurônios que controlam os músculos e a parte motora como um todo.
A ativação do córtex pré-frontal ajuda no planejamento dos movimentos, que é tão importante quanto os neurônios que comandam os movimentos. É tão importante estimular a área pré-frontal que faz o planejamento dos movimentos para que venham bem planejados, para que a área motora execute-os da maneira adequada.
A estimulação da área pré-frontal igualmente ajuda no planejamento, junto com a área motora tem o melhor controle dos movimentos e a estimulação pré-frontal também ajuda no estado de humor e na parte emocional dos pacientes parkinsonianos.
E Quais São Resultados Esperados?
Os resultados que se esperam com a terapêutica de estimulação magnética transcraniana são os mesmos esperados de uma Fisioterapia Neurológica especializada para o Parkinson, só que com um patamar de melhora muito maior.
Ela potencializa o nível de melhora da marcha, do equilíbrio, da virada sobre o próprio eixo, da realização de dupla tarefa, do agachar e levantar, do equilíbrio em uma perna única, dos tremores, do uso assertivo das mãos, da postura que fica menos curvada, o paciente fica mais ereto, tudo isso tem uma expectativa de melhora em um patamar que não se conseguiria atingir somente com a Fisioterapia tradicional.
O mais interessante é que essa melhora tem uma duração muito significativa, podendo ir a meses do efeito, mas infelizmente os sintomas também podem voltar pelo simples fato de que Parkinson é uma doença progressiva.
A EMT melhora muito os sintomas, mas não impede que a doença pare de progredir, então, ela pode progredir e voltar a precisar de novas sessões, porém, a técnica também pode ser repetida outras vezes e ter novos ganhos. A pessoa vem, fica bem, pode cair um pouquinho de novo, porque a doença evolui, depois faz a EMT novamente, ganha uma duração boa de novo e assim vai indo, a pessoa vai seguindo a vida bem dessa maneira.
Todos esses resultados já têm evidência científica, que é a melhora, que vem acima do que se é realizado com a estimulação magnética placebo, na qual não está estimulando verdadeiramente o cérebro, apenas cria-se a sensação da estimulação. Então, isso significa que o efeito da técnica é verdadeiro, não é um efeito placebo.
Ou seja, a técnica da estimulação magnética transcraniana para o Parkinson é uma opção terapêutica extremamente válida para diversas situações na jornada do paciente parkinsoniano, em especial para os que estão com complicações motoras ou medicamentosas da doença, e não têm indicação de cirurgia de estimulador cerebral profundo para a Doença de Parkinson ou até mesmo para aqueles que têm a indicação da cirurgia e não desejam realizá-la. É uma técnica segura, com comprovação científica, pouco efeito colateral e tem pouquíssimas contraindicações.
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ATENÇÃO
Conteúdo informativo, não substitui médico
Este conteúdo possui caráter informativo e não substitui o diagnóstico feito em consulta médica.
Em caso de dúvidas ou aparecimento de sintomas mencionados neste artigo procure um profissional de saúde qualificado para obter um diagnóstico preciso.
Lembre-se a automedicação pode ocasionar graves complicações.
OPINIÃO
ABCTudo Paulista
Texto em que o autor apresenta e defende suas ideias e opiniões, a partir da interação de fatos e dados.
** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do ABCTudo/IT9.