Audiências realizadas na Justiça Federal da Flórida trouxeram novos desdobramentos sobre o caso de Filipe Martins, ex-assessor especial para Assuntos Internacionais da Presidência no governo Jair Bolsonaro. Condenado pelo Supremo Tribunal Federal (STF) no âmbito da investigação sobre tentativa de golpe de Estado, Martins teve sua prisão preventiva fundamentada em um suposto registro de entrada nos Estados Unidos em dezembro de 2022. O juiz federal Gregory Presnell tratou formalmente a informação oficial como um "registro falso", determinando investigações e cobrança de relatórios internos das agências de segurança norte-americanas para identificar os responsáveis pela inserção do dado no sistema, repercutindo amplamente no cenário institucional de São Paulo e do Grande ABC.
Novos Detalhes da Audiência na Justiça Federal da Flórida
Quem nasceu e cresceu na nossa região metropolitana, acompanhando com atenção a cobertura jornalística dos grandes julgamentos nacionais e o impacto das decisões jurídicas no cotidiano do país desde a infância, compreende perfeitamente a relevância do rigor documental nos processos legais. Desde criança, observando os cidadãos de Santo André, São Bernardo do Campo e São Caetano do Sul discutirem os rumos da política e do direito, aprendemos que provas técnicas constituem a base indispensável para a preservação das garantias constitucionais e da segurança jurídica.
A divulgação das transcrições da audiência conduzida na Justiça Federal da Flórida, tornada pública nesta sexta-feira (21) a partir de informações do jornal Folha de S.Paulo, acrescentou novos elementos ao processo envolvendo Filipe Martins. O ex-assessor, que atualmente cumpre pena em unidade prisional de Ponta Grossa (PR) após condenação do STF a 21 anos de prisão, acionou judicialmente as autoridades dos Estados Unidos por meio de uma ação fundamentada na Lei de Acesso à Informação norte-americana (Freedom of Information Act).
Durante a audiência realizada em 26 de março de 2026 perante o tribunal da Flórida, o juiz federal Gregory Presnelladotou um tom contundente ao analisar os dados apresentados. Ao contrário da autoridade de fronteira dos Estados Unidos, que havia classificado o histórico anteriormente como um “registro errôneo”, o magistrado classificou o documento diretamente como um “registro falso”, determinando diligências para investigar como a informação foi gerada e quem foram os responsáveis pela inclusão no sistema governamental.
O Histórico do Documento Migratório e a Decisão do STF
O registro em questão indicava formalmente que Martins teria ingressado em solo norte-americano no dia 30 de dezembro de 2022, data coincidente com a viagem do ex-presidente Jair Bolsonaro para a Flórida.
Essa informação do sistema de fronteiras dos EUA foi remetida às autoridades brasileiras e serviu de base probatória quando o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal, decretou a prisão preventiva do ex-assessor em fevereiro de 2024. Naquela ocasião, a suposta presença nos Estados Unidos sem registro formal de saída do Brasil foi considerada elemento central para justificar o risco de fuga e o descumprimento de medidas restritivas.
A defesa de Martins sustentou categoricamente que o ex-assessor não realizou viagem internacional naquela data e permaneceu no território brasileiro. Após meses de questionamentos e procedimentos formais, em outubro de 2025, a própria Alfândega e Proteção de Fronteiras dos Estados Unidos (Customs and Border Protection – CBP) concluiu uma revisão técnica oficial e atestou formalmente:
“Após a conclusão da revisão, foi determinado que o senhor Martins não entrou nos Estados Unidos naquela data”, declarou o relatório oficial da agência de fronteira norte-americana ao retificar seus bancos de dados.
As Determinações Judiciais do Juiz Gregory Presnell
A condução processual do juiz Gregory Presnell avançou além da mera retificação administrativa dos registros de fronteira, focando na cadeia de custódia e na autoria da inserção incorreta.
Quatro dias após a audiência de 26 de março, em 30 de março, Presnell expediu uma ordem judicial vinculante obrigando o Departamento de Segurança Interna (Department of Homeland Security – DHS) e o CBP a apresentarem comunicações internas e registros eletrônicos para análise reservada do magistrado. A ordem busca esclarecer:
Como e quando o registro de entrada foi inserido nos sistemas oficiais da imigração americana;
Quais servidores ou terminais de acesso participaram da criação ou validação do histórico falso;
Se houve compartilhamento ou requisição de dados por parte de autoridades estrangeiras antes da inclusão;
Quais protocolos de segurança interna foram contornados para gerar o registro indevido.
Até o momento, os autos não trazem decisão pública que aponte nomes específicos de agentes públicos envolvidos ou que atribua responsabilidade a órgãos americanos ou brasileiros, mantendo aberta a apuração sobre a autoria da fraude no sistema migratório.
Tabela: Cronologia dos Fatos no Caso do Registro Migratório (2022–2026)
Data / Período
Evento / Decisão Judicial
Órgão / Autoridade Envolvida
Impacto Processual
30/12/2022
Suposta data de entrada nos EUA
Sistema de Fronteiras (EUA)
Origem do registro controverso
Fevereiro/2024
Decretação da prisão preventiva
Ministro Alexandre de Moraes (STF)
Prisão com base em risco de fuga
Outubro/2025
Revisão oficial e anulação do dado
Alfândega e Fronteiras (CBP)
Reconhecimento de ausência de entrada
26/03/2026
Audiência classifica dado como falso
Juiz Federal Gregory Presnell (EUA)
Rejeição do termo “erro” para “falso”
30/03/2026
Ordem judicial de abertura de dados
Tribunal Federal da Flórida
Busca pelos responsáveis pelo dado
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Perguntas Frequentes (FAQ)
1. O que o juiz federal dos Estados Unidos afirmou sobre o registro de Filipe Martins?
O juiz federal Gregory Presnell classificou formalmente o documento como “registro falso”, cobrando informações para identificar os responsáveis por sua inclusão no sistema migratório.
2. Qual foi o papel desse documento na prisão de Filipe Martins no Brasil?
O registro de entrada nos EUA em 30/12/2022 foi utilizado pelas autoridades brasileiras como fundamento para a decretação de prisão preventiva por risco de fuga, determinada pelo ministro Alexandre de Moraes do STF em fevereiro de 2024.
3. O que a autoridade de fronteira americana (CBP) concluiu após revisar o caso?
Em outubro de 2025, o CBP concluiu formalmente que Filipe Martins não entrou nos Estados Unidos naquela data, retirando o registro do sistema oficial.
4. Onde Filipe Martins está cumprindo pena atualmente?
Martins está detido em uma unidade prisional em Ponta Grossa, no estado do Paraná, condenado pelo STF a 21 anos de prisão no processo sobre a tentativa de golpe de Estado.
5. Quais órgãos norte-americanos são alvos da ação judicial de Martins?
A ação movida com base na lei de acesso à informação tem como alvos o Departamento de Segurança Interna (DHS) e a Alfândega e Proteção de Fronteiras dos Estados Unidos (CBP).
6. Já existe identificação dos responsáveis pela criação do registro falso no sistema dos EUA?
Até o momento, não há decisão pública identificando os autores da inserção do dado, permanecendo a investigação sob segredo e ordens judiciais na Flórida.
Referências:
Tribunal Federal Distrital dos Estados Unidos – Distrito Médio da Flórida – Transcrição Oficial da Audiência e Ordem Judicial do Juiz Gregory Presnell (Dados de 2026):https://www.flmd.uscourts.gov/
Supremo Tribunal Federal (STF) – Processo e Decisões Relativas às Medidas Cautelares e Julgamento de Filipe Martins:https://portal.stf.jus.br/
U.S. Customs and Border Protection (CBP) / Department of Homeland Security – Relatório de Revisão de Registros Migratórios e Portais de Acesso à Informação (FOIA):https://www.cbp.gov/
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OPINIÃO
ABCTudo Paulista
Texto em que o autor apresenta e defende suas ideias e opiniões, a partir da interação de fatos e dados.
** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do ABCTudo/IT9.