Linha 10-Turquesa: 158 Anos de História Viva

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Por Publicador Independente
  •   Publicado em: 06 de junho de 2026

A CPTM Linha 10-Turquesa é uma das ferrovias mais antigas do Brasil em operação contínua. Inaugurada em 16 de fevereiro de 1867 pela São Paulo Railway, ela conecta o centro de São Paulo ao ABC Paulista em 38 km e 14 estações, passando por São Caetano do Sul, Santo André, Mauá, Ribeirão Pires e Rio Grande da Serra. Ao longo de mais de 158 anos, a linha passou por eletrificação, estadualização, mudança de nome e, agora, pela maior transformação de sua história: um processo de concessão à iniciativa privada com investimentos previstos de R$ 6 bilhões.

Frota de Trem CPTM

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A Ferrovia Mais Antiga de São Paulo em Operação: a História da Linha 10-Turquesa

Existe uma linha de trem em São Paulo que é mais velha do que a República brasileira. Mais velha do que a abolição da escravidão. Mais velha do que a maioria das ruas do centro da cidade. Quem passa pela Estação Brás ou embarca no Ipiranga raramente pensa nisso — mas está andando sobre trilhos que viram o Império, a ferrovia do café, a industrialização do ABC e o colapso de um modelo ferroviário que durou um século. Essa é a CPTM Linha 10-Turquesa.

Nasci e cresci em São Paulo. Vi essa linha ganhar cores, perder nome, ganhar outro. Vi estações reformadas, ramais desativados e o ABC se transformar. A história dessa ferrovia é a história da cidade — e ela começa muito antes de qualquer metrô existir.

Das Locomotivas a Vapor ao Trem Metropolitano: 158 Anos de Transformações

1867: O Nascimento da São Paulo Railway e a Conquista da Serra do Mar

A Linha 10-Turquesa foi construída pela extinta São Paulo Railway (SPR), tendo sido inaugurada em 16 de fevereiro de 1867. Era a primeira estrada de ferro do Estado de São Paulo, e sua engenharia foi um feito extraordinário para a época.

A Estação Luz, inaugurada junto com a ferrovia, completava o trecho ferroviário que ligava Santos a Jundiaí, com extensão de 159 quilômetros, com ligação nas estações Santos, Cubatão, Raiz da Serra, Alto da Serra (Paranapiacaba), Santo André, Rio Grande, Brás, Água Branca, Perus, Francisco Morato e Jundiaí.

O motivo da construção era econômico e urgente. No século 19, o café era a moeda da vez do País. Cultivado em fazendas no interior do Estado, o escoamento dessa produção até o Porto de Santos para exportação era arcaico. A ferrovia resolveu esse problema — e ao mesmo tempo criou as condições para o surgimento das cidades que hoje formam o ABC Paulista.

A paisagem urbana da capital paulista e da região metropolitana foi impactada de várias formas com a implantação da Estrada de Ferro. As estações ferroviárias começaram a concentrar as primeiras vilas, além de oficinas, armazéns e depósitos, e propagaram caminhos que interligavam povoados, chácaras e sítios. A indústria foi um legado importante da estrada de ferro, sobretudo no início do século XX, com a duplicação da linha, em vista da facilidade de acesso ao Porto de Santos e ao mercado consumidor de São Paulo.

Do Subúrbio à Eletrificação: as Décadas de Modernização

Com o crescimento populacional e industrial da região, a ferrovia precisou se adaptar. No início do Século XX, graças à construção de várias estações intermediárias entre as originais da SPR, iniciou-se a circulação de trens de subúrbio, inicialmente até Mauá. Na década de 1940, a linha seria eletrificada, mas continuou a prestar serviços com carros de madeira puxados por locomotivas até 1957, quando a Santos-Jundiaí adquiriu os primeiros TUEs Budd da antiga série 101 (atual série 1100 da CPTM).

A gestão da linha mudou de mãos ao longo do século. Em 1975, a linha passaria a ser administrada diretamente pela Rede Ferroviária Federal – RFFSA, que desde 1957 tinha a Santos-Jundiaí como uma de suas subsidiárias. Em 1984, passou para a Companhia Brasileira de Trens Urbanos – CBTU, que herdou todo o serviço de trens metropolitanos da Rede, serviço este que seria estadualizado em 1994, passando para as mãos da recém-fundada CPTM.

1994 a 2008: A Era CPTM e a Mudança de Identidade

A chegada à CPTM marcou o início de uma nova fase. A Linha 10-Turquesa era a Linha D, com paradas nas estações Brás, Santo André e Rio Grande da Serra, ligando Brás a Rio Grande da Serra, parada final. A linha também ganhou novo nome em 2008, Linha 10-Turquesa, com 38 quilômetros de extensão e 14 estações.

A mudança de nomenclatura fez parte de um projeto maior do Governo do Estado. A antiga Linha D levou essa nomenclatura durante anos, até março de 2008, quando o Governo do Estado de São Paulo alterou os nomes para atender um projeto de melhor integração com os Sistemas Metropolitanos de Transportes no que diz respeito à sinalização e ao conjunto.

Houve também perdas de percurso. Em novembro de 2001, em razão da baixa demanda de passageiros, a CPTMencerrou a operação em Paranapiacaba e os trens passaram a ter como estação terminal Rio Grande da Serra.

A Linha Hoje: Estrutura, Integração e o Que Ela Representa Para o ABC

14 Estações, 38 km e o Cotidiano de Milhares de Paulistanos

Hoje, a Linha 10-Turquesa percorre o trecho entre as estações Brás e Rio Grande da Serra, atravessando os municípios de São Caetano do Sul, Santo André, Mauá e Ribeirão Pires. São 14 estações distribuídas ao longo de 38 quilômetros — um corredor ferroviário que une o coração de São Paulo ao coração do ABC Paulista.

A integração com outros sistemas de transporte é um dos principais ativos da linha:

  • Linha 1-Azul do Metrô, com integração na Estação Luz
  • Linha 2-Verde do Metrô, via acesso à Estação Sacomã
  • Linhas 7 e 11 da CPTM, com integração gratuita
  • Terminais de ônibus municipais e intermunicipais ao longo do trajeto
  • Acesso ao terminal rodoviário interestadual próximo à área de Santo André

A importância da linha para a mobilidade urbana vai além dos números. Ela é, para centenas de milhares de trabalhadores do ABC, a única alternativa sobre trilhos entre a casa e o emprego.

A Melhoria Operacional Recente e o Tempo de Viagem

Os últimos anos trouxeram avanços concretos. Ao longo dos últimos anos, a Linha 10-Turquesa recebeu intervenções que melhoraram expressivamente a qualidade do serviço oferecido aos passageiros. Todo o esforço das áreas envolvidas no upgrade resultou na redução em 13 minutos do tempo de viagem, que passou de 56 minutos, em 2018, para 43 minutos no final de 2021.

A CPTM também anunciou um pacote de modernização específico para as estações mais defasadas. Foi firmado contrato no valor de R$ 97 milhões com o Consórcio LK-JZ para execução de obras nas estações Santo André e Mauá. As duas estações, construídas na década de 1970 durante a gestão da Rede Ferroviária Federal S.A., receberam poucas intervenções ao longo dos anos. Agora, passarão por processo de modernização que inclui a implantação de novos equipamentos e recursos de acessibilidade.

Entre os serviços previstos estão a construção de novos sanitários adaptados, implantação de passarela de travessia com elevadores, alteamento das plataformas conforme norma ABNT e instalação de piso podotátil.

O Futuro da Linha 10-Turquesa: Concessão, Novas Estações e R$ 6 Bilhões em Investimentos

A Maior Transformação em 158 Anos de História

A Linha 10-Turquesa está prestes a viver a mudança mais profunda desde a eletrificação. O Governo do Estado de São Paulo estruturou um processo de concessão à iniciativa privada dentro do chamado Lote ABC-Guarulhos, junto com a futura Linha 14-Ônix.

De acordo com o Governo do Estado, a concessão — cuja consulta pública foi aberta em 2025 — deverá gerar investimentos da ordem de R$ 6 bilhões, incluindo a reconstrução de estações, novas composições e melhorias de sinalização. No caso da Linha 10, estão previstas novas estações, como Bom Retiro, São Carlos/Parque da Mooca, ABC e Pari, ampliando a cobertura do sistema e fortalecendo a integração metropolitana. A futura concessionária também deverá adquirir 16 novos trens, embora a chegada das novas unidades esteja prevista apenas para o fim da década, por volta de 2030.

A Reconstrução da Estação Ipiranga e a Integração com o Monotrilho

Uma das obras mais emblemáticas do pacote envolve uma das estações mais antigas da linha. A obra prevê a reconstrução total da atual Estação Ipiranga, hoje integrante da Linha 10-Turquesa. O projeto transformará o local em um ponto estratégico de integração com o monotrilho da Linha 15-Prata, em expansão pela Zona Leste. Além da nova conexão, a estação será modernizada com acessibilidade universal, escadas rolantes, elevadores e plataformas mais amplas, dentro do padrão de estações recém-construídas do Metrô.

Marco HistóricoAno
Inauguração pela São Paulo Railway1867
Início dos trens de subúrbio até MauáInício do séc. XX
Eletrificação da linhaDécada de 1940
Aquisição dos primeiros TUEs Budd1957
Transferência para a RFFSA1975
Transferência para a CBTU1984
Estadualização e criação da CPTM1994
Desativação do ramal até Paranapiacaba2001
Renomeação para Linha 10-Turquesa2008
Redução de 13 min no tempo de viagem2021
Processo de concessão iniciado2025

A Última Linha da CPTM

Há um peso simbólico que não pode ser ignorado. A Linha 10-Turquesa será o último ramal operado diretamente pela CPTM, que deve perder as demais linhas ao longo de 2026 para concessões à iniciativa privada. Isso significa que a linha que nasceu no Império, atravessou a República, sobreviveu a cinco décadas de gestão federal e chegou ao século XXI como trem metropolitano, será a última bandeira do modelo estatal de transporte ferroviário em São Paulo.

Para quem usa a linha todo dia e para quem entende o que ela representa para o ABC Paulista, esse é um momento de mudança de era.

Perguntas Frequentes (FAQ)

1. Quando foi inaugurada a Linha 10-Turquesa da CPTM? A linha foi inaugurada em 16 de fevereiro de 1867 pela São Paulo Railway (SPR), sendo a primeira estrada de ferro do Estado de São Paulo.

2. Quantas estações e qual é a extensão da Linha 10-Turquesa? A linha possui 14 estações e 38 km de extensão, ligando a Estação Brás (com alguns serviços partindo da Estação Luz) até Rio Grande da Serra.

3. Quais municípios a Linha 10-Turquesa atende? A linha atende os municípios de São Paulo, São Caetano do Sul, Santo André, Mauá, Ribeirão Pires e Rio Grande da Serra.

4. A Linha 10-Turquesa integra com o Metrô de São Paulo? Sim. Há integração com a Linha 1-Azul (Estação Luz), acesso à Linha 2-Verde próximo à Estação Sacomã, e integração gratuita com as Linhas 7-Rubi e 11-Coral da própria CPTM.

5. Quanto tempo demora a viagem completa na Linha 10-Turquesa? Após melhorias operacionais realizadas entre 2018 e 2021, o tempo de viagem caiu de 56 para aproximadamente 43 minutos no percurso completo.

6. A Linha 10-Turquesa vai ser privatizada? O Governo do Estado de São Paulo incluiu a Linha 10-Turquesa em processo de concessão à iniciativa privada, previsto para ocorrer em 2026, com investimentos estimados em R$ 6 bilhões no pacote Lote ABC-Guarulhos.

7. Quais novas estações estão previstas para a Linha 10-Turquesa? Com a concessão, estão previstas as estações Bom Retiro, São Carlos/Parque da Mooca, ABC e Pari, além da reconstrução completa da Estação Ipiranga, que ganhará integração com a Linha 15-Prata do Metrô.

8. Por que a linha se chamava Linha D-Bege? Antes de março de 2008, a linha era chamada de Linha D-Bege. A mudança para Linha 10-Turquesa foi parte de um projeto do Governo do Estado de São Paulo para padronizar a sinalização e identidade visual de todo o sistema metropolitano de transporte.

Referências:


OPINIÃO

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Texto em que o autor apresenta e defende suas ideias e opiniões, a partir da interação de fatos e dados.
** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do ABCTudo/IT9.

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