O Fim da Fila? Otorrino em Ribeirão Pires

A Prefeitura de Ribeirão Pires anunciou hoje, 06 de novembro de 2025, o início imediato de consultas com Otorrinolaringologista no Centro de Especialidades Médicas da cidade. A promessa oficial é reduzir a fila de espera pela especialidade em 60%. Este artigo analisa o impacto da medida para a saúde no ABC, um problema histórico e crônico da nossa região. Como jornalista cobrindo o Grande ABC há mais de duas décadas, questiono a sustentabilidade dessa ação e se ela realmente resolve o gargalo da saúde pública ou se é uma ação pontual. Enquanto Ribeirão Pires (a menor das sete cidades) tenta resolver uma demanda reprimida, vemos como o atendimento médico especializado continua sendo um desafio gigante para cidades como Santo André, São Bernardo e Mauá.

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  •   Publicado em: 06 de novembro de 2025
  •   Atualizado em: 11 de dezembro de 2025
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Promessa em Ribeirão Pires: A Fila do Otorrino Vai Andar ou é Só Mais do Mesmo?

 

Isso é inacreditável sabia? quando eu penso que já vi de tudo nesses 40 anos morando em Santo André, e cobrindo o Grande ABC aqui pelo ABCTudo desde que o Dólar era quase 1 para 1, me aparece outra dessa.

Ligo o computador hoje aqui na redação, dia 6 de novembro, e dou de cara com a manchete: Ribeirão Pires vai começar hoje a oferecer consulta de Otorrinolaringologista no seu Centro de Especialidades Médicas e promete, assim, “reduzir em até 60% o tempo de espera”.

Sessenta por cento. A partir de hoje.

É o tipo de notícia que a gente, que já é calejado de tanta promessa de prefeito, lê duas vezes pra ver se não é erro de digitação. Porque, meu caro leitor, falar em “reduzir fila de espera” no Grande ABC é quase como prometer a cura do câncer. É um negócio que a gente ouve desde sempre, e a fila só parece aumentar.

 

O Contexto do “Velho Morador”: A Saúde no ABC e o Cobertor Curto

 

Quem é mais antigo como eu lembra bem. Lá pelos anos 90, e mesmo no começo dos anos 2000, “passar no especialista” pelo SUS aqui na região era uma epopeia. Era coisa pra seis meses, um ano, isso se você tivesse sorte de conseguir o encaminhamento na UBS.

Cansei de ver vizinho meu, lá no Bairro Jardim em Santo André, reclamando que o CHM (Centro Hospitalar Municipal) não tinha agenda. Cansei de cobrir matéria em São Bernardo sobre a superlotação do antigo Hospital Pronto-Socorro Central. A saúde no ABC sempre foi assim: um cobertor curto.

Quando se cobria o pé (tipo, inaugurava uma UPA em Mauá), descobria a cabeça (faltava médico especialista em São Caetano). A criação do Consórcio Intermunicipal do Grande ABC foi uma luz no fim do túnel. A ideia era ótima: as cidades se ajudarem, compartilharem serviços. O Hospital Mário Covas, em Santo André, é fruto disso. Mas na prática… na prática, a saúde pública continuou sendo o maior “calcanhar de Aquiles” dos prefeitos.

E sejamos honestos: Ribeirão Pires e Rio Grande da Serra, por terem economias locais menores, sempre pareceram as “irmãs pobres” nessa divisão. Muitas vezes, o morador de lá tinha que descer a serra ou vir pra Santo André e São Bernardo para conseguir atendimento médico complexo. Por isso a notícia de hoje chama tanta atenção.

 

A Análise (O Fato Cru): O que a Prefeitura Promete?

O Fim da Fila? Otorrino em Ribeirão Pires

O Fim da Fila? Otorrino em Ribeirão Pires

A especialidade de Otorrino é uma das mais demandadas. Cuida de nariz, ouvido e garganta. É a linha de frente para um monte de doenças crônicas que tiram a qualidade de vida do trabalhador.

A promessa é reduzir a demanda reprimida, a tal fila de espera, em 60%.

Mas aí entram as perguntas que esse jornalista, que conhece cada promessa não cumprida dessa região, precisa fazer:

  1. Sessenta por cento de quanto? Qual é o tamanho real dessa fila de espera em Ribeirão Pires? Estamos falando de 500 pessoas? 2.000 pessoas? Reduzir 60% de 100 é fácil. Quero ver reduzir 60% de 3.000.
  2. É contratação ou mutirão? A prefeitura contratou um novo médico especialista fixo para o quadro? Ou é um “mutirão de consultas” que vai durar um mês, tirar uma foto bonita pro jornal, e no mês seguinte a fila volta ao normal (ou pior)?
  3. E a sustentabilidade? Esse novo serviço vai ter verba para continuar? A economia local de Ribeirão dá conta de bancar mais um especialista caro no quadro fixo?

Eu não estou duvidando da boa intenção. Mas ‘nós viu’ isso acontecer tantas vezes.

 

A Opinião (O “Bairrismo”): E o Resto do ABC?

 

Francamente, é uma ótima notícia para o morador de Ribeirão Pires. Palmas para a gestão de lá, que parece ter focado num problema real.

Mas como morador de Santo André e jornalista que cobre a região toda, eu fico olhando pro meu próprio quintal. E aqui em Santo André? E em São Bernardo? Mauá? Como estão as nossas filas de especialista?

Enquanto Ribeirão (com seus 130 mil habitantes) comemora a chegada de um Otorrino, nós aqui em Santo André (com quase 800 mil) ainda estamos brigando por coisas básicas no CHM. A gente ainda vê o Hospital Nardini, em Mauá, sofrendo com superlotação. A gente ainda vê São Bernardo penando pra dar conta da demanda no seu Hospital de Clínicas.

A gente paga imposto. A gente paga um IPTU caríssimo, seja em São Caetano (o mais caro) ou em Santo André. E o mínimo que o morador do ABC espera é não ter que esperar oito meses por uma consulta que define se ele pode trabalhar direito ou não.

A saúde no ABC não pode ser uma loteria. Não pode depender de qual cidade você mora. O Consórcio Intermunicipal foi criado justamente para equalizar isso, mas parece que, no fim do dia, é cada prefeitura por si. E isso é péssimo para a região.

A solução de Ribeirão Pires é boa, mas é pontual. Não resolve o problema estrutural da saúde pública no Grande ABC.

Saúde ABCTudo

Conclusão: De Olho na Fila

 

E aí, o que você acha? É um avanço real para Ribeirão Pires ou só “pra inglês ver”? É o começo de uma solução ou só umband-aid num corte profundo?

Eu tô aqui no meu ‘Trabalho’, no ABCTudo, só vendo o circo pegar fogo. Tomara que dê certo. De verdade. O morador do ABC merece. Quem sofre com rinite, sinusite ou labirintite sabe a diferença que esse médico faz.

Mas meu bloco de notas tá aqui. E meu celular tá com o alarme programado. Daqui a seis meses, eu vou voltar a ligar na Prefeitura de Ribeirão Pires e perguntar: “E aí, como é que tá a fila de espera do Otorrino?”

A gente cobra. Porque esse é o nosso trampo.

Deixa sua opinião aí nos comentários. Você tá na fila por algum especialista? Conta pra gente.


 

Perguntas Frequentes (FAQ)

 

1. Qual é a nova notícia sobre saúde em Ribeirão Pires? A Prefeitura de Ribeirão Pires anunciou que, a partir de hoje (06/11/2025), o Centro de Especialidades Médicas da cidade passa a oferecer consultas com Otorrinolaringologista.

2. Qual é a promessa da Prefeitura de Ribeirão Pires? A promessa oficial é reduzir a fila de espera por essa especialidade em até 60%, oferecendo um atendimento médico mais rápido para a população.

3. Por que a especialidade de Otorrino é tão importante? O Otorrinolaringologista trata de problemas comuns e muitas vezes crônicos de nariz, ouvido e garganta (como sinusite, rinite, labirintite, problemas de audição), que afetam muito a qualidade de vida.

4. O artigo é contra essa nova medida? Não. O artigo vê a medida como positiva para os moradores de Ribeirão Pires, mas questiona se é uma solução de longo prazo (sustentável) ou apenas um “mutirão” temporário, e compara a situação com os desafios da saúde no ABC em cidades maiores.

5. Qual é o problema crônico da saúde no Grande ABC? Historicamente, o Grande ABC sofre com longas filas de espera por consultas com especialistas e exames complexos na rede pública (SUS), um desafio que as prefeituras e o Consórcio Intermunicipal tentam resolver há décadas

ATENÇÃO

Conteúdo informativo, não substitui médico

Este conteúdo possui caráter informativo e não substitui o diagnóstico feito em consulta médica.
Em caso de dúvidas ou aparecimento de sintomas mencionados neste artigo procure um profissional de saúde qualificado para obter um diagnóstico preciso.
Lembre-se a automedicação pode ocasionar graves complicações.


OPINIÃO

ABCTudo Paulista

Texto em que o autor apresenta e defende suas ideias e opiniões, a partir da interação de fatos e dados.
** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do ABCTudo/IT9.

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