R$ 4,7 Bilhões na Saúde do ABC. A Fila da UPA vai acabar?
Compartilhe: A notícia central é a projeção orçamentária de R$ 4,7 bilhões para a Saúde no Grande ABC em 2026, um aumento de 8,3% em relação a 2025. O artigo analisa criticamente esse valor, questionando se o aumento se reverterá em melhor atendimento para os moradores do ABC. O foco da análise recai sobre a […]
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A notícia central é a projeção orçamentária de R$ 4,7 bilhões para a Saúde no Grande ABC em 2026, um aumento de 8,3% em relação a 2025. O artigo analisa criticamente esse valor, questionando se o aumento se reverterá em melhor atendimento para os moradores do ABC. O foco da análise recai sobre a Fundação do ABC (FUABC), que deve gerir a maior parte dessa verba (cerca de R$ 4,4 bilhões) e possui um histórico de disputas políticas, dívidas (como o acordo de R$ 74 milhões em Mauá) e investigações. O texto contrapõe o volume de dinheiro com os problemas crônicos da saúde pública regional, como filas em UPAs e falta de especialistas, adotando o tom de um jornalista local experiente e cético.
A Fila da UPA vai acabar?
Pois é, meu caro leitor do ABCTudo.com.br. Quando eu acho que já vi de tudo nesses meus mais de 40 anos morando em Santo André, e quase 25 de trampo cobrindo essa nossa região, me aparece outra dessa. A manchete de hoje é de cair o queixo: as sete prefeituras do Grande ABC (Santo André, São Bernardo, São Caetano, Mauá, Diadema, Ribeirão Pires e Rio Grande da Serra) planejam gastar, juntas, a bagatela de R$ 4,7 BILHÕES com saúde na região no ano que vem, 2026.
Eu repito: QUATRO VÍRGULA SETE BILHÕES. Com “B” de bola, de burocracia, e de… bom, deixa pra lá.
A notícia, fria, diz que isso é um aumento de 8,3% sobre o que foi gasto em 2025 (R$ 4,3 bilhões). Um aumento, aliás, acima da inflação prevista (IPCA de 4,55%). Em tese, é uma notícia boa. Mais dinheiro para cuidar da gente.
Mas você, que pega o busão lotado e fica horas na fila do Hospital Mário Covas, ou que espera seis meses por um especialista no CHM (Centro Hospitalar Municipal) de Santo André, você realmente acha que esse dinheiro vai fazer a diferença?
Eu, como jornalista que já cobriu muita promessa furada de prefeito, tenho minhas dúvidas. E o buraco é bem mais embaixo. O buraco, meu amigo, chama-se gestão.
“Quem é mais antigo lembra…” Onde o dinheiro sempre some
Quem é mais antigo como eu, lembra de como era a saúde na região nos anos 90. A gente tinha o Hospital Príncipe, em Santo André, que, apesar dos pesares, resolvia. A gente via o Mário Covas ser erguido como a salvação da lavoura. De lá pra cá, o que vimos foi a criação de um “gigante” para gerir tudo isso: a tal da Fundação do ABC (FUABC).
E aí é que mora o perigo.
Sabe quanto desses R$ 4,7 bilhões vão parar, direta ou indiretamente, na mão da Fundação do ABC? Segundo as próprias projeções da entidade, que eu fui atrás, a FUABC sozinha prevê um orçamento de R$ 4,42 BILHÕES para 2026.
Bateu a conta aí? Pois é. Quase a totalidade da verba da saúde regional passa, de alguma forma, por essa fundação.
E o histórico da FUABC? Bom, se você mora no Grande ABC, você sabe. É uma entidade que, embora tenha profissionais de saúde heroicos na linha de frente, vive mergulhada em disputas políticas. Prefeito que entra quer botar o seu “pessoal” lá dentro. Prefeito que sai deixa conta.
Lembram do caso de Mauá? Em 2023, a Fundação e a prefeitura tiveram que fazer um acordo judicial, mediado pelo Ministério Público, por uma dívida de mais de R$ 74 MILHÕES. Setenta e quatro milhões! Isso é dinheiro de posto de saúde que deixou de ser construído, de médico que deixou de ser contratado.
E não vamos nem falar das operações da Polícia Federal que já bateram na porta da entidade em anos anteriores. A FUABC virou um campo de batalha político onde o morador do ABC é só um detalhe na planilha.
A Análise: O Fato Cru (e os R$ 4,7 Bilhões)
Mas vamos ao que interessa. O que o pessoal da política tá falando é o seguinte: “Estamos investindo mais!”
Ok, vamos aos fatos. O orçamento total das sete cidades para 2026 vai bater R$ 22 bilhões. Desse total, R$ 4,7 bi vão para a saúde. É muito dinheiro.
E não é só isso. Vamos lembrar que, em agosto desse ano (2025), o Governador Tarcísio veio aqui no Mário Covas, em Santo André, e anunciou um repasse extra de R$ 150 milhões pro custeio da saúde na região. São Bernardo levou R$ 50 milhões, Santo André e Diadema R$ 30 milhões cada.
Além disso, tem o Tabela SUS Paulista, que botou mais R$ 23,6 milhões extras na conta da região entre 2024 e o começo de 2025.
Ou seja, dinheiro não falta. O que falta é ele chegar na ponta.
O aumento de 8,3% no orçamento é bom? É. É melhor que nada. Mas ele mal cobre o aumento de custos hospitalares, a inflação dos remédios e a necessidade de reajustar o salário do médico que tá pensando em largar o SUS e ir só pro particular no Bairro Jardim.
Enquanto isso, a gente vê São Caetano do Sul investindo pesado em tecnologia de segurança pública com o “Smart Sanca” (e prendendo gente, como hoje), mas na saúde, a realidade regional ainda é analógica. A realidade é a da prancheta, da fila de espera, e do “tem que esperar”.
“Francamente…” A minha opinião de morador
Francamente, isso é quase um desaforo com o morador do ABC.
Eu nasci aqui. Morei fora, em Londres, e vi como um sistema público de saúde (o NHS) funciona. Ele tem defeitos? Claro. Mas ele entrega o básico. Aqui, nós estamos falando de R$ 4,7 BILHÕES e ainda não conseguimos garantir um pediatra de emergência em todas as UPAs 24 horas por dia.
O problema é que o Grande ABC cresceu de forma desordenada. Mauá e Diadema viraram cidades-dormitório gigantescas com uma demanda que os hospitais locais, mesmo geridos pela FUABC, não dão conta. Santo André e São Bernardo tentam segurar a barra com seus hospitais municipais (CHM e o Hospital de Clínicas), mas recebem gente de todo lado.
Quando eu vejo uma notícia de R$ 4,7 bilhões, eu não penso “Uau, agora vai”. Eu penso: “Quem vai gerir isso?”
Enquanto a Fundação do ABC for um cabide de emprego político e um campo de batalha pelo poder, pode botar 10, 20 bilhões. O dinheiro vai evaporar. Vai sumir em contratos emergenciais, em compras superfaturadas, em “consultorias”.
O que a gente precisa não é só de mais dinheiro. A gente precisa de transparência. Eu quero saber, centavo por centavo, onde esses R$ 4,7 bilhões vão ser gastos. Quero saber quantas consultas a mais serão abertas. Quantos médicos serão contratados. E qual será o tempo máximo de espera na fila do PS.
Sem isso, é só número pra político fazer propaganda. E quem paga a conta, e continua sem atendimento, somos nós. Tá osso.
Conclusão: O Circo tá Pegando Fogo
E aí, o que você acha? Sou eu que estou muito ranzinza, ou você também acha que essa dinheirama toda não vai mudar o seu dia a dia?
Eu tô aqui no meu trampo no ABCTudo.com.br, só vendo o circo pegar fogo. A única coisa que eu sei, como jornalista e morador, é que promessa não enche barriga. E muito menos marca ressonância magnética.
Deixa sua opinião aí nos comentários. A gente quer saber.
Perguntas Frequentes (FAQ)
1. O que é essa Fundação do ABC (FUABC) que o artigo tanto fala? A Fundação do ABC é uma organização social de direito privado, sem fins lucrativos, criada pelas prefeituras de Santo André, São Bernardo e São Caetano há décadas. Hoje, ela é uma gigante que gerencia a saúde não só nessas cidades, mas também em Mauá, Diadema, e até em outras regiões do estado. Ela administra hospitais, UPAs, AMAs e o Hospital Mário Covas, por exemplo.
2. O valor de R$ 4,7 bilhões é só para o ano que vem? Sim. Esse valor é a projeção de gastos somada das sete cidades do Grande ABC para o ano de 2026, conforme os projetos de lei orçamentária que os prefeitos enviaram para as Câmaras de Vereadores.
3. O aumento de 8,3% é bom ou ruim? É um aumento real, pois é maior que a inflação prevista (4,55%). Em tese, isso é bom, pois significa que há mais dinheiro entrando na saúde na região do que apenas a correção da inflação. A questão que o artigo levanta é se esse “mais dinheiro” será bem gasto.
4. Por que o jornalista critica tanto a gestão, se vai ter mais dinheiro? A crítica é baseada no histórico. O Grande ABC já investe bilhões em saúde há anos, mas os problemas crônicos (filas, demora para exames, falta de especialistas) continuam. O artigo aponta que a FUABC, principal gestora, tem um histórico de problemas políticos e financeiros (como a dívida em Mauá), sugerindo que o problema não é falta de dinheiro, mas como ele é usado.
5. O meu atendimento na UPA de Santo André ou no Hospital de Clínicas de São Bernardo vai melhorar? Essa é a pergunta de R$ 4,7 bilhões. Com mais dinheiro, a expectativa é que sim. No entanto, a melhoria real depende da gestão eficiente desse dinheiro: se ele será usado para contratar mais médicos, comprar equipamentos, ou se vai se perder em burocracia e custos administrativos. O histórico, segundo a análise, nos deixa céticos.
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ATENÇÃO
Conteúdo informativo, não substitui médico
Este conteúdo possui caráter informativo e não substitui o diagnóstico feito em consulta médica.
Em caso de dúvidas ou aparecimento de sintomas mencionados neste artigo procure um profissional de saúde qualificado para obter um diagnóstico preciso.
Lembre-se a automedicação pode ocasionar graves complicações.
OPINIÃO
ABCTudo Paulista
Texto em que o autor apresenta e defende suas ideias e opiniões, a partir da interação de fatos e dados.
** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do ABCTudo/IT9.
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