Top 10! O Horror de Santo André Virou Pop?
Compartilhe: O artigo discute a polêmica chegada do documentário “Caso Eloá – Refém ao Vivo” ao Top 10 da Netflix no Brasil. A autora, uma “fofoqueira profissional” nascida e criada em Santo André, analisa a notícia com indignação. Ela, que tinha 17 anos em 2008, relembra o “circo” da imprensa na época e o trauma […]
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O artigo discute a polêmica chegada do documentário “Caso Eloá – Refém ao Vivo” ao Top 10 da Netflix no Brasil. A autora, uma “fofoqueira profissional” nascida e criada em Santo André, analisa a notícia com indignação. Ela, que tinha 17 anos em 2008, relembra o “circo” da imprensa na época e o trauma local. O texto questiona a ética da Netflix em transformar a tragédia do Grande ABC (o assassinato de Eloá Pimentel por Lindemberg Fernandes Alves) em true crime “pop”. A análise critica a monetização do feminicídio e como o documentário, apesar de revelar depoimentos inéditos (do irmão Douglas e da amiga Grazieli), reabre feridas e transforma o horror em entretenimento para “maratonar”, o que gera revolta no morador do ABC.
Top 10! O Horror de Santo André Virou Pop?
Isso é inacreditável sabia? quando eu penso que já vi de tudo nesses meus 34 anos morando em Santo André, me aparece outra dessa…
A “grande fofoca” do dia, o assunto que tá bombando nos trends e que tá em primeiro lugar na Netflix Brasil é o documentário “Caso Eloá – Refém ao Vivo”.
Sim. Aquele horror que aconteceu aqui. Em Santo André. No nosso quintal.
Eu, como fofoqueira que sou, adoro um “babado”, uma treta de famoso, um “Bebê Rena”. Mas quando a fofoca é sobre a nossa tragédia local, o buraco é mais embaixo. E, vou ser sincera? Eu tô revoltada.
Não é pelo documentário em si. É pelo que ele representa. O Caso Eloá virou “produto”. Virou “série pra maratonar”. E tá no Top 10, como se fosse uma série de comédia romântica.
Francamente… tá osso.
“Quem é mais antigo lembra…” O Circo de 2008
Quem é mais antigo como eu, lembra bem. Em 2008, eu tinha 17 anos. Eu tinha quase a idade da Eloá Cristina Pimentel (ela tinha 15). Eu moro aqui desde que nasci. Eu vi o que aconteceu.
A gente, aqui do Grande ABC, não viu o Caso Eloá pela TV como o resto do Brasil. A gente viveu o Caso Eloá.
Eu lembro daquele apartamento em Santo André. Lembro dos helicópteros da imprensa sobrevoando o bairro. Lembro das ruas fechadas. Lembro da gente, molecada, voltando da escola e vendo, ao vivo, o maior “reality show” de horror da história do país.
Foram 100 horas. O ex-namorado, Lindemberg Fernandes Alves, mantendo a Eloá e a amiga Grazieli reféns. E a imprensa… ah, a imprensa.
A gente viu apresentadora de TV (que nem tá no documentário, aliás, o que já é outra fofoca…) ligando pro sequestrador ao vivo. A gente viu uma negociação que virou um circo de horrores. E a gente viu o final. A invasão. Os tiros. A morte de uma menina de 15 anos.
Isso não foi uma série. Isso foi a nossa cidade sendo marcada a ferro e fogo.
A Análise: O Que a Netflix Vende (e o Que a Gente Compra)
Mas vamos ao que interessa. O que o pessoal tá falando é o seguinte: o documentário da Netflix é bom. É sério. É dirigido pela Cris Ghattas, tem roteiro que tenta ser respeitoso.
E o mais importante (e aqui entra o meu lado “fofoqueira”): ele traz depoimentos que ninguém nunca ouviu.
Pela primeira vez em 17 anos, o irmão da Eloá, o Douglas, fala. A amiga Grazieli, que tava lá dentro e sobreviveu, fala. Tem trechos do diário da Eloá. Isso é jornalismo, é importante. É um documento.
Ok, eu entendo. O documentário quer, em tese, discutir o feminicídio (na época a gente nem usava essa palavra) e o circo da mídia.
Mas… aí que a minha revolta de Santo André entra.
Quando a Netflix pega essa história, edita bonitinho, coloca uma trilha sonora tensa e bota no catálogo entre “Round 6” e “Dahmer”, ela faz o quê? Ela transforma a nossa dor em entretenimento.
E o resultado? Top 10 no Brasil.
O que me deixa indignada é a naturalidade com que a gente agora consome desgraça. A gente “maratona” o Caso Eloá. A gente faz thread no Twitter sobre o Lindemberg. A gente discute o feminicídio comendo pipoca.
A Opinião: A Netflix Tá “Farmando” Grana em Cima do Nosso Luto
Francamente, isso é um absurdo com o morador do ABC.
Eu sou fofoqueira, mas eu tenho limite. E o meu limite é quando eu vejo empresa bilionária (oi, Netflix) lucrando em cima da nossa maior tragédia.
A minha revolta, como diz a minha ficha de persona, é ver criminoso (o Lindemberg tá preso, mas a história dele tá solta) virar “personagem” de true crime.
A Netflix não tá fazendo isso para honrar a memória da Eloá. Ela está fazendo isso porque true crime dá dinheiro. Vende assinatura. Gera clique. Gera debate. Gera o meu artigo de fofoca aqui no ABCTudo.com.br! Eu mesma tô caindo na armadilha!
O documentário é necessário para o debate? Talvez. Mas ele estar no Top 10 me diz outra coisa. Me diz que a gente, como sociedade, aprendeu a transformar o horror em “produto pop”. E isso, aqui de Santo André, me embrulha o estômago.
A gente não precisava de um documentário pra saber que a imprensa errou em 2008. A gente não precisava de um Top 10 pra lembrar que a polícia falhou. A gente que é daqui, que viu a cena do crime de perto, já sabia.
O que a Netflix fez foi empacotar a nossa ferida e vender pro resto do Brasil assistir.
Conclusão: E aí, Vai Maratonar?
E aí, o que você acha? Eu tô aqui no meu trampo, revoltada, vendo o circo pegar fogo de novo, 17 anos depois.
O documentário do Caso Eloá é jornalismo importante ou é exploração da dor? O fato de estar no Top 10 é um bom sinal (de que estamos discutindo feminicídio) ou um péssimo sinal (de que banalizamos o assassinato de uma menina de 15 anos)?
Eu, como fofoqueira profisional de Santo André, digo: assistam com olho crítico. Isso não é “Gossip Girl”. Isso é Santo André. É a nossa história. E ela dói.
Deixa sua opinião aí… você já assistiu? O que achou?
Perguntas Frequentes (FAQ)
1. Por que o documentário do Caso Eloá está no Top 10 da Netflix? O caso chocou o Brasil em 2008 e nunca foi esquecido. O documentário “Caso Eloá – Refém ao Vivo” traz depoimentos inéditos (do irmão Douglas e da amiga Grazieli) e trechos do diário da vítima, o que gerou enorme curiosidade e debate nacional, impulsionando-o para o Top 10.
2. A Netflix paga o Lindemberg (o criminoso) por isso? Não. Lindemberg Fernandes Alves está preso (condenado a 39 anos) e não recebe lucros pelo documentário. A produção é da Produtora Sentimental, e os lucros são da Netflix e dos produtores.
3. O documentário fala sobre a Sonia Abrão? A fofoca é que não. Apesar de a apresentadora Sonia Abrão ter sido uma figura central na polêmica da imprensa em 2008 (ela entrevistou o sequestrador ao vivo), o documentário da Netflix optou por não incluí-la diretamente, focando mais em outros aspectos da cobertura e nos depoimentos das vítimas.
4. Onde aconteceu o Caso Eloá? O crime aconteceu em um apartamento no bairro de Santo André, na região do Grande ABC, em São Paulo, em outubro de 2008.
5. Vale a pena assistir ao documentário? Como documento histórico e para entender as falhas da polícia e da imprensa, sim. No entanto, o artigo (e a autora) alerta que é um conteúdo pesado, que transforma uma tragédia real do Grande ABC em entretenimento de true crime, o que pode ser perturbador.
OPINIÃO
ABCTudo Paulista
Texto em que o autor apresenta e defende suas ideias e opiniões, a partir da interação de fatos e dados.
** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do ABCTudo/IT9.
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