A Defesa Civil do Estado de São Paulo colocou o Grande ABC em alerta para chuva persistente, ventos de 60 a 70 km/h, alagamentos e queda de árvores nesta sexta-feira (11) e no sábado (12). Em três dias, Mauá e Santo André acumularam 78 milímetros; São Bernardo 70 mm; Diadema 74 mm — cerca de 70% da média de setembro na última cidade. O capitão Maxwell Souza citou sirenes em áreas de risco de Mauá e um gabinete de crise no Palácio dos Bandeirantes. Um ciclone extratropical no Sul influencia o tempo em todo o Estado.
Quem mora no ABC conhece setembro de duas caras: sol curto e nuvem que desaba de uma vez no Ribeirão dos Meninos, no Tamanduateí e nos fundos de vale. Nesta sexta e neste sábado, o recado da Defesa Civil estadual não é de garoa. É de chuva que já veio demais para o mês, vento que pode chegar a 70 km/h e solo que não absorve mais o que cair. O capitão Maxwell Souza, em entrevista ao Diário, descreveu o volume dos últimos três dias como elevado para o período e ligou o cenário a um sistema que atravessa o Estado.
A mesma Defesa Civil emitiu aviso de risco meteorológico na quinta (10) válido para sexta e sábado. A instabilidade vem de um ciclone extratropical em formação no Sul do País. O intervalo de maior atenção, no boletim estadual, é a tarde e a noite de sexta e a madrugada e a manhã de sábado. A Região Metropolitana de São Paulo — e com ela o Grande ABC — entrou no mapa de chuva volumosa e rajadas, junto com capital, Campinas, Vale do Paraíba e litoral.
O que já choveu e o que ainda pode cair
Nos últimos três dias, segundo o capitão Souza, Mauá e Santo André registraram 78 milímetros. São Bernardo do Campo ficou em 70 mm. Diadema chegou a 74 mm. A média prevista para todo o mês de setembro é de cerca de 125,5 mm em Mauá, 125,6 mm em Santo André, 126,8 mm em São Bernardo e 106,2 mm em Diadema. Em três dias, Diadema recebeu cerca de 70% da chuva esperada para o mês.
Na capital, o Centro de Gerenciamento de Emergências Climáticas da prefeitura e a Defesa Civil estadual descreveram setembro já acima da média: cerca de 100 mm em dez dias diante de 66 mm esperados para o mês inteiro, ou 151,5% da média mensal. A cidade inteira entrou em estado de atenção para alagamentos na quinta. O CGE da capital também apontou rajadas acima de 60 km/h na sexta, entre a tarde e a noite, e sábado fechado na Grande São Paulo com a passagem da frente fria pelo litoral.
A chuva persistente e volumosa, no recorte do ABC, abre a possibilidade de subida de rios e córregos e de pontos de alagamento. Os ventos fortes, de 60 a 70 km/h em alguns pontos da região, podem derrubar árvore e danificar estrutura. Não é o recorte mais extremo do Estado. No Vale do Ribeira e no interior próximo à divisa com o Paraná, o Inmet e a Defesa Civil falaram em rajadas de até 100 km/h e, em áreas isoladas, granizo forte, microexplosão e tornado. Souza situou a condição de tornado em municípios paulistas perto da fronteira paranaense, em área rural. O ABC entra no alerta metropolitano de chuva e vento, não no núcleo de maior potencial severo.
Cidade
Chuva em 3 dias
Média de setembro
Fatia da média
Mauá
78 mm
125,5 mm
cerca de 62%
Santo André
78 mm
125,6 mm
cerca de 62%
São Bernardo
70 mm
126,8 mm
cerca de 55%
Diadema
74 mm
106,2 mm
cerca de 70%
Sexta à tarde, sábado de manhã
O calendário oficial do risco não é o dia inteiro no mesmo tom. CNN, CBN, G1 e Agência Brasil repetiram o recorte da Defesa Civil: maior atenção da tarde para a noite de sexta e da madrugada para a manhã de sábado, quando a atmosfera fica mais favorável à formação e à intensificação de tempestades. Presidente Prudente, Marília, Itapeva, Registro e parte de Sorocaba concentram o potencial mais alto. Norte do Estado, região Central, capital, RMSP, Vale do Paraíba, Campinas e litoral seguem em alerta para chuva volumosa e vento. No litoral, o mar deve ficar agitado.
O Inmet manteve aviso de perigo. Na Baixada Santista, o instituto trabalhou com acumulado de até 50 mm e vento de 40 a 60 km/h. No Vale do Ribeira, 50 a 100 mm no dia e rajadas de 60 a 100 km/h. A Secretaria da Educação e 11 prefeituras do Vale do Ribeira suspenderam aulas da rede pública na sexta. O coronel Araújo Monteiro, coordenador da Defesa Civil do Estado, descreveu cenário de tempestades severas e, em pontos isolados, microexplosões e tornados. A orientação estadual, nesse recorte, foi procurar local seguro durante a tempestade e acompanhar alerta oficial.
Áreas de risco, sirene e o que a Defesa Civil descreveu
Para quem vive em encosta e fundo de vale no ABC, Souza falou em redobrar atenção aos alertas e seguir orientação de evacuação quando ela existir. “O que a gente consegue é montar estrutura de proteção da população.” O exemplo que ele deu foi concreto e local: sirenes em áreas de risco de Mauá e treinamento com moradores sobre como agir em deslizamento. “A Defesa Civil tem o papel de alertar e a população tem que fazer a sua parte: se proteger e seguir as orientações.”
O capitão Maxwell Souza — ou Maxwell de Souza, na grafia da Band, que o entrevistou ao vivo na Rádio Bandeirantes nesta semana de alerta — é a voz que o Diário usou para traduzir o volume já caído e o sistema que ainda vem. Ele não descreveu o fenômeno como algo que se impede. Descreveu como algo cujo impacto se reduz com prevenção e preparação.
O ABC carrega memória de chuva que sobe pelo porão e de barranco que cede depois de três dias molhados. Setembro não é o auge do verão. Mesmo assim, três dias com 70 a 78 mm em cidades cuja média mensal gira em 106 a 127 mm deixam o solo saturado antes do fim de semana instável. É esse o encadeamento do alerta: o que já caiu mais o que o ciclone ainda pode despejar.
O gabinete de crise e o mapa do Estado
A Defesa Civil estadual informou que montará gabinete de crise no Centro de Gerenciamento de Emergências, no Palácio dos Bandeirantes, para acompanhar o período de maior instabilidade. O G1 detalhou o horário: a partir das 14h desta sexta, com funcionamento até a tarde de sábado. A Agência Brasil repetiu o mesmo intervalo. O grupo reúne concessionárias de energia, Sabesp, Polícia Militar e Corpo de Bombeiros. O objetivo declarado é acelerar decisão e atendimento aos municípios se a ocorrência for grave. Souza disse que o Estado dará suporte às cidades paulistas no período de risco.
Na quinta, a Defesa Civil estadual se reuniu com municípios para avaliar risco e recomendação. Também disparou alertas por Cell Broadcast em várias regiões do interior. A capital já estava em atenção para alagamento. Campinas registrou alagamento, queda de árvore e muro. Itapecerica da Serra teve deslizamento, muro e alagamento, sem vítima no recorte publicado. Piraju, no Vale do Paranapanema, teve a ventania mais forte da quinta no Estado, perto de 90 km/h.
O sistema que organiza esse fim de semana não é um temporal isolado de fim de tarde. É ciclone extratropical no Sul mais frente fria no litoral paulista. A combinação, no jargão dos boletins, favorece pancada, raio, rajada e, em pontos do interior e do Vale do Ribeira, granizo e fenômeno isolado mais raro. O Grande ABC aparece no segundo anel desse mapa: chuva que já está alta, vento de 60 a 70 km/h, rio e córrego no limite, árvore no risco. Não aparece como a zona de tornado pontual da divisa com o Paraná.
Quem acompanha a região desde criança sabe o nome dos pontos que alagam quando o milímetro passa da conta. O boletim desta semana não lista cada rua. Lista o mecanismo: chuva persistente, solo encharcado, vento na copa da árvore, encosta que pede ouvido na sirene. Mauá, no recorte do capitão, já tem essa sirene em área de risco e gente treinada para sair se o alerta mandar.
O gabinete no Palácio dos Bandeirantes não substitui a defesa civil de cada cidade do ABC. Junta energia, água, polícia e bombeiro no mesmo ambiente para quando o município pedir apoio. É a frase de Souza em outra chave: o Estado não impede o fenômeno; monta estrutura de proteção.
A sexta começa com o volume dos três dias anteriores ainda no chão. O sábado herda a frente fria no litoral e a manhã que os boletins marcaram como crítica. Entre um e outro, o vento de até 70 km/h no ABC e o gabinete aberto das 14h de sexta até a tarde de sábado.
Perguntas Frequentes (FAQ)
1. Qual é o alerta no Grande ABC nesta sexta e neste sábado? Chuva persistente e volumosa, ventos de 60 a 70 km/h em alguns pontos, risco de alagamento, subida de rios e córregos e queda de árvores.
2. Quanto já choveu nas cidades do ABC? Em três dias: 78 mm em Mauá e Santo André, 70 mm em São Bernardo e 74 mm em Diadema, segundo o capitão Maxwell Souza.
3. Por que Diadema chama atenção nesse recorte? Porque 74 mm equivalem a cerca de 70% da média de setembro da cidade, que é 106,2 mm.
4. Há risco de tornado no Grande ABC? O capitão situou condição para tornado em municípios paulistas próximos à divisa com o Paraná, em áreas rurais. O ABC entra no alerta metropolitano de chuva e vento.
5. Quando o gabinete de crise funciona? A Defesa Civil estadual instala o gabinete no Centro de Gerenciamento de Emergências, no Palácio dos Bandeirantes, a partir das 14h de sexta até a tarde de sábado.
6. O que a Defesa Civil destacou para áreas de risco? Atenção aos alertas, evacuação quando orientada, sirenes e treinamento em áreas de risco de Mauá. “A Defesa Civil tem o papel de alertar e a população tem que fazer a sua parte.”
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ABCTudo Paulista
Texto em que o autor apresenta e defende suas ideias e opiniões, a partir da interação de fatos e dados.
** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do ABCTudo/IT9.