Cesta básica cai em Santo André pela 1ª vez em 2026

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Por Danillo Leite
  •   Publicado em: 09 de setembro de 2026

Após atingir o valor mais alto de 2026 em julho, a cesta básica em Santo André registrou sua primeira queda do ano em agosto: recuo de 2,64%, saindo de R$ 1.252,29 para R$ 1.219,26. O principal motor da redução foi a chegada da safra paulista de cebola, que derrubou o preço do produto em 20,1% no mês. Apesar disso, o conjunto de 34 itens analisados pela Craisa ainda acumula alta de 4,52% nos últimos 12 meses e compromete 75,22% do salário mínimovigente de R$ 1.621.

Cesta básica cai em Santo André pela 1ª vez em 2026

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Primeiro Recuo do Ano: O Que Mudou na Cesta Básica de Santo André

Quem foi ao supermercado em agosto e sentiu que os preços continuavam pesados não está errado — e também não está completamente certo. Os dados da Craisa (Companhia Regional Andreense de Abastecimento Integrado) mostram que, na comparação com julho, a cesta básica em Santo André registrou queda de 2,64%. O total passou de R$ 1.252,29 para R$ 1.219,26 — o primeiro recuo mensal de 2026.

A trajetória até esse momento foi de alta praticamente ininterrupta. Em janeiro, a cesta fechou em R$ 1.122,73, já comprometendo 70% do salário mínimo. Nos meses seguintes, os aumentos se acumularam, com exceção de um intervalo entre abril e maio, quando houve uma estabilidade marginal de apenas 0,02%. O pico veio em julho, no início do segundo semestre, quando o valor atingiu R$ 1.252,29 — o mais alto de todo o ano.

A queda de agosto, portanto, interrompe uma sequência longa de pressão sobre o orçamento das famílias andreenses. Mas ela não apaga o estrago acumulado: em 12 meses, o conjunto de 34 produtos analisados — que inclui alimentos, itens de higiene pessoal e produtos de limpeza — sobe 4,52% e ainda consome 75,22% do salário mínimo de R$ 1.621.

A Sazonalidade que Explica a Queda

A razão principal do recuo é conhecida por quem acompanha o mercado de hortifrúti: a chegada da safra paulista de cebola. O produto caiu 20,1% na comparação com julho, puxando o índice para baixo junto com a batata (-15,4%) e o feijão carioca (-15%).

“Os preços da cebola vinham subindo nos últimos 11 meses. A queda após os preços extremos no mês passado veio com a chegada da safra paulista”, explicou Fábio Vezza, engenheiro agrônomo da Craisa. Segundo ele, a produção paulista de cebola chega ao mercado principalmente entre maio e outubro, com colheita mais intensa entre agosto e setembro.

Essa dinâmica é bem documentada no setor agrícola: a cebola é um produto de forte sazonalidade, cujos preços oscilam de acordo com a região produtora e o momento da safra. Quando a oferta aumenta, os preços despencam — e é exatamente isso que ocorreu em agosto. A Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) acompanha mensalmente os preços e o volume comercializado de hortigranjeiros nas centrais de abastecimento do país por meio do programa Prohort, que apresenta informações sobre preços praticados e volume comercializado de hortigranjeiros nos mercados atacadistas do Brasil, justamente para monitorar esse tipo de variação.

Os Vilões que Permanecem no Carrinho

Se a cebola explica parte do alívio, os números anuais revelam o outro lado da história. Em 12 meses, os aumentos expressivos não desapareceram:

  • Cebola: alta de 63,17% (passou de R$ 3,82 para R$ 6,23 o quilo)
  • Feijão carioca: alta de 29,80%
  • Batata: alta de 25,17%
  • Carne bovina de primeira: alta de 20,06%

O feijão merece atenção especial. Em 12 meses completos até junho, o alimento acumulou aumento de 123% e registrou a maior variação entre os itens pesquisados, de acordo com a Craisa. O grão é peça central da alimentação brasileira — e seu encarecimento afeta diretamente o prato mais básico do país.

Essa persistência nos preços elevados explica por que a percepção de quem vai às compras ainda é de encarecimento, mesmo com a queda registrada em agosto.

O Que os Moradores de Santo André Sentem no Dia a Dia

Os dados da Craisa encontram eco nas falas de quem frequenta o supermercado toda semana. Na Vila América, a auxiliar de cozinha Márcia Regina dos Santos, de 45 anos, afirma ter percebido o aumento nos hortifrútis. “A cebola aumentou bastante e é uma coisa que a gente usa praticamente todos os dias. Mas não foi só ela, outros produtos também estão mais caros”, disse.

A mesma percepção é compartilhada pelo motorista Anderson Luiz de Oliveira, de 38 anos, morador do bairro Centreville. “O feijão também está pesando. Você vai ao mercado para comprar praticamente as mesmas coisas e sempre acaba gastando mais.”

Para tentar driblar os custos, Oliveira passou a pesquisar preços em diferentes estabelecimentos antes de fechar as compras. “Às vezes, vou em dois ou três supermercados para comparar tudo.” Ele também reduziu a compra de marcas mais caras — uma adaptação que muitas famílias brasileiras adotam silenciosamente quando o orçamento aperta.

Essa estratégia, aliás, é recomendada pelo próprio técnico da Craisa. Fábio Vezza sugere que o consumidor faça uma lista antes de sair de casa, evite compras por impulso e, quando possível, evite ir ao supermercado aos fins de semana ou logo após o quinto dia útil do mês — períodos em que os preços costumam estar mais elevados por conta da maior demanda.

Quanto do Salário Mínimo Vai Para a Cesta

Um dado ajuda a dimensionar o peso real da cesta básica sobre o trabalhador que ganha o piso nacional. Com o valor de R$ 1.219,26 em agosto, os 34 itens pesquisados pela Craisa consomem 75,22% do salário mínimo de R$ 1.621.

Isso significa que, de cada R$ 10 que o trabalhador recebe, R$ 7,52 já estão comprometidos apenas com alimentos e itens de higiene básica — sem contar aluguel, transporte, saúde ou educação. Para pagar os itens básicos de alimentação, limpeza e higiene pesquisados, o morador precisa trabalhar 166 horas e 18 minutos das 220 horas mensais permitidas pela CLT.

Em janeiro, esse comprometimento era de 70%. Em fevereiro, a cesta chegou a R$ 1.146,41 — representando alta de 2,1% frente ao mês anterior. A trajetória de alta ao longo do ano foi constante, e mesmo com a queda de agosto, o patamar atual segue elevado em relação ao início de 2026.

Os Próximos Meses: Incerteza é a Única Certeza

Vezza foi cauteloso ao avaliar o que vem pela frente. Para ele, a queda de agosto não é garantia de que os preços continuarão caindo. “No período que estamos, fica difícil projetar o comportamento dos preços no mês que vem devido à proximidade das eleições, os efeitos climáticos esperados com o super El Niño e o panorama internacional”, avaliou o agrônomo da Craisa.

Três fatores pesam sobre a incerteza:

  1. Eleições municipais — períodos eleitorais historicamente afetam a dinâmica econômica e o comportamento do mercado.
  2. Efeitos climáticos do El Niño — fenômenos como seca e chuvas irregulares impactam diretamente a produção agrícola, especialmente de hortifrútis, que têm menor estoque regulador.
  3. Cenário internacional — pressões externas sobre o câmbio e commodities podem elevar custos de importação e influenciar preços internos de alimentos como óleos e proteínas.

A Conab monitora essa cadeia de forma sistemática. O programa Prohort da Conab realiza levantamentos mensais sobre comercialização de hortigranjeiros, com publicações programadas ao longo de todo o ano, o que permite acompanhar a evolução dos preços em tempo real nas centrais de abastecimento do Brasil.

Para o consumidor andreense, o recado é simples: o respiro de agosto é bem-vindo, mas não é hora de baixar a guarda. Planejar as compras, pesquisar preços e evitar desperdício continuam sendo as ferramentas mais eficazes disponíveis a quem precisa esticar o orçamento.

Perguntas Frequentes (FAQ)

1. Por que a cesta básica caiu em agosto em Santo André? A principal razão foi a chegada da safra paulista de cebola, que derrubou o preço do produto em 20,1% em relação a julho. O feijão carioca (-15%) e a batata (-15,4%) também contribuíram para o recuo de 2,64% no total da cesta.

2. Qual o valor da cesta básica em Santo André em agosto de 2026? R$ 1.219,26, segundo levantamento da Craisa (Companhia Regional Andreense de Abastecimento Integrado). Em julho, o valor estava em R$ 1.252,29 — o pico do ano.

3. Qual percentual do salário mínimo é comprometido pela cesta básica? Em agosto de 2026, a cesta básica em Santo André comprometeu 75,22% do salário mínimo vigente de R$ 1.621.

4. A queda de preços deve continuar nos próximos meses? Não há garantias. O engenheiro agrônomo da Craisa, Fábio Vezza, alertou que fatores como as eleições, os efeitos do El Niño e o cenário internacional dificultam projeções. A queda de agosto está ligada à sazonalidade da safra de cebola, que não se sustenta indefinidamente.

5. Quais produtos tiveram as maiores altas em 12 meses? A cebola liderou com 63,17% de aumento, seguida pelo feijão carioca (+29,80%), batata (+25,17%) e carne bovina de primeira (+20,06%).

6. Que dicas práticas ajudam a reduzir gastos no supermercado? Fazer lista antes de sair de casa, evitar compras por impulso, comparar preços em diferentes estabelecimentos e evitar ir ao mercado nos fins de semana ou logo após o quinto dia útil do mês, quando os preços tendem a ser mais altos.

Referências:


OPINIÃO

ABCTudo Paulista

Texto em que o autor apresenta e defende suas ideias e opiniões, a partir da interação de fatos e dados.
** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do ABCTudo/IT9.

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