A Copa do Mundo 2026 coloca em evidência um trabalho que normalmente fica longe das câmeras: a fisioterapia esportiva. Segundo André Setti, especialista da FMABC (Centro Universitário Faculdade de Medicina do ABC), a reabilitação de atletas de alto rendimento mudou de filosofia nos últimos anos — o objetivo deixou de ser apenas tratar a lesão e passou a ser manter o atleta ativo durante todo o processo. Lesões musculares na coxa são as mais comuns no futebol, enquanto a ruptura do ligamento cruzado anterior (LCA) é a mais temida, exigindo meses de reabilitação. O especialista alerta: acelerar o retorno aumenta o risco de recidiva, e sono e alimentação são tão decisivos quanto o tratamento clínico.
⚠️ Este artigo foi produzido com auxílio de Inteligência Artificial.
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O Lado da Copa do Mundo Que Não Aparece no Placar
Toda Copa do Mundo tem dois jogos acontecendo ao mesmo tempo. Um, visível, decidido em gols, faltas e pênaltis. O outro, silencioso, decidido em sala de fisioterapia, com gelo, exercícios isométricos e decisões que ninguém vê na tela — mas que determinam se um craque vai conseguir jogar a próxima fase ou assistir tudo do banco, machucado.
A cada edição do torneio, junto com a empolgação dos gols, vem a preocupação inevitável: o desgaste físico extremo a que os jogadores são submetidos. Em uma competição de alto nível, com jogos a cada três ou quatro dias, viagens longas e pressão emocional constante, a fisioterapia esportiva deixa de ser coadjuvante e se torna peça central da engrenagem.
André Setti, especialista em fisioterapia esportiva e professor do Centro Universitário FMABC, acompanha de perto essa transformação. Segundo ele, a reabilitação de atletas de alto rendimento evoluiu significativamente nos últimos anos. Hoje, o objetivo não é apenas tratar a lesão, mas manter o atleta ativo durante todo o processo de recuperação.
A Nova Filosofia da Recuperação: Manter o Atleta em Movimento
Treinar Ao Redor da Lesão, Não Apesar Dela
A mudança de paradigma é sutil, mas decisiva. Antigamente, lesão significava parar tudo. Hoje, significa adaptar tudo.
“Atualmente, buscamos retirar o atleta dos treinamentos o mínimo possível. Dependendo da lesão, é possível manter atividades que preservem o condicionamento físico, como exercícios para outros grupos musculares, trabalhos na piscina e atividades aeróbicas de baixa carga”, explica Setti.
Essa estratégia não é apenas uma questão de conforto ou produtividade. Ela tem uma razão fisiológica concreta: a perda do condicionamento físico pode prolongar o tempo necessário para o retorno às competições. Por isso, equipes multidisciplinares — fisioterapeutas, preparadores físicos, médicos, nutricionistas — trabalham de forma integrada para equilibrar recuperação e manutenção das capacidades físicas do atleta.
A Pressão do Calendário Contra o Tempo Biológico
Em grandes competições como a Copa, há uma força que nenhum protocolo clínico consegue ignorar completamente: a expectativa. Torcedores querem o craque em campo. Clubes querem o ativo de volta. Patrocinadores querem visibilidade. Essa pressão coletiva frequentemente empurra para que os atletas retornem mais rápido do que o recomendado.
Setti é direto sobre os riscos dessa pressa: “Acelerar a recuperação pode gerar efeitos tanto a curto quanto a longo prazo. O esporte de alto rendimento tem suas exigências e cobranças, mas é preciso respeitar o tempo biológico do organismo para evitar novos problemas.”
Não é um alerta genérico. Dados da literatura científica mostram que o retorno precoce está associado a maiores índices de reincidência de lesões musculares e articulares — especialmente em modalidades que exigem explosão, velocidade e mudanças bruscas de direção, exatamente o perfil de movimento do futebol.
As Duas Lesões Mais Temidas do Futebol
Lesão Muscular na Coxa Posterior: Comum, Mas Traiçoeira
No dia a dia do futebol, a lesão mais frequente acomete a região posterior da coxa — os músculos isquiotibiais. Embora geralmente apresente recuperação mais rápida do que algumas lesões ligamentares, ela exige atenção redobrada devido ao elevado risco de recorrência. É o tipo de lesão que “engana”: o atleta sente que já pode voltar, mas o tecido muscular ainda não está pronto para suportar a mesma carga de explosão.
Ligamento Cruzado Anterior: A Lesão Que Pode Mudar uma Carreira
Já a ruptura do ligamento cruzado anterior (LCA) é outra história. Considerada uma das mais temidas pelos atletas, costuma demandar meses de tratamento e reabilitação. Em alguns casos, mesmo após a recuperação clínica, o atleta pode encontrar dificuldades para retornar ao mesmo nível de desempenho.
Os números confirmam a gravidade. A reabilitação pós-cirúrgica da lesão de LCA dura entre 6 e 12 meses e inclui fortalecimento muscular, treino de equilíbrio e exercícios funcionais. Para o esporte de alto rendimento, como o futebol, o retorno para uma partida oficial é estimado atualmente para, pelo menos, 8 a 9 meses após a cirurgia.
Estudo conduzido no futebol brasileiro identificou 0,523 lesões de LCA a cada 1000 horas de jogo, com incidência maior em atletas mulheres (0,871 por 1000 horas) do que em homens (0,507 por 1000 horas).
Para efeito de comparação com outras estimativas médicas, especialistas em ortopedia apontam que o tempo médio de retorno sem restrições após a cirurgia varia de 9 a 12 meses, dependendo de lesões associadas e do protocolo de reabilitação adotado em cada caso.
Atleta Profissional x Praticante Comum: As Diferenças Que Importam
Apesar dos princípios fisiológicos da recuperação serem semelhantes, existem diferenças importantes entre atletas profissionais e praticantes comuns de atividade física. O metabolismo mais eficiente e o acompanhamento especializado permitem que atletas recuperem força e desempenho com maior rapidez do que a média da população.
Isso não significa, porém, que a fisioterapia esportiva seja exclusividade de quem joga uma Copa do Mundo. Pelo contrário. “Ela é recomendada para toda a população. Além de auxiliar na recuperação, tem papel importante na prevenção, no fortalecimento muscular e no desenvolvimento da consciência corporal, contribuindo para uma melhor qualidade de vida”, destaca o professor da FMABC.
O Que Mais Influencia a Recuperação Além do Tratamento Clínico
Há dois fatores que, segundo Setti, são tão decisivos quanto as sessões de fisioterapia em si: sono e alimentação.
Sono adequado: a privação de sono pode comprometer a regeneração muscular, aumentar o risco de lesões e reduzir o desempenho físico
Alimentação balanceada: uma nutrição adequada ajuda na reparação dos tecidos e na manutenção da energia durante todo o processo de reabilitação
“O sono adequado e a alimentação balanceada são fatores fundamentais para auxiliar na recuperação”, reforça o especialista.
Como Isso Afeta Você, Mesmo Longe dos Gramados Profissionais
Não é preciso ser atleta de elite para aplicar essas lições no dia a dia. Quem pratica esporte amador, corre no fim de semana ou simplesmente busca qualidade de vida pode se beneficiar da mesma lógica usada com craques da Copa: respeitar o tempo de recuperação, manter atividade física adaptada durante uma lesão (em vez de parar completamente), dormir bem e se alimentar de forma equilibrada.
A diferença entre o craque em campo no próximo jogo e o atleta no banco assistindo, muitas vezes, não está apenas no talento — está em decisões tomadas longe das câmeras, dentro de uma sala de fisioterapia, onde o tempo biológico do corpo é, no fim das contas, quem manda.
Perguntas Frequentes (FAQ)
1. Por que a fisioterapia é tão importante durante a Copa do Mundo? Porque os atletas enfrentam jogos sequenciais, viagens e desgaste físico intenso em curto período. A fisioterapia esportiva é responsável por garantir o retorno seguro às partidas e prevenir novas lesões, equilibrando recuperação com manutenção do condicionamento.
2. Qual é a lesão mais comum no futebol? Lesões musculares na região posterior da coxa são as mais frequentes. Têm recuperação geralmente mais rápida do que lesões ligamentares, mas apresentam alto risco de recidiva se o retorno for precipitado.
3. Quanto tempo leva a recuperação de uma lesão do ligamento cruzado anterior (LCA)? A reabilitação pós-cirúrgica costuma durar entre 8 e 12 meses, dependendo do protocolo, de lesões associadas e da resposta individual do atleta. O retorno a partidas oficiais de alto rendimento geralmente é estimado em pelo menos 8 a 9 meses.
4. Acelerar a recuperação de uma lesão é uma boa estratégia? Não, segundo o especialista da FMABC. Acelerar etapas pode gerar consequências a curto e longo prazo, incluindo maior risco de reincidência da lesão original.
5. A fisioterapia serve apenas para tratar lesões? Não. Ela também tem papel fundamental na prevenção, no fortalecimento muscular e no desenvolvimento da consciência corporal — sendo recomendada para toda a população, não apenas atletas profissionais.
6. O sono e a alimentação realmente influenciam a recuperação física? Sim. A privação de sono pode comprometer a regeneração muscular e aumentar o risco de lesões, enquanto uma alimentação balanceada auxilia diretamente na reparação dos tecidos durante a reabilitação.
Texto em que o autor apresenta e defende suas ideias e opiniões, a partir da interação de fatos e dados.
** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do ABCTudo/IT9.