Os funcionários dos Correios entraram em greve por tempo indeterminado a partir das 22h desta quinta-feira (10 de setembro de 2026). A paralisação foi aprovada em assembleias convocadas pela Findect (Federação Interestadual dos Empregados da Empresa Brasileira de Correios e Telégrafos e Similares) em diferentes regiões do país, após o encerramento sem acordo das negociações da campanha salarial. O principal ponto de divergência é o plano de saúdedos trabalhadores. Os Correios acionaram o Plano de Continuidade de Negócios e afirmam adotar medidas para manter as entregas. A estatal acumula R$ 5,6 bilhões de prejuízo no primeiro semestre de 2026 e vive 15 meses consecutivos de resultados negativos.
Greve dos Correios Por Tempo Indeterminado: O Que Travou as Negociações e O Que Pode Mudar Para Você
A greve dos Correios que muitos esperavam que fosse evitada na última hora não foi. A partir das 22h desta quinta-feira (10 de setembro de 2026), os funcionários da Empresa Brasileira de Correios e Telégrafos entraram em paralisação por tempo indeterminado. A decisão foi aprovada em assembleias realizadas pela Findect (Federação Interestadual dos Empregados da Empresa Brasileira de Correios e Telégrafos e Similares) em diferentes regiões do Brasil, após o encerramento das negociações da campanha salarial sem nenhum acordo entre trabalhadores e a empresa.
A greve dos Correios não é um evento isolado. A empresa enfrenta uma crise financeira estrutural e os trabalhadores carregam um histórico de paralisações que remonta a décadas — com disputas que geralmente giram em torno de reajuste salarial, benefícios e condições de trabalho. Desta vez, o estopim foi o plano de saúde, mas as reivindicações vão muito além disso.
O Que Motivou a Paralisação
Segundo a Findect, o colapso das negociações ocorreu porque os Correios propuseram mudanças na forma de participação da empresa no custeio do plano de saúde dos funcionários. Para a federação, essas alterações representam um retrocesso nos direitos adquiridos e colocam em risco a continuidade do benefício para os trabalhadores.
Mas o plano de saúde é apenas a ponta do iceberg. O conjunto completo de reivindicações da categoria inclui:
Manutenção do plano de saúde com participação da empresa no custeio
Redução dos gastos dos funcionários com o plano
Ampliação da cobertura do atendimento médico
Melhores condições de trabalho
Contratação de pessoal
Renovação da frota de veículos
Reajuste salarial
Manutenção de direitos historicamente conquistados
Com o início da paralisação, a Findect orientou os trabalhadores a ampliar a mobilização nas unidades dos Correiosem todo o país e cobrou uma nova proposta tanto da direção da estatal quanto do governo federal.
O Que os Correios Colocaram na Mesa Antes da Greve
A empresa não ficou em silêncio durante as negociações. Os Correios afirmaram ter apresentado uma proposta que contemplava 78 das 80 cláusulas do acordo coletivo vigente — um índice de convergência que a empresa considera alto, mas que os trabalhadores consideraram insuficiente nas duas cláusulas restantes.
Entre os itens da proposta dos Correios estavam reajuste de 100% do INPC (Índice Nacional de Preços ao Consumidor) sobre salários e benefícios, com validade a partir de 1º de agosto de 2026, além da manutenção da assistência à saúde dos empregados. A empresa argumenta que buscou uma solução negociada até o último momento — mas a Findect considerou a oferta insuficiente, especialmente no que diz respeito às mudanças no custeio do plano de saúde.
A Crise Financeira Dos Correios e o Plano de Reestruturação
A greve acontece em um momento de particular fragilidade financeira da empresa. Os Correios acumulam 15 meses consecutivos de resultados negativos e fecharam os primeiros seis meses de 2026 com um prejuízo de R$ 5,6 bilhões. É dentro desse contexto que a empresa tenta justificar as mudanças no custeio do plano de saúde e outras alterações nos benefícios dos trabalhadores.
Para enfrentar a crise, os Correios colocaram em prática um plano de reestruturação financeira para o período de 2025 a 2027. A estratégia inclui:
Esse contexto cria uma tensão estrutural: os trabalhadores veem o PDV e as mudanças nos benefícios como parte de um desmonte gradual das condições de trabalho, enquanto a empresa apresenta essas medidas como necessidades impostas pela realidade financeira.
A situação atual dos Correios tem paralelos com crises anteriores. Em dezembro de 2025, sindicatos iniciaram greve por tempo indeterminado em sete estados, também por impasse no acordo coletivo. Em novembro de 2023, trabalhadores em São Paulo, Rio de Janeiro, Maranhão e Tocantins anunciaram paralisação às vésperas da Black Friday. O padrão se repete: negociações que chegam ao limite do prazo, seguidas de assembleia e greve — às vezes revertida no TST, às vezes prolongada por semanas.
O Plano de Continuidade de Negócios Acionado Pelos Correios
Assim que o anúncio da greve foi confirmado pelas entidades sindicais, os Correios ativaram o chamado Plano de Continuidade de Negócios — um conjunto de medidas emergenciais para tentar manter a operação mesmo com a redução do contingente de trabalhadores. As ações adotadas incluem remanejamento de equipes, reforço das atividades operacionais e medidas logísticas alternativas.
A empresa garantiu que adotará tudo o que for possível para manter a regularidade das entregas e reduzir os impactos para clientes. Mas greves históricas nos Correios mostram que, dependendo da adesão, os impactos podem ser significativos. Em greve de setembro de 2014, que completou 20 dias sem acordo, Curitiba acumulou estimativa de 1,8 milhão de correspondências atrasadas e serviços como Sedex 10, Sedex Hoje e e-Sedex chegaram a ser suspensos.
Como a Greve dos Correios Pode Afetar Você
Para quem mora no Grande ABC ou em qualquer cidade do interior e capital do país, as consequências práticas de uma greve dos Correios por tempo indeterminado podem ser sentidas rapidamente:
Atrasos na entrega de encomendas, tanto pelo Sedex quanto pelo PAC
Correspondências bancárias, faturas e boletos com entrega retardada
Documentos oficiais e correspondências governamentais fora do prazo
Atraso em entregas de e-commerce, especialmente para quem usa os Correios como transportadora padrão
Paralisação eventual de serviços especiais como Sedex 10 e Sedex Hoje
Para quem tem encomenda a caminho ou aguarda documentos importantes, a recomendação é acompanhar o rastreamento pelo site oficial dos Correios e, quando possível, acionar o remetente para verificar se existe alternativa de entrega por outras transportadoras.
Para os negócios que usam os Correios como principal canal logístico — especialmente pequenos e médios lojistas do e-commerce —, a paralisação pode gerar atrasos que afetam a reputação perante os consumidores. Nesse caso, a alternativa imediata é acionar transportadoras privadas para envios urgentes enquanto a situação se resolve.
Perguntas Frequentes (FAQ)
1. Por que os funcionários dos Correios entraram em greve?
A paralisação ocorreu após o encerramento sem acordo das negociações da campanha salarial de 2026. O principal ponto de divergência é o plano de saúde: os Correios propuseram mudanças na forma de participação da empresa no custeio, e a Findect considera que isso representa um retrocesso nos direitos dos trabalhadores.
2. A greve é por tempo indeterminado?
Sim. A paralisação foi declarada por tempo indeterminado a partir das 22h de quinta-feira (10 de setembro de 2026), podendo ser encerrada caso haja acordo entre as partes ou decisão judicial do Tribunal Superior do Trabalho (TST).
3. As entregas dos Correios vão parar totalmente?
Não necessariamente. Os Correios acionaram o Plano de Continuidade de Negócios e adotaram remanejamento de equipes e reforço operacional para tentar manter as entregas. Porém, atrasos são esperados, e a magnitude do impacto depende do percentual de adesão à greve em cada estado.
4. O que os trabalhadores estão pedindo além do plano de saúde?
Entre as reivindicações estão reajuste salarial, melhores condições de trabalho, contratação de pessoal, renovação da frota de veículos e manutenção de direitos conquistados ao longo dos anos.
5. Qual é a situação financeira dos Correios?
A empresa acumula 15 meses consecutivos de resultados negativos e registrou prejuízo de R$ 5,6 bilhões no primeiro semestre de 2026. Para enfrentar a crise, os Correios executam um plano de reestruturação financeira 2025–2027, que inclui redução de despesas, venda de imóveis e PDV.
6. Como acompanhar o andamento das negociações?
Pelo site oficial da Findect e pelos comunicados da própria empresa. Em greves anteriores, as negociações foram mediadas pelo Tribunal Superior do Trabalho (TST), que pode convocar as partes para tentativa de conciliação.
7. O que fazer se eu estiver aguardando uma encomenda pelos Correios?
Acompanhe o rastreamento pelo site dos Correios. Se a entrega for urgente, entre em contato com o remetente para verificar a possibilidade de reenvio por transportadora privada. Em caso de compra em e-commerce, verifique a política de prazo da loja antes de abrir uma reclamação.
Texto em que o autor apresenta e defende suas ideias e opiniões, a partir da interação de fatos e dados.
** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do ABCTudo/IT9.