A Farmácia do Componente Especializado da Assistência Farmacêutica (FCEAF) do Hospital Estadual Mário Covas, em Santo André, iniciou nesta semana uma reestruturação que reduziu o tempo médio de espera de 2h01 para menos de 50 minutos já no primeiro dia — uma queda de cerca de 60%. A unidade, mais conhecida como farmácia de alto custo, passou a operar com 19 guichês simultâneos, seis a mais que o habitual. A partir de 5 de outubro, cinco novos colaboradores se incorporam à equipe fixa, consolidando a operação regular com 18 profissionais nos guichês. A unidade atende hoje uma média de 27.220 pessoas por mês.
Farmácia de alto custo do Mário Covas: espera de 2 horas vira menos de 50 minutos
Quem vai até a Farmácia do Componente Especializado da Assistência Farmacêutica (FCEAF) do Hospital Estadual Mário Covas (HEMC), em Santo André, já percebe uma diferença. O serviço que tinha tempo médio de espera de 2h01 ao longo de 2026 — o suficiente para percorrer a distância entre Santo André e o centro de São Paulo de carro no trânsito — passou a entregar atendimento em menos de 50 minutos já no primeiro dia da nova operação.
A redução é de cerca de 60% e resulta de uma reestruturação iniciada nesta semana pelo próprio hospital. Nesta quinta-feira (1º de outubro) e na sexta-feira, a unidade passou a funcionar com 19 guichês ativos simultaneamente, contra os 13 que vinham sendo utilizados regularmente.
A farmácia de alto custo do Mário Covas é uma referência antiga para pacientes com doenças crônicas de toda a região do Grande ABC. Quem depende de medicamentos especializados — tratamentos para artrite reumatoide, esclerose múltipla, doenças raras e outras condições que não estão disponíveis nas farmácias comuns — conhece bem a fila de horas que precedia a retirada dos remédios. Para muitos, essa fila era parte do custo invisível de se manter com saúde.
O que mudou do dia para a noite
A mudança imediata teve uma solução criativa e prática. Para não esperar a conclusão de novas contratações, o Hospital Estadual Mário Covas redistribuiu seus profissionais. Colaboradores passaram a atuar em contraturno e em horas extras nesta quinta e sexta-feira, permitindo colocar os 19 guichês em funcionamento ao mesmo tempo.
Foi com essa nova configuração, sem qualquer gasto de capital adicional em infraestrutura física, que o tempo médio de espera caiu para menos de 50 minutos logo no começo do projeto. O resultado mostra que parte do problema estava na alocação dos profissionais disponíveis, não apenas na quantidade absoluta de funcionários.
A partir de segunda-feira (5 de outubro de 2026), a solução emergencial dá lugar a uma mudança permanente. Cinco novos colaboradores passarão a integrar de forma fixa o atendimento nos guichês, consolidando a operação regular com 18 profissionais nessa função — um aumento de 13 para 18, ou seja, 38% a mais de capacidade na linha de frente.
A história por trás do problema: como a farmácia chegou a esse ponto
Da descentralização à sobrecarga
Para entender a reestruturação de 2026, é preciso olhar para o que aconteceu nos anos anteriores. Em 2018, a FCEAFdo Mário Covas operava com 75 colaboradores e atendia mais de 40 mil pacientes cadastrados. Naquele momento, era a única referência para a distribuição de medicamentos especializados em toda a região.
A descentralização veio em 2019. O governo do Estado e a Prefeitura de São Bernardo inauguraram a primeira unidade descentralizada da farmácia de alto custo no Poupatempo de São Bernardo do Campo, atendendo 12 mil pacientes que antes iam ao Mário Covas. Pouco depois, o Governo de SP inaugurou a Farmácia de Alto Custo em São Caetano do Sul, para atender os cerca de 4,2 mil pacientes sul-caetanenses que retiravam medicamentos no Mário Covas.
Com a abertura das novas unidades, a demanda no Hospital Mário Covas caiu e 11 funcionários foram transferidos para as outras unidades. A equipe que ficou reduziu para 64 colaboradores. Fazia sentido: o volume tinha diminuído.
O retorno da demanda sem recomposição da equipe
O que não estava previsto era o ritmo com que o movimento voltaria a crescer. Depois de cair para cerca de 20 mil atendimentos mensais em 2020 e 2021, a procura pela FCEAF do Mário Covas cresceu progressivamente ano após ano. Em 2026, a média chegou a 27.220 atendimentos mensais, e nos períodos de maior demanda a unidade se aproxima dos 30 mil.
Para comparar: em 2018, com 75 funcionários, a unidade fazia 413 atendimentos mensais por colaborador. Em 2026, com os mesmos 64 profissionais de 2019, a média chegou a 425 atendimentos por funcionário — e nos meses de pico, alcançou 469. A carga de trabalho cresceu, mas a equipe ficou parada no tempo.
Esse descompasso entre a demanda crescente e o quadro de pessoal estagnado é a raiz da fila de duas horas. Não era um problema de gestão no sentido mais estreito da palavra — era um problema estrutural acumulado ao longo de anos que precisava de uma intervenção.
O histórico da unidade mostra que essa não é a primeira vez que a fila se torna um problema público. Já em 2007, uma indicação parlamentar à Assembleia Legislativa denunciava a situação da farmácia de alto custo do Mário Covas, com quatro funcionárias para cerca de 1.000 pacientes diários e filas intermináveis sob sol e chuva. A versão 2026 do problema tem escala muito maior, mas a mesma essência: mais pessoas do que o sistema conseguia atender.
O pacote de mudanças além dos guichês
O que ainda está por vir
A ampliação imediata dos guichês e a contratação de novos colaboradores são a camada mais visível da reestruturação. Mas o projeto prevê mudanças em diferentes etapas do atendimento:
Atualização do sistema interno de gestão da farmácia;
Agendamento por faixa horária, tanto presencial quanto remoto;
Adequações na triagem para organizar melhor o fluxo de chegada dos pacientes;
Análise de reagendamento por WhatsApp, para casos em que o paciente não puder comparecer no horário previsto;
Ampliação do atendimento telefônico para tirar dúvidas e evitar deslocamentos desnecessários;
Reforço da orientação aos usuários no saguão, com informações sobre o fluxo e o tempo esperado;
Instalação de ar-condicionado no local, com conclusão prevista para esta semana.
Esse conjunto de medidas mostra que a gestão do Hospital Mário Covas não está tratando o problema apenas como um déficit de pessoal. A fila de duas horas era um sintoma — e os sintomas costumam ter mais de uma causa.
O que a instalação de ar-condicionado revela
Pode parecer detalhe, mas a instalação de ar-condicionado na FCEAF merece menção. Quem já esperou horas em um ambiente fechado, muitas vezes em companhia de idosos e pessoas com condições crônicas de saúde, sabe que o conforto térmico não é luxo. É uma questão de dignidade no atendimento a pacientes que já têm a saúde fragilizada.
O fato de esse item estar incluído na lista de melhorias imediatas indica que o projeto está olhando para a experiência completa do usuário, não apenas para os números de produtividade.
Como isso muda a vida de quem depende da farmácia
Dois horas de espera em uma fila têm custos reais para quem depende da farmácia de alto custo. Há o custo do transporte para ir e voltar em um segundo dia caso o tempo não seja suficiente. Há a perda de meio dia de trabalho. Há o desgaste físico de pessoas que, em muitos casos, precisam de medicamentos justamente porque têm limitações para ficar em pé por longos períodos.
A queda para menos de 50 minutos não resolve todos esses problemas, mas muda substancialmente o cálculo. Ir ao Hospital Mário Covas retirar um medicamento deixa de ser uma operação que ocupa o dia inteiro.
A expectativa do próprio hospital é que as demais medidas do pacote — especialmente o agendamento por faixa horária e o atendimento remoto — possam reduzir ainda mais a lotação simultânea do espaço, distribuindo melhor o fluxo ao longo do dia e da semana.
Perguntas Frequentes (FAQ)
1. O que é a farmácia de alto custo do Hospital Mário Covas?
É a Farmácia do Componente Especializado da Assistência Farmacêutica (FCEAF), que distribui medicamentos especializados para pacientes com doenças crônicas e condições que exigem tratamentos não disponíveis nas farmácias comuns.
2. Qual era o tempo médio de espera antes da reestruturação?
A média de espera registrada ao longo de 2026 era de 2h01.
3. Qual é o novo tempo de espera?
Já no primeiro dia da nova operação, o tempo médio caiu para menos de 50 minutos, uma redução de cerca de 60%.
4. Quantos guichês passaram a funcionar?
A unidade passou de 13 guichês regulares para 19 em funcionamento simultâneo nesta quinta e sexta-feira.
5. Quantos novos colaboradores serão contratados?
Cinco novos colaboradores passam a integrar a equipe fixa a partir de 5 de outubro, elevando o total de profissionais nos guichês de 13 para 18.
6. Quantos pacientes a farmácia atende por mês?
A média atual é de 27.220 atendimentos mensais, chegando a perto de 30 mil nos períodos de maior procura.
7. Por que a fila cresceu tanto nos últimos anos?
A demanda voltou aos patamares de 2018 depois de cair entre 2020 e 2021, mas o quadro de funcionários não foi recomposto após a descentralização de 2019, gerando um desequilíbrio crescente.
8. O que mais está previsto na reestruturação?
Agendamento por faixa horária, análise de reagendamento por WhatsApp, ampliação do atendimento telefônico, atualização do sistema interno, adequações na triagem, reforço da orientação no saguão e instalação de ar-condicionado.
Este conteúdo possui caráter informativo e não substitui o diagnóstico feito em consulta médica.
Em caso de dúvidas ou aparecimento de sintomas mencionados neste artigo procure um profissional de saúde qualificado para obter um diagnóstico preciso.
Lembre-se a automedicação pode ocasionar graves complicações.
OPINIÃO
ABCTudo Paulista
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