Palmeiras perde ponta e fala de Abel explode


Tempo estimado para leitura 11 minutos

  •   Publicado em: 07 de setembro de 2026

No domingo, 6 de setembro de 2026, o Palmeiras empatou em 0 a 0 com o Botafogo, no Nilton Santos, pela 26ª rodada do Campeonato Brasileiro. O Flamengo venceu o Remo por 1 a 0 e assumiu a liderança pela primeira vez no ano, com 54 pontos contra 53 do alviverde. Na coletiva, Abel Ferreira falou em desfrutem, comparou elencos, cobrou o rival e questionou microfones à beira do campo. Parte da torcida leu a fala como descaso depois da ponta perdida. O texto reconstitui o jogo, as frases do técnico e o que as reportagens registraram, sem acrescentar o que não foi dito.

Tempo restante: 00:00

Quem acompanha o Palmeiras desde a infância conhece o gosto amargo de ver a tabela virar no Rio. Desta vez a virada não veio de um gol sofrido no fim. Veio de um 0 a 0 no Engenhão e de um 1 a 0 do Flamengo em Belém. O alviverde, líder desde a sétima rodada, deixou a ponta depois de meses na frente. E a noite não acabou no apito. Acabou na sala de imprensa, onde Abel Ferreira empilhou frases que, nas horas seguintes, rodaram mais do que o placar.

O empate que tirou o Palmeiras da ponta

O Palmeiras visitou o Botafogo no Nilton Santos precisando vencer para não entregar a vantagem de um ponto sobre o Flamengo. O jogo da 26ª rodada terminou sem gols. O time de Abel teve posse e volume, mas não colocou a bola na rede. Nos acréscimos, Alexander Barboza recebeu o segundo amarelo e foi expulso no estádio em que defendeu o clube carioca até o começo da temporada.

Com o empate, o alviverde ficou com 53 pontos e caiu para segundo. Horas antes, o Flamengo de Leonardo Jardim havia vencido o Remo por 1 a 0, gol de Samuel Lino, e chegou a 54. Foi a primeira vez que o rubro-negro assumiu a liderança neste Campeonato Brasileiro. Restam 12 rodadas. Os dois ainda se enfrentam no Nubank Parque, na 36ª rodada. No primeiro turno, em maio, o Palmeiras havia ganhado por 3 a 0 no Maracanã.

O Botafogo somou 31 pontos e ficou na 13ª posição. Para o alvinegro, o 0 a 0 encerrou uma sequência de três derrotas, embora a equipe siga sem vencer há cinco jogos. Ancelotti acompanhou a partida no estádio.

O que o jogo no Nilton Santos mostrou

Reportagens do Lance e da CBN descreveram um Palmeiras que controlou a bola e recuou em eficácia. O time trocou mais de 600 passes, deu 120 no último terço e finalizou 17 vezes, quatro no gol. Gabriel Batista, goleiro do Botafogo, foi apontado como o melhor em campo do lado carioca. Abel repetiu o diagnóstico: nas chances que surgiram, com bola rolando e em bola parada, o Palmeiras não marcou. “Nas oportunidades que tivemos, não fomos capazes de introduzir a bola no gol adversário. E acho que ficou bem evidente que o goleiro do nosso adversário foi o melhor elemento deles.”

O Botafogo fechou espaços e saiu em contra-ataques. A melhor chance do primeiro tempo foi dos donos da casa. As substituições não mudaram o placar. No fim, com um a menos, o Palmeiras ainda buscou o gol e não encontrou. A chuva no Rio e o ritmo cadenciado da segunda etapa apareceram nas crônicas do jogo como pano de fundo de um 0 a 0 que pesou mais na tabela do que no gramado.

A sequência recente do alviverde ajuda a explicar por que a ponta cedeu. O Palmeiras era líder desde a sétima rodada, a partir de meados de março, e chegou a abrir nove pontos para o Flamengo. Nos jogos mais recentes, venceu apenas um, empatou três e perdeu um. O Flamengo, no sentido contrário, venceu quatro dos últimos cinco, com uma derrota, e ganhou impulso ao bater o Mirassol em jogo atrasado da quarta rodada.

Como o Flamengo assumiu a liderança

A conta da rodada foi simples e pública. O Palmeiras não venceu. O Flamengo venceu. Um ponto separa os dois. Abel, perguntado sobre a perda da liderança, resumiu sem rodeio: “Faltou fazer mais pontos do que o nosso adversário, nada mais.”

A frase é factual. Na leitura da torcida, ela soou curta demais para uma noite em que o time teve 17 finalizações e saiu do primeiro lugar. O técnico deslocou o foco para o calendário e para o rival. Disse que o Palmeiras não abre mão de nenhuma competição e que tenta ganhar as três. Na quarta-feira seguinte, o alviverde recebe a LDU, no jogo de ida das quartas da Libertadores, às 19h. No sábado, enfrenta o São Paulo no Nubank Parque, às 18h30, de volta ao Brasileirão. O Flamengo, no mesmo período, visita o Independiente del Valle.

TimePontos após a 26ª rodadaPosição
Flamengo54
Palmeiras53
Botafogo3113º

A coletiva de Abel e o que foi ouvido

A coletiva no Nilton Santos misturou o jogo, a tabela, a arbitragem e o processo no STJD. Três blocos de fala saíram dali e tomaram caminhos diferentes. Um falava do Flamengo e de obrigação. Outro falava de microfones e de “Big Brother”. Um terceiro usava o verbo desfrutem para tratar da fase do Palmeiras. Foi esse verbo que, no dia seguinte, a colunista Milly Lacombe descreveu como palavra mal escolhida, lida pela arquibancada como afastamento no momento em que a ponta acabava de escapar.

O “desfrutem” e a comparação com o Flamengo

Segundo a coluna publicada no UOL em 7 de setembro, Abel usou “desfrutem” ao falar da fase do Palmeiras depois do empate. No recorte da autora, a intenção aparente era lembrar que o time segue entre os mais competitivos do ano, que é difícil ganharem dele, que a força não começou ontem e que o Brasileirão ainda tem caminho. O verbo, no entanto, chegou à torcida no instante errado: logo após a perda da liderança, numa sequência de resultados curtos. Comentários na transmissão oficial da coletiva repetiram a mesma leitura — a de que “desfrutar” soou deslocado para quem via a ponta ir embora.

A outra frase que circulou com força foi a comparação com o Flamengo. Abel disse:

“Poderíamos estar jogando com Endrick, Estêvão, Allan, Vitor Reis e outros tantos. Portanto, quando vocês olham para os últimos anos, o que tem acontecido é que o Palmeiras pode comprar, tentar comprar para equilibrar, mas comparem, por exemplo, onde é que treinou o treinador do Palmeiras e, por exemplo, o treinador do Flamengo. Onde jogaram os jogadores do Palmeiras e onde jogaram os do Flamengo. Portanto, tem uma equipe, sim, que tem a obrigação de fazer muito mais, e nós estamos sempre a competir com ela.”

No Lance, o trecho foi apresentado como transferência de favoritismo: o técnico aponta o elenco e o histórico do rival e diz que o rubro-negro tem obrigação de render mais, enquanto o Palmeiras compete com ele. Em recortes nas redes e em comentários de vídeo, a mesma fala foi lida como rebaixamento do próprio grupo — como se o Palmeiras entrasse em campo já desobrigado. O texto da entrevista não diz isso. Diz que há uma equipe com obrigação de fazer mais e que o Palmeiras compete com ela. A distância entre a frase e a leitura é o que transformou a coletiva em caso.

Abel acrescentou que agradece palavras de Ancelotti, que o clube não abre mão de nenhuma competição e que fará o possível para tentar ganhar as três. O calendário do Palmeiras, de fato, segue triplo: Brasileirão, Copa do Brasil e Libertadores. O técnico voltou a afirmar que não prioriza um torneio em detrimento dos outros dentro das possibilidades do elenco atual.

Microfones, STJD e a arbitragem

Antes do jogo no Rio, Abel já estava no centro de outro episódio. Na sexta-feira, a 3ª Comissão Disciplinar do STJD o suspendeu por dois jogos por ter chutado um microfone no empate com o Mirassol, pela 25ª rodada. O Palmeiras recorreu e obteve efeito suspensivo, o que permitiu ao português comandar a equipe contra o Botafogo. No recurso, o clube sustentou que o relator havia votado pela absolvição das imputações do artigo 258 do Código Brasileiro de Justiça Desportiva, que trata de conduta contrária à disciplina ou à ética desportiva. O julgamento no Pleno segue em aberto.

Na coletiva, Abel ligou o tema dos microfones à cobrança que recebe à beira do campo. Questionou a quantidade de aparelhos junto ao banco, comparou com Liga dos Campeões, Mundial de Clubes, Liga Europa e seleções, e perguntou: “É o Big Brother? Estamos no Big Brother?” Pediu que, da próxima vez, em vez de três microfones, colocassem quatro. E afirmou que não vai mudar a essência: é supercompetitivo, odeia perder e tem os seus demônios, “como todos têm dentro”. O pedido final foi de critério igual — no STJD e no árbitro dentro de campo.

Sobre o processo, disse que o árbitro do jogo com o Mirassol tomou ciência do chute no microfone e não atuou no campo. “Eu passei de zero jogos para um e depois dois. A única coisa que eu peço é que, se a lei existe, ela tem que ser igual para todos.” Também cobrou a lei no jogo contra o Botafogo. Citou a entrada de sola de Ferraresi em Andreas Pereira, que já tinha amarelo, e a expulsão de Barboza no fim. Pediu vermelho para Marçal e Ferraresi por faltas em Andreas. “A única coisa que eu peço, como qualquer cidadão brasileiro ou europeu, é que a lei seja seguida. É seguir as leis.”

Anderson Barros, diretor de futebol do Palmeiras, falou na zona mista no mesmo tom. Reconheceu esforço da CBF para melhorar a arbitragem e afirmou que erros ainda comprometem partidas. Citou o lance de Marçal em Andreas: na avaliação do dirigente, era expulsão, “o jogador vinha em direção ao gol”. O árbitro da partida foi Rodrigo José Pereira de Lima.

O que muda na tabela e na sequência

A perda da liderança não encerra o Brasileirão. Encerra um domínio que durava desde a sétima rodada. Dezenove rodadas na ponta viraram um ponto de atraso. O confronto direto de novembro no Nubank Parque ficou ainda mais carregado. A Libertadores, três dias depois do empate no Rio, entra no calendário sem folga. Barboza, expulso, vira desfalque no Choque-Rei contra o São Paulo.

Abel descreveu o próprio estilo sem pedir licença à reação da plateia. “Não vou mudar a minha essência.” A coluna de Milly Lacombe, no dia seguinte, separou conteúdo e forma: concordou com parte das queixas sobre cobrança, microfone e critério; apontou o verbo desfrutem como o ponto em que a fala acertou no fígado da torcida que, até ali, ainda aplaudia o trabalho. Não há, nesse registro, pedido institucional de saída. Há o registro de um mal-entendido que nasceu de uma palavra e de um placar.

O Palmeiras segue vivo nas três frentes. O Flamengo assume a ponta pela primeira vez no ano. Entre os dois, um ponto e uma coletiva em que o técnico falou de obrigação, de lei, de microfone e de desfrutar — e em que cada trecho ganhou um endereço diferente: uns ouviram comparação de elenco, outros ouviram deboche, outros ouviram só o 0 a 0 no Rio e a tabela atualizada na segunda-feira.

Perguntas Frequentes (FAQ)

1. Por que o Palmeiras perdeu a liderança do Brasileirão? Porque empatou em 0 a 0 com o Botafogo, no Nilton Santos, pela 26ª rodada, enquanto o Flamengo venceu o Remo por 1 a 0 e chegou a 54 pontos. O Palmeiras ficou com 53.

2. Desde quando o Palmeiras era líder? Desde a sétima rodada, a partir de meados de março. Chegou a abrir nove pontos para o Flamengo antes da sequência recente de um triunfo, três empates e uma derrota.

3. O que Abel Ferreira disse sobre o Flamengo? Disse que há uma equipe com obrigação de fazer muito mais, comparou onde treinaram os técnicos e onde jogaram os atletas dos dois clubes, e afirmou que o Palmeiras compete com esse rival.

4. Por que a fala “desfrutem” repercutiu mal? Porque foi usada na coletiva logo após a perda da ponta. Coluna no UOL descreveu o verbo como mal escolhido: a ideia de valorizar a fase competitiva chegou à torcida como descaso.

5. Abel estava suspenso e mesmo assim comandou o time? O STJD aplicou dois jogos de suspensão pelo chute no microfone contra o Mirassol. O Palmeiras obteve efeito suspensivo, e Abel pôde ficar no banco contra o Botafogo.

6. Quais são os próximos jogos do Palmeiras? Libertadores contra a LDU, na quarta-feira, às 19h, jogo de ida das quartas no Nubank Parque, e Brasileirão contra o São Paulo no sábado, às 18h30.

Referências

Palmeiras, Abel Ferreira, liderança, Campeonato Brasileiro, Flamengo, Botafogo, desfrutem, STJD, Libertadores, Brasileirão 2026


OPINIÃO

ABCTudo Paulista

Texto em que o autor apresenta e defende suas ideias e opiniões, a partir da interação de fatos e dados.
** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do ABCTudo/IT9.

Reportar Erro no Artigo

Copyright © Hospedado e Monitorado - ABCTUDO Todos os direitos reservados.