Rodízio de Carros Tradicional: Bruno Covas Anuncia Retomada 18/05

Mudança foi anunciada neste domingo (17) após medida mais restritiva e ampliada não surtir efeito no índice de isolamento. Prefeito enviou à Câmara projeto que prevê antecipação de feriados municipais para tentar fazer a 'cidade parar'.

Rodízio de Carros Tradicional: Bruno Covas Anuncia Retomada 18/05

Rodízio de Carros Tradicional: Bruno Covas Anuncia Retomada a partir de 18/05: Mudança foi anunciada neste domingo (17) após medida mais restritiva e ampliada não surtir efeito no índice de isolamento. Prefeito enviou à Câmara projeto que prevê antecipação de feriados municipais para tentar fazer a ‘cidade parar’.

Rodízio de Carros Tradicional: Bruno Covas Anuncia Retomada 18/05

O prefeito de São Paulo, Bruno Covas (PSDB), anunciou na manhã deste domingo (17) a retomada do rodízio tradicional de carros na cidade. A medida entra em vigor a partir desta segunda-feira (18).

“Vamos publicar na edição extra do Diário Oficial deste domingo a retomada do rodízio tradicional a que estamos acostumados”, afirmou em coletiva de imprensa virtual.

Segundo o prefeito, o rodízio ampliado e mais restritivo, que entrou em vigor na segunda-feira (11), não surtiu efeito no índice de isolamento da cidade, que se manteve abaixo do esperado pela gestão municipal.

“Não tem sentido a gente exigir esse esforço sobrenatural das pessoas se, do ponto de vista prático, a única razão para qual o rodízio (ampliado) foi feito, que é aumentar o isolamento social, não foi cumprida. Continuamos abaixo dos 50%”, disse Covas.

Com o novo decreto, o rodízio volta a restringir a circulação de veículos de acordo com o número final da placa e o dia da semana, apenas no centro expandido e nos horários de pico, como era realizado anteriormente:

  • Segunda-Feira:
    • Final de placa 1 e 2
  • Terça-Feira
    • Final de placa 3 e 4
  • Quarta-Feira:
    • Final de placa 5 e 6
  • Quinta-Feira:
    • Final de placa 7 e 8
  • Sexta-Feira:
    • Final de placa 9 e 0
  • Na semana passada, na tentativa de desestimular a circulação de pessoas, a Prefeitura de São Paulo endureceu as regras de circulação de carros na cidade.

Pela determinação, veículos com placas de final par só poderiam rodar em dias da semana pares, e veículos com final ímpar, nos dias ímpares. A medida valia por toda a cidade, durante as 24 horas do dia, inclusive aos sábados e domingos.

Entretanto, os índices seguem semelhantes aos contabilizados anteriormente, quando o governo já se preocupava com o desrespeito da população à quarentena.

Na terça-feira, 6 de maio, a taxa registrada foi de 47%, assim como na terça, 12. Nesta sexta (14), na capital, o número sofreu queda em relação ao dia anterior e chegou a 48%.

“Houve apenas uma pequena melhora no único índice que temos. O único índice disponível para medir o isolamento, baseado em localização de celulares em relação à antenas de sinal. Comparando a sexta-feira dia 8, com a sexta-feira dia 15, subimos apenas dois pontos percentuais, passando de 46% para 48% de isolamento, mantendo-se abaixo de 50%”, afirmou o prefeito neste domingo.

O rodízio foi a segunda estratégia da prefeitura para tentar ampliar a taxa de isolamento social. Dias antes, a gestão municipal chegou a fazer bloqueios em grandes vias da cidade. A medida foi bastante criticada, pois afetou profissionais de serviços essenciais, principalmente da área da saúde.

Multas no período do Rodizio

Ainda de acordo com Covas, as multas aplicadas durante os sete dias em que o rodízio restritivo permaneceu em vigor serão mantidas. “Quem foi multado, foi multado”, garantiu.

Covas disse, porém, que os recursos solicitados para liberação durante tal período serão avaliados e os prazos só começarão a contar após o término da pandemia.

Lockdown

Durante a coletiva, Covas defendeu a necessidade de paralisação para conter o avanço da doença. O prefeito disse que a gestão municipal, após duas tentativas de controle de fluxo, se vê com poucos recursos para alterar o índice.

“Precisamos ampliar o isolamento. Precisamos rápido e estamos ficando sem alternativas.”

E destacou que a gestão municipal não tem estrutura para fechar a cidade isoladamente.

“Antes de pensarmos em abrir, precisamos parar. Mas é preciso dizer que a prefeitura, sozinha, não tem todos os principais instrumentos para fechar totalmente a cidade. Nossa competência constitucional em segurança é muito limitada. Não há no mundo caso de autoridade pública sem poder de polícia, sem segurança pública, que consiga implantar um lockdown. Além disso, a capital não é uma ilha como a Nova Zelândia. Não somos isolados do mundo.”

Antecipação de Feriados

O prefeito disse que enviou, neste domingo (17), à Câmara Municipal, um projeto em regime de urgência propondo a antecipação de feriados municipais como estratégia para alterar a taxa de isolamento social, enquanto um possível fechamento da cidade é elaborado pelo governo.

“A cidade de São Paulo é sócia-minoritária, mas não controla o Metrô nem os trens. São Paulo precisa desacelerar ainda mais por um dias para diminuir novamente o ritmo de contágio e salvar vidas. Enquanto devemos nos preparar para essa tarefa gigantesca e inédita, precisamos ser criativos e usar todos os instrumentos que estão ao nosso alcance.”

A ideia, de acordo com Covas, é fazer uma “pausa forçada” na cidade. “Me resta na manga o uso de feriados municipais. Estou enviando para a Câmara o projeto de lei para antecipar os dois últimos feriados municipais de Corpus Christi e Consciência Negra. [Eles] seriam neste ano como pontos facultativos. Vamos manter as datas, mas sem o feriado obrigatório”, afirmou.

O prefeito afirmou que vai sugerir ao governador João Doria (PSDB) que faça o mesmo no feriado de 9 de Julho, data do aniversário da Revolução Constitucionalista de 1932.

O presidente da Câmara, o vereador Eduardo Tuma (PSDB), também presente na coletiva, disse que o projeto entra em pauta no legislativo municipal já nesta segunda-feira (18). A expectativa do governo é a de conseguir aprovação até terça (19).

Risco de Colapso

O secretário municipal de Saúde, Edson Aparecido, disse neste domingo (17) que as mortes por coronavírus subiram 432% em menos de um mês na cidade de São Paulo.

Segundo o secretário, há muito mais casos suspeitos da doença do que confirmados até então.

Ele também informou que o sistema de saúde municipal poderá estar comprometido em 15 dias se novas medidas não forem tomadas.

Cidade de São Paulo (casos de Covid-19):

  • 135.348 pessoas suspeitas da doença
  • 38.479 casos confirmados
  • 2.766 óbitos confirmados
  • 3.143 óbitos suspeitos

“De 9 de abril a 15 de maio, houve aumento de 432% no número de mortos na nossa cidade. Como disse o prefeito, dos 840 leitos, 89% deles estavam ocupados. Sendo que, em 6 hospitais, chegamos à capacidade de leitos operacionais de 100% da ocupação”, disse Aparecido.

“Até 23 de abril, tínhamos a média de 812 casos de notificação por dia. Chegamos na noite de ontem à notificação de 3.867 casos por dia”, salientou o secretário.

“Em 15 dias, o sistema de saúde de São Paulo estará profundamente comprometido, mesmo com todo o esforço feito até agora na ampliação de leitos. Isso tudo será insuficiente para o grau de evolução que nós temos neste momento da doença”, acrescentou Aparecido.

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