A pé por Santo André

A pé por Santo André
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 Absorver experiências, conhecer e mudar é parte do amadurecimento das pessoas. Mas nem sempre é possível ir para longe, outros locais do Brasil e Exterior, para isso. Muitas vezes basta reparar no que está ao nosso lado. Em Santo André, por exemplo, durante giro de uma manhã ou uma tarde pelo Centro da cidade, é possível ver bastante coisa que, muitas vezes, por conta da correria da vida, acaba passando sem a devida atenção. Por conta disso, o Diário montou um roteiro fácil e gratuito, para ser feito sem pressa e na caminhada.
O passeio deve partir do Paço Municipal, espaço tombado pelo Conselho de Defesa do Patrimônio Histórico do Estado de São Paulo e onde antes era a Chácara Bastos. As obras para o Centro Cívico começaram em 1966 e o complexo foi inaugurado aos poucos, até 1971. O projeto arquitetônico do local é assinado por Rino Levi (1901-1965), grande nome modernista do País, e o paisagismo é de ninguém menos do que Roberto Burle Marx (1909-1994). O único espaço que não faz parte do projeto original, apesar de respeitar seu estilo, é o Fórum andreense, assinado pelo arquiteto Jorge Bonfim e inaugurado ainda nos anos 1970.

No saguão do Teatro Municipal, no mesmo espaço, tem uma obra imperdível para quem gosta de arte. É o Tríptico, de Burle Marx, feito em concreto e que fica na parede, logo na entrada. Há um café no local para quem quiser sentar, relaxar e fazer o passeio sem pressa.
Fora do saguão, ao lado da fonte de água do Paço, vale apreciar a obra em vermelho da artista plástica Tomie Ohtake (1913-2015) batizada de Monumento ao Trabalhador. Inaugurada em 2013 com presença da criadora, a peça foi um presente do Sindicato dos Metalúrgicos de Santo André e Mauá à cidade. Ela conta com 12 metros de altura e pesa 15 toneladas.
Do Paço, siga a pé para a Rua Coronel Oliveira Lima, cujo piso remete às obras do artista plástico andreense Luiz Sacilotto (1924-2003) e, de lá vá até à Praça do Carmo, onde fica a Catedral Nossa Senhora do Carmo, erguida a partir de doações, como as para o mecanismo do relógio da torre, feitas por profissionais de medicina e farmácia.
A história da paróquia começa em 1919, com o lançamento da pedra fundamental. A construção foi sendo feita, pouco a pouco, até os anos 1950. Dentro da paróquia, aprecie sem pressa os afrescos dos irmãos Enrico e Fernando Bastiglia, criados entre os anos de 1952 e 1957.
Se o passeio for aos sábados, a Praça do Carmo recebe feira com objetos artesanais como bolsas, caminhos de mesa e sandálias, entre outras coisas. Gastronomia não fica de fora. Vale experimentar as comidas mexicanas do Tchicano Ai Ai Ai. Há ainda acarajé, pastel, fogazza e comida japonesa, além de doces.
Ali mesmo, na mesma praça, entre na Casa da Palavra Mário Quintana (4427-7701) e volte no tempo com suas janelas e escadaria preservadas. Tombado pelo Comdephaapasa (Conselho Municipal de Defesa do Patrimônio Histórico, Artístico, Arquitetônico-Urbanístico e Paisagístico de Santo André), o local serve de espaço cultural aberto às manifestações da palavra e está instalado em belo casarão erguido no início dos anos 1920 para servir de residência a Antonio Queirós dos Santos (que morreu antes de morar ali) e de sua mulher, Paulina.
Dono, à época, de muitas terras na cidade, foi doador para a construção da igreja do Carmo – com 400 contos de réis – e também para o primeiro hospital de Santo André, onde hoje funciona o Centro Hospitalar Municipal.
No mesmo quarteirão, na Rua Campos Sales, 414, está a Casa do Olhar Luiz Sacilotto (4992-7730). O local serve de espaço para o universo das artes visuais e está sempre de braços abertos para a população. E não precisa entender de artes plásticas para realizar a visita. A casa, por si só, já vale a entrada.
Também dos anos 1920, foi erguida para morar Bernardino Queirós dos Santos e sua mulher Paschoalina. A ideia é que Bernardino ficasse perto de seu pai, Antonio, que mandou construir o espaço onde funciona a Casa da Palavra. O edifício também é tombado pelo Comdephaapasa.
Uma vez na Casa do Olhar, perca os olhos sem pressa nos vitrais, no belo jardim de entrada e em cada cantinho dessa bela construção. Para quem quiser, sim, saber de arte, há uma sala dedicada ao andreense Luiz Sacilotto. Além desse espaço, há outros que são ilustrados por mostras que mudam de tempos em tempos. E se tiver dúvidas, qualquer funcionário terá o maior prazer em saná-las.
De lá, após cerca de dez minutos de caminhada, se chega ao destino final do nosso roteiro, que é o Museu de Santo André Dr. Octaviano Armando Gaiarsa, localizado na Rua Senador Fláquer, 470. No caminho, ao passar pela Rua Doutor Cesário Mota, não se esqueça de que o compositor Adoniran Barbosa (1910-1982) ali viveu, entre 1924 e início dos anos 1930.
Também com entrada gratuita, o Museu apresenta a memória e história de Santo André por meio de seu acervo. Além do universo de informações que o local oferece, o prédio em si é um caso a parte. Faz parte das edificações escolares construídas pelo Governo do Estado de São Paulo ainda na Primeira República (1889-1930).
Inaugurado em 1914 como o primeiro grupo escolar da região, hoje abre espaço para diversas exposições. Mas dá para ir além. Visite os locais onde eram as salas de aula e o pátio. Há muita coisa preservada lá dentro como nos tempos em que era escola. Curioso saber que as meninas ocupavam as salas de um lado e os meninos do outro.
Em 1992, o prédio foi reconhecido como Patrimônio Cultural da cidade pelo Conselho Municipal de Defesa do Patrimônio Histórico, Artístico, Arquitetônico-Urbanístico e Paisagístico de Santo André. Em 2010, se tornou Patrimônio Cultural do Estado de São Paulo pelo Conselho de Defesa do Patrimônio Histórico Artístico arqueológico e Turístico do Estado de São Paulo. Bom passeio e divirta-se.

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