Compartilhe: Pois é, você já pode separar a bota de borracha. A Defesa Civil de Santo André soltou o papo que começou a Operação Chuvas de Verão. Eles dizem que tá tudo “monitorado”, mas quem mora aqui no Grande ABC há 30 anos, como eu, sabe que essa história é sempre a mesma. “Nós fomos” […]
Pois é, você já pode separar a bota de borracha. A Defesa Civil de Santo André soltou o papo que começou a Operação Chuvas de Verão. Eles dizem que tá tudo “monitorado”, mas quem mora aqui no Grande ABC há 30 anos, como eu, sabe que essa história é sempre a mesma. “Nós fomos” atrás pra ver se é só papo ou se, dessa vez, a água não vai subir na sua garagem.
Operação Chuvas Santo André: Seu bairro vai Alagar?
Pois é, meu caro. Sábado de manhã, dia de Finados, e o que “nós” ganhamos de notícia? Que a Defesa Civil de Santo André anunciou o início da famosa, da folclórica, da anual Operação Chuvas de Verão 2025/2026. Começou ontem, dia 31. Bela data, né? Dia das Bruxas. Talvez seja um sinal, porque todo ano é o mesmo terror “pra” quem mora perto de córrego aqui no Grande ABC.
Eu tô nessa batida de jornalismo aqui na região faz mais de 30 anos. Eu moro aqui no centro de Santo André, pertinho do Paço. Eu já vi de tudo. Já vi prefeito entrar, prefeito sair, e a água… ah, a água continua subindo.
Então, quando eu leio o comunicado oficial, todo bonito, falando em “monitoramento”, “ações preventivas” e “resiliência”, eu dou aquele sorriso de canto de boca. É o “jornalês” deles pra dizer: “Olha, tamo fazendo alguma coisa, tá?”.
Mas o que realmente significa essa operação? E, mais importante: vai impedir o caos de sempre? Senta aí no boteco, pede um café (ou uma cerveja, já que é sábado) e deixa o “tio” aqui te contar o que ninguém da prefeitura tem coragem de falar.
O que é essa tal de Operação Chuvas de Verão? (O papo oficial)
No papel, a coisa é bonita. A Defesa Civil diz que, de agora até março do ano que vem, “o pessoal” deles (que, diga-se de passagem, é um pessoal que rala, tá osso o “trampo” deles) vai ficar de olho 24 horas por dia.
O plano, segundo eles, inclui:
Monitorar as áreas de risco: Sabe aquele morro que ameaça descer? Aquela beira de córrego que sempre transborda? Pois é. Eles dizem que tão de olho.
Limpeza de bueiros e córregos: A parte que, se não for feita, já era. É “pra” tirar o lixo e o mato que impede a água de passar.
Alertas pra população: Aquele SMS que chega no seu celular falando que o mundo vai acabar em água.
Tudo isso, eles falam, é pra “minimizar os impactos”. Veja bem: minimizar, não evitar. Porque evitar, meu chapa, eles sabem que não vão. Esse papo de “minimizar” é o guarda-chuva jurídico que eles abrem pra se proteger quando a água bate na sua canela.
Eles falam que a cidade tá “mais resiliente”. Resiliente é o morador do ABC, que perde a geladeira num ano, financia em 24 vezes, e no ano seguinte tá lá, levantando o sofá pro segundo andar de novo. Isso é resiliência. O resto é papo furado de político em ano de eleição.
O Papo Reto: Eu, com 30 anos em Santo André, já vi esse filme
Agora, vamos à realidade. Eu sou do tempo que a Avenida dos Estados não era uma avenida, era uma piscina olímpica oficial a cada chuva de janeiro. Quem tem minha idade lembra do caos que era o Centro de Santo André. A Dona Pires, ali perto da estação, virava um rio. “A gente fomos” cobrir matéria ali com água no joelho, vendo comerciante perder tudo.
E vou te falar uma coisa, isso é pessoal. Minha avó mora na Vila Palmares. Meu chapa, ali é o “marco zero” da enchente. Não é nem piada. TODO santo ano é a mesma coisa: enchente atrás de enchente. “Nós” já perdemos as conta de quantos sofá e geladeira “nós” tivemos que botar na caçamba. A única diferença, e é aí que “o bicho pega”, é que tem ano que é pior. Tem ano que a água bate recorde, o volume de água é tanto que “os cara” nem acredita, conseguindo ultrapassar inclusive as benditas das comportas que colocamos na casa. Na divisa com São Bernardo. Você entende o que é isso? A obra que era pra salvar a vila, vira uma piada. A água passa por cima. É um vexame.
“Ah, mas jornalista, isso melhorou muito!”
Melhorou. Não sou cego. Mas melhorou por quê? Por causa dos piscinões. Obras que custaram os olhos da cara, uma fortuna do dinheiro do povo. O Piscinão do Jaboticabal, ali na divisa, é um monstro de engenharia. E sim, ele segura uma água que antes vinha toda pra cá, pra Santo André e São Caetano.
Mas aí é que mora o perigo. O político adora inaugurar a obra. Ele corta a fita, tira foto, dá entrevista. Mas e a manutenção?
Aí é que o bicho pega.
O buraco é mais embaixo: A manutenção que ninguém vê (e o lixo que todo mundo joga)
Não adianta ter um piscinão de bilhões de reais se o bueiro da sua rua tá entupido. E é isso que eu vejo todo santo dia.
Eu canso de andar pela Vila Pires, pela Vila América, pelo Parque das Nações. O “nó” é o mesmo. A prefeitura diz que limpa. Mas o lixo que o povo joga é uma barbaridade. É sofá velho, é sacola plástica, é garrafa PET.
Outro dia, “nós viu” uma equipe da prefeitura limpando a boca de lobo ali perto da Lino Jardim. Meu amigo, tiraram um pneu lá de dentro. Um PNEU. Como é que o cara me enfia um pneu no bueiro?
Aí chove. A água não tem pra onde ir. Ela sobe.
E a culpa é de quem? Do prefeito? Do morador? É uma briga boa.
O que eu digo é: a Prefeitura de Santo André (e a de São Bernardo, e a de Mauá, é tudo farinha do mesmo saco) falha muito na manutenção preventiva. Eles esperam a chuva chegar pra começar a correr. Essa Operação Chuvas de Verão é, em grande parte, uma reação, não uma prevenção de verdade.
A limpeza de córrego tem que ser o ano INTEIRO, não só em outubro. O dinheiro do povo que vai pro imposto tem que voltar em serviço bem feito. Quantas vezes você viu “o pessoal” da prefeitura limpando o córrego aí do seu bairro antesde setembro? Quase nunca. Eles esperam a primeira chuva forte de outubro “pra” lembrar que o rio existe. “Tá osso” isso.
Cada casinha que vira um prédio de 20 andares é menos terra pra chupar a água. Cada quintal que é cimentado pra caber mais carro é mais água correndo pra rua.
O Grande ABC virou uma bacia de plástico gigante. A água bate e escorre. E escorre pra onde? Pro ponto mais baixo. Pro Centro de Santo André, pra Avenida dos Estados, pra Vila Palmares, pro vale do Tamanduateí.
Eu lembro, lá nos anos 90, o pessoal falava do Plano Diretor da cidade. “A gente tem que parar de construir em área de risco”, “a gente tem que ter mais parque”. Papo bonito. O que aconteceu? Construíram mais ainda. Liberaram prédio em tudo quanto é canto. A especulação imobiliária aqui manda mais que o prefeito.
E “nós” paga o pato.
O aquecimento global (sim, essa coisa que o cara lá da política diz que não existe) tá fazendo chover mais forte em menos tempo. “Nós” não tá preparado pra isso. A nossa infraestrutura é dos anos 70. Nossos bueiros foram feitos pra chuva de 1980, não pro dilúvio de 2025.
A Operação Chuvas de Verão é a prefeitura tentando tampar o sol com a peneira. Eles estão tentando gerenciar uma crise que eles mesmos criaram (ou deixaram criar) por décadas de planejamento urbano porco.
O que realmente afeta o seu dia (e o que você tem que fazer)
“Tá, jornalista ranzinza, mas e eu com isso?”
E você com isso? Você que pega o busão na Vila Luzita e fica preso porque o terminal alagou. Você que trabalha em São Bernardo e não consegue voltar pra casa em Santo André porque a Anchieta virou um rio. Você que mora na Vila Sá e fica com o coração na mão toda vez que o céu fica preto. E você que é parente da minha avó lá na Vila Palmares e tem que sair correndo “pra” levantar os móveis dela.
Essa operação afeta seu trampo, sua segurança e seu bolso.
A Defesa Civil vai mandar o SMS. Quando ele chegar, meu amigo, é pra levar a sério.
Se você mora em área de risco (morro ou beira de córrego), já deixa os documentos separados num saco plástico. É sério.
Não tente passar com o carro em rua alagada. Eu já vi carro boiando na Perimetral. Não seja esse cara.
E, pelo amor de Deus, não joga lixo na rua. O bueiro que você entope hoje é a enchente que invade a casa do seu vizinho amanhã.
“Nós” aqui do jornalismo “bairrista” “tamo de olho”. “A gente fomos” questionar a prefeitura sobre o cronograma de limpeza, sobre quantos homens tão na rua de verdade. Eles responderam com aquele “blá blá blá” de sempre.
A verdade é uma só: a Operação Chuvas de Verão é um protocolo necessário, mas que não ataca a raiz do problema. É um curativo num paciente que precisa de cirurgia de ponte de safena.
Enquanto o político só pensar na próxima eleição e não num plano de 30 anos pra Santo André e pro Grande ABC, a gente vai continuar aqui, todo novembro, escrevendo a mesma matéria. E você, meu chapa, vai continuar comprando bota de borracha.
Perguntas Frequentes (O que o povo quer saber)
Combate Enchentes: Santo André – Obras em Andamento!
1. Mas jornalista, meu bairro alaga todo ano. O que eu faço “pra” prefeitura me ajudar? Meu amigo, “pra” ser sincero? Rezar. Mas falando sério: você tem que ligar pra Defesa Civil (o número é 199) e INFERNIZAR eles. Registra protocolo. Junta os vizinhos, faz um abaixo-assinado, chama a imprensa (chama “nós”!). Se a água sobe todo ano, é porque tem problema crônico ali. Tem que encher o saco “pra” eles botar seu bairro na lista de prioridade.
2. A culpa é só da prefeitura ou “o pessoal” também tem culpa? É dos dois. A prefeitura tem a obrigação de fazer a macro-drenagem, limpar os córregos grandes, manter os piscinões e fiscalizar as construções. O dinheiro do povo é “pra” isso. Mas “nós” como morador tem a culpa de jogar lixo no lugar errado. Aquele sofá que “o cara” joga no córrego… uma hora ele vai parar em algum lugar. E esse lugar é, geralmente, a porta da sua casa na hora da chuva.
3. Essa Operação Chuva de Verão funciona de verdade ou é só “pra” bonito? Olha, funcionar, funciona “pra” apagar incêndio pequeno. O pessoal da Defesa Civil que tá na rua é herói, eles salvam gente. A operação serve “pra” organizar a resposta RÁPIDA. Mas ela não impede a enchente grande. Ela não resolve o problema estrutural. É como eu disse: é um curativo. Ajuda a não infeccionar, mas não cura a ferida. A “cura” era ter uma cidade planejada, o que “nós” aqui no Grande ABC nunca teve.
4. E a Vila Palmares? Nunca vão resolver aquilo lá? Rapaz, essa é a pergunta de um milhão de reais. Já teve prefeitode Santo André e de São Bernardo prometendo que ia resolver. Fizeram as comportas, gastaram uma fortuna. E como “nós viu”, a água passa por cima. O problema ali é que o rio (Tamanduateí) tá espremido entre a Anchieta e a linha do trem. Não tem pra onde a água correr. “Pra” resolver de verdade, tinha que ser uma obra federal, mexer na Anchieta. E quem tem coragem de fechar a Anchieta? Ninguém. Então, o povo da Vila Palmares vai continuar sendo “resiliente” na marra
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OPINIÃO
ABCTudo Paulista
Texto em que o autor apresenta e defende suas ideias e opiniões, a partir da interação de fatos e dados.
** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do ABCTudo/IT9.