Eleições 2026 encarecem anúncios digitais para marcas
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Por
Danillo Leite
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Publicado em: 12 de setembro de 2026
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Atualizado em: 12 de setembro de 2026
O período eleitoral de 2026 está transformando o ambiente da publicidade digital no Brasil. Com candidatos, partidos e veículos ampliando produção de conteúdo e investimentos em mídia, a atenção dos usuários se torna um recurso cada vez mais disputado. O CPM (custo por mil impressões), principal indicador de concorrência nos leilões digitais, tende a subir nesse cenário. Para as marcas, aumentar o orçamento não é a única resposta — é preciso planejamento, monitoramento de campanhas, diversificação de canais e uso inteligente de dados. A agência PIPA e especialistas do setor apontam o caminho para navegar nesse cenário sem perder eficiência nos investimentos.
Eleições 2026 e a Disputa Invisível Que Está Encarecendo a Publicidade Digital
Existe uma guerra em curso no ambiente digital que a maioria das pessoas não vê — mas que todo anunciante sente no bolso. Com a proximidade das eleições de 2026, uma camada extra de anunciantes, produtores de conteúdo e veículos entrou em cena disputando exatamente o mesmo espaço que marcas, empresas e negócios de todos os tamanhos já ocupavam. O resultado direto é o aumento da concorrência pela atenção dos usuários — e, com ela, a elevação dos custos de mídia.
“O valor pelo clique do usuário vira ouro”, resume Danillo Bonatto, especialista em marketing digital com formação em Harvard. A frase captura com precisão o que acontece em anos eleitorais: a atenção humana, recurso já escasso em condições normais, fica ainda mais cara quando a política entra na disputa pelos mesmos espaços publicitários.
Em 2026, esse cenário é potencializado por uma combinação rara: eleições e Copa do Mundo no mesmo calendário. O Instituto Verificador de Comunicação (IVC) já sinalizou que esses dois eventos criam uma das maiores concentrações de oportunidade — e de risco — para marcas no ambiente digital que o mercado brasileiro já viu. Para o presidente executivo do IVC, Pedro Martins Silva, a Copa do Mundo e as eleições representam forte concentração de oportunidades no live streaming, mas exigem estratégias complementares de alcance e frequência.
O CPM Como Termômetro da Concorrência
O principal indicador que as equipes de mídia acompanham nesses momentos é o CPM (custo por mil impressões) — a métrica que mede quanto uma marca paga para exibir seu anúncio mil vezes em uma plataforma digital. Quando mais anunciantes disputam a mesma audiência, os leilões automáticos das plataformas sobem o preço. É a lei da oferta e da demanda aplicada à publicidade.
Dados de campanhas administradas pela PIPA, agência especializada em estratégias digitais, permitem observar como o comportamento dos custos de mídia se altera diante de cenários de maior concorrência. A análise das campanhas ajuda a identificar oscilações no CPM e em outros indicadores relevantes para a tomada de decisão.
“Em períodos de grande movimentação, como as eleições, existe uma concentração maior de anunciantes e conteúdos disputando a atenção das pessoas. Isso pode mudar a dinâmica da mídia digital e fazer com que as marcas precisem ser ainda mais cuidadosas na definição de público, canais e investimentos”, explica Thales, especialista em marketing digital da PIPA.
O dado sobre o CPM médio no ambiente digital reforça esse cenário. O CPM médio para publicidade online varia de US$ 2 a US$ 15 na maioria das plataformas, podendo chegar a US$ 78,64 em ambientes premium, como o Google Display, e esse valor varia principalmente de acordo com a precisão da segmentação, o formato do anúncio e a concorrência no leilão. Em momentos eleitorais, com mais disputantes no mesmo espaço, os valores tendem a pressionar o teto desse intervalo.
O Que Muda Para as Marcas Além da Publicidade Paga
A disputa pela atenção não acontece apenas nos anúncios pagos. O SEO, a produção de conteúdo e a presença orgânica nas plataformas também são impactados quando o interesse público se concentra em temas eleitorais. O comportamento de busca dos usuários muda: palavras-chave antes neutras começam a competir com termos relacionados à política, e o alcance orgânico de conteúdos não eleitorais pode cair.
Especialistas do mercado alertam que ignorar esse contexto pode significar campanhas fora de timing, mensagens deslocadas e investimentos com retorno abaixo do esperado. O calendário de 2026, com eleições e Copa do Mundo, exige um planejamento mais detalhado do que em anos anteriores.
Há ainda um elemento regulatório que muda a dinâmica do jogo: o Google decidiu manter para as eleições de 2026 o veto à veiculação de anúncios eleitorais pagos no Brasil, impedindo candidatos, partidos e federações de contratarem impulsionamento político no YouTube, na busca do Google e na rede de display. Isso significa que a pressão eleitoral nas plataformas do Google virá por meio de conteúdo orgânico e não de anúncios — o que pode, paradoxalmente, aliviar parte da concorrência paga nessas plataformas enquanto intensifica a disputa por atenção orgânica.
Mais Conteúdo, Menos Atenção Disponível: O Paradoxo do Período Eleitoral
A lógica é simples: quanto mais conteúdo circula, mais difícil é para qualquer mensagem individual ser vista e assimilada. Em anos eleitorais, o volume de conteúdo nas redes sociais, nos portais de notícias e nos canais de vídeo cresce de forma abrupta. A audiência não cresce no mesmo ritmo — o tempo disponível de cada usuário é o mesmo. O resultado é uma competição mais acirrada por cada segundo de atenção.
Para Caroline Ferrari, Diretora de Novos Negócios Corporativos da agência Octopus, períodos como os das eleições alteram hábitos de consumo, concentram investimentos em mídia, ampliam a disputa por atenção e aceleram tendências ligadas à comunicação em tempo real.
Esse contexto impõe uma mudança de mentalidade para os anunciantes. A resposta instintiva — aumentar o orçamento para garantir visibilidade — pode ser ineficiente se não vier acompanhada de ajustes na segmentação, no criativo e na escolha de canais.
“Não é apenas uma questão de investir mais. É preciso entender onde está a atenção do público e como a marca pode chegar até ele de maneira mais eficiente. Dados de campanha ajudam a tomar decisões mais rápidas e evitar desperdício de verba”, afirma Thales, da PIPA.
A Estratégia da Cautela Como Vantagem Competitiva
O CEO da AdsPlay, Edu Sani, aponta que historicamente, em anos eleitorais, as empresas brasileiras têm menos disponibilidade para correr riscos, com muitos empresários preferindo aguardar os resultados das urnas antes de tomar decisões que impactam o negócio pelos próximos anos. Para o mercado publicitário, isso cria uma janela de oportunidade: marcas que mantêm presença consistente enquanto concorrentes reduzem investimento tendem a ganhar espaço e relevância.
A recomendação dos especialistas é não reagir ao ruído eleitoral apenas com mais investimento, mas com mais inteligência de dados. Acompanhar as variações no CPM semana a semana, identificar quais segmentos de audiência estão menos disputados pelo conteúdo político, e diversificar os canais de comunicação são ações que permitem às marcas manter eficiência mesmo com o ambiente mais competitivo.
Nesse cenário, planejamento, monitoramento constante e diversificação de estratégias digitais ganham importância concreta. Marcas que combinam mídia paga, conteúdo orgânico, SEO e análise de dados conseguem acompanhar as mudanças do ambiente online e ajustar as ações conforme a concorrência aumenta — sem precisar simplesmente abrir o orçamento para compensar.
Com a proximidade do período eleitoral mais intenso, previsto para o segundo semestre de 2026, a disputa pela atenção tende a se intensificar ainda mais. Para as empresas, o desafio será continuar aparecendo em meio ao grande volume de informação sem perder eficiência nos investimentos digitais. Quem se preparar agora, antes do pico, terá vantagem sobre quem tentar correr atrás depois.
Perguntas Frequentes (FAQ)
1. Por que as eleições afetam a publicidade digital das marcas?
Porque candidatos, partidos e veículos ampliam a produção de conteúdo e os investimentos em mídia durante o período eleitoral, aumentando a concorrência pelos mesmos espaços publicitários que as marcas já utilizam. Isso eleva o CPM (custo por mil impressões) e torna mais cara e disputada a atenção dos usuários nas plataformas.
2. O que é CPM e por que ele importa nesse cenário?
CPM é o custo por mil impressões — a métrica que indica quanto uma marca paga para exibir seu anúncio mil vezes. Quando mais anunciantes disputam a mesma audiência, os leilões automáticos das plataformas digitais sobem o preço. Em períodos eleitorais, esse indicador tende a aumentar.
3. O Google vai exibir anúncios de candidatos nas eleições de 2026?
Não. O Google manteve o veto à veiculação de anúncios eleitorais pagos nas eleições de 2026 no Brasil, impedindo candidatos, partidos e federações de contratarem impulsionamento político no YouTube, na busca e na rede de display da empresa.
4. Como as marcas podem se proteger do aumento de custos durante as eleições?
Monitorando semanalmente os indicadores de campanha, especialmente o CPM, ajustando a segmentação de audiência para segmentos menos disputados pelo conteúdo político, diversificando os canais de comunicação e combinando mídia paga com SEO e produção de conteúdo orgânico.
5. As eleições representam alguma oportunidade para as marcas?
Sim. Marcas que mantêm presença consistente enquanto concorrentes reduzem investimentos por cautela eleitoral tendem a ganhar espaço e relevância. Além disso, o período eleva o consumo de conteúdo nas plataformas, criando oportunidades para quem souber produzir conteúdo relevante para audiências específicas.
6. O que é a agência PIPA mencionada no artigo?
A PIPA é uma agência especializada em estratégias digitais. Os dados de campanhas administradas por ela foram utilizados para observar como os custos de mídia se comportam em cenários de maior concorrência, como o período eleitoral.
Texto em que o autor apresenta e defende suas ideias e opiniões, a partir da interação de fatos e dados.
** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do ABCTudo/IT9.