Preparado para mais um desafio
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 “Estou feliz, agora mais tranquilo e pagando as dívidas. É bom a gente poder viver do nosso ofício. Não tenho mais condições de competir, não tem mais tanto lugar para gente da minha idade (62 anos), a vez é dos mocinhos e mocinhas, então estou comemorando”, comenta Marcos Oliveira sobre a nova fase da sua vida. O ator – nascido em Santo André – passou por apuros há um ano, quando precisou pedir emprego pelo Facebook. “Está bem complicado para a classe artística, principalmente quando se fala de teatro. As pessoas não estão saindo mais de casa para isso”, conta ao Diário o Beiçola de A Grande Família, papel que interpretou na Globo por 14 anos. “Foi um grande personagem, mas fiquei marcado e ninguém mais me chamou para nada.”
Antes de recorrer às redes sociais para expôr a sua situação, o ator fez participação na série do Multishow Os Suburbanos (2015) e interpretou o padre Vizeu, em Liberdade, Liberdade (2006). Agora, apesar de só aparecer no capítulo 22 da trama, está gravando a história de mais um personagem global: o Conde Heráclito de Fernandes, de Deus Salve o Rei, novela medieval programada para estrear em janeiro.
“Ele será o tio da princesa Lucrécia (Tatá Werneck), que é uma pessoa ‘quadripolar’. A Tatá é maravilhosa, né? Eu levanto a bola e ela faz o ponto”, elogia Oliveira, que também está se programando para estrear stand up que fala sobre a felicidade. “Estou elaborando e produzindo dentro das minhas possibilidades.”
Na década de 1970, Marcos Oliveira andava por Santo André já fazendo arte. Morador do bairro Utinga, o ator começou no teatro quando era aluno da Escola Estadual Doutor Carlos Garcia, no Camilópolis. “Naquela época, recebemos muito estímulo artístico dos professores. Teve gente que foi para a pintura, para a literatura e para a dramaturgia. Conseguíamos sala de aula para ensaiar aos sábados à tarde. Alguns diretores de teatro vinham à escola para falar com a gente. Foi assim que comecei a desenvolver meu trabalho”, recorda.
Vivendo no Rio de Janeiro desde 1987, Oliveira lembra do Grande ABC com muito carinho. “Tinha a federação andreense de teatro amador, que nos impulsionava. Lembro quando estava produzindo a peça A Noite dos Assassinatos e precisava de dois caixões, um deputado aí, da região, me ajudou. Faz muito tempo que não volto, hoje só tenho uma sobrinha que mora em Santo André”, finaliza.